junho 16, 2009

Acervo do Museu Nacional começa a ser digitalizado

A partir de uma parceria com a área de desenho industrial do Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCT), iniciou-se a digitalização da maior coleção de paleontologia e egiptologia da América Latina. Situado no Museu Nacional (MN/UFRJ), no Rio de Janeiro, esse acervo está sendo capturado por scanners tridimensionais a laser portáteis e, em breve, poderá ser examinado, manipulado em simulações e reconstituído virtualmente. As peças poderão ainda ser estudadas na forma de réplicas, geradas por meio da tecnologia de prototipagem rápida.

Recriados a partir das informações digitais coletadas, os modelos prototipados permitem ampla manipulação, ao contrário das peças originais que precisam ser resguardadas, devido a sua fragilidade e raridade. A técnica, desenvolvida no Laboratório de Modelos Tridimensionais do INT, associa ainda o uso de outras tecnologias - como a tomografia computadorizada - para análises mais profundas, permitindo o acesso e a replicação de camadas internas dos objetos, antes inacessíveis.

O projeto tem apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), por meio do Programa Pensa Rio. A seleção das peças escaneadas foi feita pelos pesquisadores do Museu Nacional com colaboração das instituições envolvidas, considerando sua importância científica, especificidade, estado de preservação e o interesse popular.

Após capturadas as imagens são tratadas pelos técnicos, no laboratório de imagens 3D instalado no MN, sob acompanhamento dos desenhistas industriais do INT. A etapa de geração dos modelos tridimensionas é conduzida nas áreas de Desenho Industrial do INT e do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI/MCT), em Campinas (SP), com a utilização de sistemas de prototipagem rápida.

O desenhista industrial do INT, Jorge Lopes - que coordena as operações de digitalização e replicação do acervo no projetol - explica que a geração das réplicas também possibilita o intercâmbio com outros centros de pesquisa. Coleções mundialmente conhecidas, como a egípcia, a greco-romana, a pré-colombiana e a coleção amazônica, bastante requisitadas no Brasil e no exterior, poderão ser compartilhadas nessa forma.

''A circulação dos modelos, que muitas vezes são fragmentos de fósseis ou outras peças de valor científico, poderá viabilizar a reconstituição de objetos, animais e fatos históricos, numa ação importante para a descoberta e popularização desse conhecimento'', explica Lopes.

Inédita no Brasil, a ação também amplia o espectro de possibilidades de estudos nos meios acadêmicos, pois agrega novas possibilidades de investigação para os cientistas e já pode ser incorporada desde a elaboração dos projetos de pesquisa nas áreas envolvidas. A expectativa dos parceiros INT e Museu Nacional é que, com o desenvolvimento do projeto, a manipulação de imagens tridimensionais e réplicas seja incorporada aos programas de iniciação científica, mestrado e doutorado.



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