abril 23, 2009

Caderneta inédita de Angelino de Oliveira aparece 45 anos após sua morte

Por Renato Fernandes

A reportagem do blog O Grito Notícias teve acesso a uma caderneta de trabalho do cantor Angelino de Oliveira, datada em 1941.

O material foi apresentado por um colecionador, que prefere não revelar como conseguiu o caderno. As folhas manuscritas trazem detalhes sobre a programação musical de diferentes programas da rádio emissora de Botucatu PRF-8, notícias que seriam lidas no ar e dois poemas inéditos, cuja autoria pode ser do compositor.

O historiador João Carlos Figueiroa também teve acesso a caderneta e não tem dúvidas quanto a sua autenticidade. “Percebe-se que é um documento que já passou por um crivo oficial, sendo admitido como documento. Não tenho dúvidas da autenticidade dessa caderneta”, diz.

A importância histórica do material é ressaltada pelo historiador devido a ausência de material que relate a vida de Oliveira, em Botucatu.

“Existe poucas referências sobre as atividades exercidas pelo Angelino em Botucatu. E esse pequeno caderno pode servir de subsídio para preencher, ao menos, parte dessa lacuna”, comenta.

A agenda, com mais de 100 páginas, em formato de bolso, foi apresentada ao Diário, na semana em que completa 121 anos de nascimento do artista (21 de abril de 1888) e 45 anos de sua morte (24/04/1964) e
Angelino de Oliveira mudou-se para Botucatu ainda criança.

Morou ainda em Ribeirão Preto, onde cursou a Escola de Farmácia e Odontologia, e São Paulo, onde faleceu. Foi em Botucatu que desenvolveu a maior parte da sua atividade musical, sendo o músico local mais cultivado da cidade.

Ineditismo - Na caderneta, pouco material artístico e literário é encontrado, ela se resume, basicamente, à programação e à discoteca da emissora PRF-8, entretanto em suas páginas duas poesias chamam a atenção, uma delas traz uma assinatura desconhecida e a outra não tem assinatura alguma.

Não se tem conhecimento se Angelino de Oliveira se utilizava de pseudônimos.

Confira um trecho do poema Sofrimento, que começa na página 105.
“Está vida de nada vale. Ilusões e Ingratidões. Nada mais que um simples passeio pela superfície terrena.

Um passeio do qual, as distrações são inúmeras, e o homem pouco sabe aproveita-lo. De que vale lutar, lutar... Para um fim único.”

Confira fotos da agenda
(Clique nas imagens para visualizar o álbum)