junho 25, 2009

Comissão do Condephaat vistoria o Lageado e aproxima fazenda do tombamento

Por Renato Fernandes

"O potencial que temos nessa fazenda é extraordinário”. Estas são as palavras que a Diretora do Centro de Estudos de Bens Isolados do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico do Estado de São Paulo (Condephaat), Ana Luiza Martins, usou para dimensionar as chances de tombamento histórico pelo Estado, da Fazenda Experimental Lageado.

A especialista chegou na tarde de ontem ao município, junto com uma comissão técnica do conselho, composta por Leonora Portela de Assis (Diretora do Grupo de Estudos de Tombamento do Condephaat), Ana Luiza Martins, Paulo del Negro (Arquiteto e urbanista, Técnico do Condephaat), Mirza Maria Baffi Pellicciotta (Historiadora; Coordenadora de Planejamento e Informação da Prefeitura Municipal de Campinas), Juliana Binotti Pereira Scariato (Presidente do Conselho do Patrimônio Histórico de Limeira -Condephali).

“Não podemos nos antecipar com datas. Todo o estudo de tombamento passa por processo longo, com vários pareceres, mas o potencial é extraordinário. A fazenda representa três fases históricas, a primeira fazenda, no século 19; a estação experimental, logo após a crise de 29, quando é passada ao Estado e finalmente com a vinda da Unesp. Encontramos tudo muito bem preservado em sua essência. É um terreno muito fértil para a preservação, e que também pede por isso”, coloca Ana Martins.

O grupo foi recepcionado pelo coordenador do Projeto de Revitalização de Uso da Área Histórica da Fazenda Lageado, José Eduardo Soares Candeias, e antes de seguir rumo aos bens com potencial para o tombamento se reuniu com o vice-diretor da FCA, José Matheus Yalenti Perosa. “Precisamos que normas e projetos sejam discutidos e implementados de forma coletiva. O tombamento que estamos esperando é um passo fundamental para que isso ocorra e que possibilite essas ações”, diz Perosa.

O primeiro roteiro desenvolvido pelos especialistas mostrou o percurso do café, da colheita à secagem nos terreiros. Processo que utilizava a força da água no transporte e seleção dos grãos. Como guia o grupo contou com as explicações do arquiteto Guilherme Michelin.

Para Del Negro, o tombamento contribuirá inclusive para preencher lacunas na compreensão das técnicas empregadas no período do café e seu beneficiamento, citando como exemplo o complexo sistema empregado entre a colheita e secagem dos grãos. “A expectativa é a melhor possível. há um desafio em se entender como funciona o sistema, mas acredito que o tombamento ajudará no trabalho, principalmente na tentativa de esclarecer dúvidas e no entendimento do sistema. O fato do processo já estar aberto é um indício do potencial que o Lageado apresenta. Do processo de agora para o tombamento, o andamento tende a ser mais ligeiro”, ressalta.

Slides da visita




População já considera o Lageado como tombado

No período em que atua como coordenador do Projeto de Revitalização de Uso da Área Histórica da Fazenda Lageado, José Eduardo Soares Candeias, explica que percebe, principalmente entre os visitantes do Museu do Café, um entendimento de que a Fazenda Lageado já é tombada.
“Percebemos essa consideração no dia-a-dia das pessoas que visitam o museu. Muitas delas chegam e perguntam se toda a área é tombada, devido à conservação em que se encontram os bens. Na verdade, a comunidade quer essa área ainda mais preservada e acaba imaginando que ela já está tombada, quando na realidade ainda estamos nesse processo”, disse.

Para o vice-diretor da FCA, José Matheus Yalenti Perosa, a consideração que os botucatuenses têm pela Fazenda Lageado criou um inconsciente coletivo, onde a conservação da propriedade se confunde com o seu tombamento. “O Lageado está no inconsciente coletivo da população. A Fazenda faz parte da história da cidade, e diz respeito a seus primeiros moradores. Nessa propriedade se instalou uma escola de ensino superior que já carrega um conceito de preservação desde o início. Respeitamos a população e abrimos as nossas portas para o uso da comunidade, que entende esse cuidado e colabora com isso. Nossos visitantes de finais de semana não sujam, e também não quebram o patrimônio. Esse conceito de que o Lageado já é um bem tombado está no inconsciente coletivo de todo o botucatuense”.

A Diretora do Centro de Estudos de Bens Isolados do Condephaat do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico do Estado de São Paulo (Condephaat), Ana Luiza Martins ressalta que essa consideração conta pontos para o tombamento oficial. “Isso contribui para a avaliação e representa uma apropriação social que legitima o bem. É um comportamento incorporado com a história local, e isso já é meio caminho andado para a consideração do patrimônio. Mostra que ele já está efetivamente apropriado, assumido e reconhecido pela população”.