março 12, 2009

Vídeo 'Mãonólogo' no festival "1000 minutos de 80 países"



Por Renato Fernandes

O vídeo “Mãonólogo”, vencedor do Festival do Minuto no bimestre setembro/outubro de 2008, na categoria Melhor Minuto (tema “Dinheiro”), produzido pelo cineasta botucatuense Renato Arena Scorsatto, faz parte da exposição “1000 minutos de 80 países”. A mostra, que começou no dia 3 de março, está aberta para visitação no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) até o dia 28.

Organizada pelos responsáveis do Festival do Minuto da Holanda, os mil vídeos selecionados já passaram por Pequim, Florença, Lisboa e Bruxelas, tendo como curador brasileiro o criador do evento, Marcelo Masagão. “A sensação de ter o vídeo escolhido foi de surpresa e alegria. Tentei produzir o curta em Curitiba (cidade onde cursa a faculdade de cinema) e nenhum dos atores com os quais havia combinado compareceram. Nem ao menos me ligaram para dar qualquer justificativa, acho que não acreditaram na idéia ou não consegui transmitir a segurança que precisava. O mesmo aconteceu em Botucatu. Na primeira tentativa apenas uma atriz compareceu, outros dois se explicaram e um terceiro também faltou sem justificativas. Então, por persistência e teimosia entrei em contato com alguns integrantes da Quadrilha de Teatro Notívagos Burlescos que foram super legais, atenciosos, talentosos e acreditaram na idéia. Tenho que agradecê-los por emprestarem seus talentos, sem os quais o curta não teria existido e chegado onde chegou”, garante.

A exposição tem como objetivo reunir o melhor do Festival do Minuto, com produções de 80 países. Ao todo, os vídeos somam quase 17 horas de produção audiovisual. “É muito gratificante sentir que valeu a pena persistir na idéia de um curta que enfrentou tantos problemas para sair do papel. Ser reconhecido por uma curadoria que tem com chefe o grande cineasta Marcelo Masagão e ver este filme ser exibido no maior museu de arte do Brasil, onde estão representados os maiores pintores da história mundial, é muito emocionante”, comenta. “Ter o filme selecionado entre os milhares já produzidos desde a criação do festival em 1991 para representar o Brasil nessa mostra é um grande incentivo e um grande degrau para dar segurança na execução de novos projetos”, comemora.

A mostra compõe um panorama da produção audiovisual mundial, com vídeos curtíssimos. O curta “Mãonólogo” está em exibição junto com outros 60 vídeos-minuto e 10 vídeos nanominutos (10 segundos), de cineastas nacionais e que disputaram o festival desde sua primeira edição. “Existe futuro para as produtoras de ficção no interior. A tecnologia vem no sentido de baratear custos de produção. Com a internet banda larga, o que é produzido localmente pode ser visto no mundo todo. É muito interessante financeiramente ter um custo de Botucatu e um cliente de um grande centro, mas para isso é preciso investir em qualidade. As pessoas gostam de ver boas histórias e ter suas marcas associadas a uma ideia que se propaga de maneira viral. É um ótimo negócio”, coloca.

Apesar da projeção nacional e do trabalho voltado para a valorização da cidade de Botucatu como pólo de produção audiovisual, o cineasta ainda sofre com a falta de apoio e incentivos da iniciativa privada, e busca no poder público, junto a Subsecretaria Municipal de Turismo recursos para seu novo projeto, o curta metragem “Era uma Vez na biblioteca”, rodado no Centro Cultural de Botucatu, mesma locação do vídeo vencedor do festival. “Tive muitas dificuldades para produzir um curta posterio ao ‘Mãonólogo’, mesmo depois do reconhecimento. Recebi apoio do Centro Cultural, que cedeu o espaço da biblioteca, da Pubtec que vai confeccionar Banners e cartazes, da Encadernadora Botucatu que fez os livros cenográficos, da Agroflor que cedeu um pouco de palha de madeira para a confecção de um arbusto ressecado, da Pixel Café que intercedeu junto ao Zé do Queijo para ceder parte da alimentação para equipe e atores. Já patrocínio foi muito mais difícil, gastei um tanque e meio de gasolina e apenas o Karambola me apoiou, espero conquistar algo com a Subsecretaria de Turismo, onde fui muito bem recebido pela subsecretária Priscila Ribas. A realização de um filme, mesmo curta metragem, é um trabalho intelectual e braçal árduo, diferente da idéia glamourizada que se enraizou no imaginário de muitos. A equipe que está comigo no ‘Era Uma Vez na Biblioteca’ faz um excelente trabalho de forma abnegada”, ressalta.

Renato Arena Scorsatto comemora a seleção
do vídeo para a mostra internacional no Masp


Vídeos do festival exibidos na cidade

A cidade de Botucatu receberá entre os dias 23 e 29 de março, a “Mostra do Festival do Minuto”, com uma seleção de vídeos que integram o evento.

A agenda prevê exibições na Biblioteca Municipal Emílio Peduti, nos dias 23 e 27, às 9 e 15 horas; Centro Cultural de Botucatu, no dia 25 de março, às 20 horas; Hall do Teatro Municipal Camillo Fernandez Dinucci, nos dias 24 e 26, às 13 horas; Casa da Arte, na Unesp de Botucatu, no dia 24 às 18 horas; no dia 26, a exibição será no Anfiteatro da FCA (Faculdade de Ciências Agronômicas) da Unesp, às 18 horas. A entrada é franca.

A realização é da Secretaria Municipal de Cultura de Botucatu. No evento, o vídeo “Mãonólogo” também deverá ser exibido.