fevereiro 05, 2009

Educação usada contra os acidentes domésticos

Tomadas, materiais de limpeza e locais sem proteção. Estes são alguns dos cenários que com os pais têm que tomar cuidado diariamente quando há crianças pequenas em casa. Em idade de descobertas e crescimento, a curiosidade típica da infância pode transformar-se em um fator crucial para acidentes domésticos.

Dados do Ministério da Saúde apontam que mais da metade dos atendimentos a crianças de zero a nove anos realizados em hospitais e serviços públicos de saúde foram provenientes de quedas, seguidos por intoxicação e choque elétrico e que anualmente mais de seis mil morrem devido a acidentes domésticos.

Além do cuidado dos pais, é necessário conscientizar as crianças das armadilhas que se escondem em casa. Com este objetivo, o de educar e alertar quanto às possibilidades de acidentes, é que a Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (FMB) desenvolve o projeto "Prevenção de Acidentes na Infância: Questão Prioritária em Saúde Pública", integrante do Programa de Saúde Escolar de Botucatu. Sob coordenação da professora do Departamento de Saúde Pública da FMB, Eliana Goldfarb Cyrino, o projeto tem obtido resultados expressivos neste tipo de educação.

Realizado há seis anos, o trabalho atinge desde os pais até as crianças, principais vítimas de acidentes domésticos, fornecendo informações quanto à segurança infantil. Alunos do curso de Medicina oferecem às crianças em idade escolar, semanalmente, aulas didáticas de prevenção. O trabalho acontece semanalmente na Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, em Botucatu (238 km de São Paulo), e abrange mais de 90 crianças do Ensino Fundamental.

Jumara Martins, aluna do 5º ano de Medicina e uma das coordenadoras do projeto, explica que inicialmente os aprendizes preenchem um questionário onde apresentam, de primeiro momento, suas noções sobre o que são acidentes domésticos e suas potenciais causas. "Cada semana era abordado um tema diferente. Passamos inicialmente um questionário para que cada criança falasse sobre os acidentes que elas mais conheciam", declara.

Ela reforça que a partir das dinâmicas ficou constatado que os acidentes mais comuns conhecidos pelos alunos eram queimaduras, afogamentos, choques elétricos e quedas ou traumas. "O impressionante é que a maioria destes acidentes ocorre dentro de casa. E boa parte dos alunos ou já sofreu algum tipo de acidente ou conhece alguém que tenha passado por uma situação deste tipo", complementa Jumara.

O projeto tem obtido êxito na educação dos alunos. Profª Eliana Cyrino ressalta que a multiplicação das informações sobre acidentes domésticos aos familiares foi o principal objetivo alcançado. “A partir do momento em que receberam estas informações, as crianças passaram a cobrar os pais quanto à segurança dentro da própria casa. Isso trouxe benefícios mútuos à família”, finaliza profª Eliana.

Flávio Fogueral
Jornal da FMB