abril 27, 2009

Docente e alunos do IB avaliam eficácia de atividades sobre piolhos realizadas em escolas

Projeto de extensão universitária desenvolvido pelo Instituto de Biociências (IB) da Unesp, câmpus de Botucatu, revelou que atividades de orientação e educação sobre piolhos da cabeça realizadas em escolas podem ter influência relevante na atitude de alunos e pais em relação a esse problema.

O trabalho coordenado pelo professor Newton Goulart Madeira, do Departamento de Parasitologia do IB, e que teve apoio do programa Núcleo de Ensino da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), foi dividido em várias etapas. Inicialmente, os pais foram entrevistados com o intuito de se obter informações gerais dos mesmos sobre o tema.  Essa pesquisa revelou que 92% das pessoas ouvidas notavam que as crianças que apresentavam piolho sofriam preconceito e 60% acreditavam que esse parasita transmitia doenças, voava e pulava.

Segundo Madeira, também foi observado que a maioria das famílias não procurava tratamento adequado. “Alguns pais utilizavam produtos como inseticida e querosene para combater o problema”, comenta o docente do IB.

A partir desses resultados, o professor resolveu desenvolver trabalho com os alunos de 3ª a 5ª séries do Ensino Fundamental das escolas Professor Luiz Tácito Virgínio dos Santos e João Queiroz Marques com o intuito de promover maior conscientização sobre o assunto. “Os professores possuíam grande dificuldade de trabalhar essa temática com os alunos”, lembra Madeira.

O docente e acadêmicos do IB produziram, então, materiais que poderiam atuar como suporte pedagógico como “O piolho na sala de aula”, que possui conteúdos sobre o formato do piolho; seu ciclo de vida; crenças; diagnóstico; forma de tratamento; transmissão; prevenção; e sugestão de atividades que podem ser desenvolvidas em sala de aula.

Também foi elaborado o “Meu caderno de educação e saúde”, que contém diversas atividades que enfocam o tema piolho, além de jogos educativos que abordam o assunto.

O coordenador do projeto explica que os alunos foram avaliados antes e após a aplicação das atividades e o resultado obtido pela equipe foi que, depois dos trabalhos realizados nas escolas, os estudantes demonstraram maior conhecimento sobre o assunto.

Entre os pais das crianças, também houve um retorno positivo. De acordo com inquérito realizado, dos 155 responsáveis por estudantes dos dois estabelecimentos de ensino, 84,5% disseram que os alunos comentaram sobre os aprendizados que tiveram em relação ao tema piolho e 74,8% afirmaram que, após o início das atividades educativas, notaram vontade dos filhos em aprender mais sobre o assunto. Já 73,9% disseram ter suas atitudes em relação ao problema influenciadas pelos alunos

Os questionários ainda revelaram que o interesse dos responsáveis pelas crianças das escolas João Queiroz Marques e Luiz Tácito em palestras sobre infestação de piolho foi, respectivamente, de 91,3% e 84,6%.

As professoras afirmaram que, entre os alunos que participaram das atividades, houve redução significativa de piolhos. As educadoras da escola Luiz Tácito Virgínio dos Santos também apontaram redução do preconceito em relação ao tema.

Já a diretora desse estabelecimento de ensino, Lúcia Helena Calori Jorgeto, na época do encerramento dos trabalhos realizados na escola, comentou que o projeto tem relevância inclusive para o futuro dos alunos. “Esses alunos aprendem a se cuidar melhor e quando forem pais também vão saber orientar seus filhos”, disse. 

Transmissão e tratamento de piolho da cabeça


Segundo Madeira, a transmissão do parasita se dá por meio do contato, ou seja, quando uma pessoa encosta o seu cabelo no de outra.

De acordo com ele, a remoção do piolho pode ser realizada com pente fino ou remédio, que deve ser prescrito pelo médico. Porém, ele explica que o uso de medicamentos pode fazer com que os piolhos adquiram resistência e passem a não apresentar mais eficácia no combate ao problema.

No caso da aplicação do pente fino, ele aconselha que se lave o cabelo com xampu ou sabonete. Após enxaguar, desembarace o cabelo, utilize condicionador, e divida-o em mechas. Em seguida, deve se aplicar o pente fino da raiz às pontas, lavando o pente após cada passada.

Madeira explica ainda que o tratamento precisa ser realizado a cada quatro dias, durante, no mínimo, duas semanas.

O professor salienta também que não há comprovação de que produtos caseiros como, por exemplo, o vinagre combatem o problema, e que não se deve fazer uso de gasolina, inseticidas, querosene, álcool e óleo.  

Assessoria de Comunicação e Imprensa do Instituto  de Biociências



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