junho 30, 2009

21 anos do grupo Octopus de teatro

Por Renato Fernandes

Este ano o grupo Octopus de teatro completa 21 anos. Para comemorar, os integrantes preparam uma série de atividades , apresentações e projetos de valorização e incentivo às artes cênicas. O evento mais significativo é o lançamento de um livro que narra os principais momentos do grupo, fichas técnicas de espetáculos e fotos históricas, apresentando ainda sugestões de exercícios, atividades e jogos cênicos.

Entre as histórias curiosas, que irão compor o livro, o diretor relata uma que ele considera como a mais interessante: “Estávamos prestes a iniciar a apresentação do espetáuclo ‘O Diário de Anne Frank’, que fala do nazismo, e que fazia parte da concepção cênica da peça, uma bandeira com a suástica, que colocávamos no hall do teatro. Chegou um camburão de polícia. Os PM´s adentraram o teatro e queriam a todo o custo que arracássemos a suástica do saguão. No final, acabamos nos entendendo e mas a bandeira continuou lá até o final da sessão”, relembra.
A idéia do diretor é lançar, junto com o livro, um documentário que narre outras passagens históricas do grupo. “Essa obra se tornará referência no teatro estadual”, garante.

A origem do nome Octopus faz referência ao número de fundadores, e simbolicamente significa ‘oito membros e uma cabeça’. Com o passar dos anos a rotatividade de atores, em início de carreira, formados e em formação, que passaram pelo grupo foi aumentando. “Mais de oitenta pessoas passaram pelo grupo, muitas delas seguem carreira profissional, outras assumiram o teatro como hobby. Boa parte dos atores que hoje atuam em Botucatu tiveram passagem pelo Octopus. A idéia é juntar todo esse pessoal para o lançamento”, convida.

O diretor do grupo, e ex-secretário municipal de Cultura, Marco Pinheiro, explica que a intenção inicial era realizar uma comemoração em 2008, quando o grupo completou 20 anos. “O ano passado foi um período em que o grupo deixo de fazer muitas coisas. Afinal, poderiam dizer que eu, como secretário de Cultura e administrador do Teatro Municipal, estaria me aproveitando da função”, diz Pinheiro.

Sem o atrelamento político de antes, o diretor anuncia os projetos do Octopus e antecipa que além do tradicional ‘Fejasa - Festival de Teatro Jaime Sanchez’, que anualmente acontece em setembro, também está definida a promoção de um Festival de Monólogo, programado para dezembro, entre os dias 7 e 10.

Outro projeto que terá impacto sócio-cultural é o ‘Teatro do Polvo Para o Povo’. A idéia é desenvolver oficinas de interpretação em bairros e comunidades que não possuam tradição cultural e teatral. “Começaremos esse projeto no próximo mês. Duas lideranças comunitárias já demonstraram interesse pela iniciativa, o Jardim Cristina e o Conjunto Habitacional da Vila Cidade Jardim”, diz.

Para relembrar os primordios do Octopus, uma ação nostálgica já está em andamento: o relançamento do jornal ‘Óia’, periódico de folha única que era distriuído em bares e usado como uma espécie de toalha de mesa. “A primeira edição já está sendo desenvolvida e diagramada. Ná década de 1980, quando lançamos a pulicação, tínhamos apenas piadas. Agora também teremos a agenda cultural do município”, antecipa.

Na agenda de montagens, Pinheiro revela que já trabalha na produção da fábula “O Semáforo Encantado”, que narra a história de um semáforo que cria vida. “Comecei a escrever o texto dessa peça no ano em que o Código de Trânsito Brasileiro foi instituído (1997) e aghora finalmente estamos trabalhando para a sua montagem”, aponta.

Entre os projetos que também poderão fazer parte do ano comemorativo, Pinheiro antecipa a montagem de um espetáculo adulto, provavelmente uma comédia e ainda a produção da peça Hamlet, de Willian Shaskespeare, em forma de monólogo. “Também pretendemos realizar uma exposição com figurinos, cartazes e adereços que fizeram parte de nossas montagens e digitalizar nosso acervo de vídeo”, finaliza.