abril 25, 2009

Dúvidas em torno da data oficial de execução do clássico Tristeza do Jeca

Por Renato Fernandes

Na semana do 45º ano de morte do cantor e compositor Angelino de Oliveira, um momento marcante na carreira do cantor ainda não foi plenamente esclarecida, a data da execução oficial do clássico “Tristeza do Jeca”, a data divulgada atualmente, coloca o dia 24 de maio de 1918, como data original, tendo como palco o Clube 24 de Maio.

O livro: “Angelino de Oliveira - O inspirado autor de Tristeza do Jeca”, de Marilda Baunguertner Cavalcante cita que a canção foi executada em 1918, na solenidade de posse de Nestor Seabra, no referido clube. Entretanto, ele foi empossado em 1919.

Consultando arquivos do Correio de Botucatu dos anos de 1918, não se encontra menção à canção. A única matéria que faz referência à posse da diretoria do 24 de maio, naquele ano, cita que a sessão solene foi presidida pelo juíz Joaquim Mamede, resslatando que na ocasião, os músicos Afonso Celso Dias, Luis Castro Azevedo e Maria Banducci, interpretaram trechos de canções difíceis.

Nos arquivos de 1919, a matéria referente à posse de Nestor Seabra , foi publicada na edição nº 1229, do jornal Correio de Botucatu, que circuloiu no dia 31 de maio de 1919, e não faz citações À interpretação de “Tristeza do Jeca”.

A única citação à canção, nos jornais daquele ano, surge na edição nº 1.259, do dia 18 de novembro de 1919, na matéria intitulada: “15 de novembro”, no seguinte trecho “A Sessão Cívica em comemoração à data de hoje, promovida pela Comissão Regional de Escolteiros, a realizar-se no Club ‘24 de Maio” obedecerão a seguinte ordem: I - Hino Nacional; II - abertura da sessão, pelo professor Deoclaciano Pontes, presidente da Comissão Regional de Escoteiros; III - Conferência, pelo Dr. Octaviano Carlos de Azevedo; IV - Alma do Jéca, letra e música de Angelino de Oliveira, cantada pelas srtas. Maria Banducci e Amélia Gouveia, sendo o acomp-anhamento feito pelos srs. José A. Wagner e Angelino de Oliveira...”.

Nem mesmo os livros atas do clube 24 de Maio, que estão guardados no Centro Cultural de Botucatu, trazem menção à primeira execução ofocial da música Tristeza do Jeca. “Não existe dado algum a respeito da execução em 1918 e nem mesmo em 1919. Até o momento, essa data ainda permanece confusa”, disse o presidente do Centro Cultural de Botucatu, João Carlos Figueiroa.