janeiro 29, 2009

Iniciativa pretende inserir conhecimento em saúde no 'metaverso'

É cada vez mais freqüente o auxílio da tecnologia na medicina. Seja por meio de novos procedimentos, desenvolvimento de medicamentos ou até mesmo no auxílio educacional dos novos médicos. Softwares e equipamentos surgem a todo o momento como agregadores na melhoria da assistência em saúde e na qualificação dos profissionais envolvidos nesta atividade.

No entanto, o chamado 'mundo virtual' também pode ser ferramenta agregadora do ensino e conhecimento nesta ciência. Projeto de iniciativa conjunta entre o Núcleo de Educação à Distância e Tecnologia de Informação em Saúde (Nead.TIS) e o Serviço Técnico em Informática (STI) da Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (FMB) pretende criar um ambiente virtual para uso educacional em medicina e disponibilizar essas informações na Internet. O ambiente foi desenvolvido por Leandro de Santi, analista de sistemas do STI e o ex-aprimorando do Nead.TIS, Lucas Frederico Arantes.

Através do ambiente, baseado em experimentações como o sistema Second Life (SL), será possível a inserção de vídeos, simulações de procedimentos e técnicas, além da realização de palestras, em tempo real, voltadas à saúde. O projeto ainda é embrionário e deve passar por avaliações até sua disponibilização, inicialmente em rede interna para na seqüência estar disponível na internet.

A apresentação inicial do ambiente aconteceu durante o 3° Univerão, realizado em janeiro na cidade de São Vicente. Na oportunidade, a equipe do STI e Nead.TIS mostrou ao público, por meio de telões, animações quanto a procedimentos em primeiros-socorros e de informações preventivas a doenças. Em outro ambiente, cartazes sobre trabalhos acadêmicos estavam disponíveis para apreciação.

Uma das atrações foi uma réplica virtual do salão nobre da FMB. Para que isso fosse possível, os técnicos das unidades fotografaram todo o espaço real e digitalizaram as imagens para a conversão em sistema tridimensional.

As experimentações no Univerão foram consideradas satisfatórias pela equipe responsável pelo projeto piloto. Responsável pelo Nead.TIS, a professora Denise Zornoff ressalta a importância do uso desta tecnologia para o aprimoramento acadêmico, pela possibilidade de interatividade que o sistema oferece aos alunos e usuários em geral. "As experiências que outras universidades tiveram no uso desses ambientes mostram o potencial que esse sistema pode oferecer", disse.

Ela ressalta que o projeto ainda passará por fases de avaliação interna para a concepção de conteúdo e possíveis testes de aceitação do público. A previsão é que o sistema esteja na rede em definitivo somente no segundo semestre deste ano.

"Diversas atividades profissionais usam simuladores para treinamento. Desenvolver um sistema e ambientá-lo na internet pode reduzir não só o custo com aprimoramento dos profissionais como sua aplicação em cursos e no ensino nas diversas especialidades médicas", explica Lucas Arantes. "A vantagem de um sistema vinculado ao mundo virtual é que podemos montar toda essa gama de opções em uma rede disponível a alunos e professores", complementa Leandro De Santi.

Uma nova realidade com o 'metaverso'

O 'metaverso' é considerado por analistas em tecnologia como um sistema inovador por seus diferentes aspectos de utilização ao oferecer interatividade com o ambiente no qual está inserido. Um destes exemplos é o Second Life que, segundo estimativas da empresa desenvolvedora, tenha mais de seis milhões de usuários em todo o mundo. Sua utilização varia de entretenimento, serviço até educação. Especificamente na educação, grandes universidades norte-americanas e brasileiras já utilizam o SL para criar ambientes de ensino.

O chamado 'metaverso' tem chamado cada vez mais a atenção de internautas e de instituições públicas e privadas por sua interatividade e acesso exclusivo para usuários cadastrados. No Brasil, empresas como a Petrobras e bancos utilizam-se do SL para reuniões entre colaboradores e como forma de marketing das instituições.

Levantamento realizado pelo Ibope aponta que o brasileiro acessa cada vez mais a Internet. Em dezembro de 2008 havia no país mais de 40 milhões de pessoas com acesso à rede mundial de computadores, com 24,5 mi de usuários ativos, representando alta de 14,7% em relação ao mesmo período de 2007. O instituto também verificou que o brasileiro ficava em torno de 22 horas conectado mensalmente à rede e as maiores altas em seu público deram-se em usuários acima dos 25 anos (21,5%).


Flávio Fogueral
Jornal da FMB