junho 30, 2009

Conpatri: Botucatu firma compromisso com a história

Por Renato Fernandes

O processo de tombamento dos bens de interesse histórico de Botucatu será trabalhoso para o recém-instituído Conselho Municipal de Patrimônio Histórico, Cultural e Natural de Botucatu (Conpatri). Esse encontrará pela frente uma série de imóveis assinados por arquitetos de renome e outros cuja história é de fundamental importância para o Município.

Em entrevista ao Diário da Serra, o historiador e secretário Municipal da Descentralização e Participação Comunitária, João Carlos Figueiroa, elencou propriedades que merecem atenção prioritária.

Em sua análise ele coloca que a Cidade conta com três construções que levam o timbre do arquiteto Ramos de Azevedo (Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, Matadouro Municipal e o antigo Fórum); a Escola Cardoso de Almeida (Cardosinho) é uma obra do arquiteto Victor Dubrugas; Benedito Calixto de Jesus Neto, mesmo profissional que desenvolveu o projeto do Santuário de Aparecida do Norte também tem três obras (Igreja de São Benedito, Capela da Santíssima Trindade e Vila dos Meninos Sagrada Família); a Praça Rubião Júnior, foi desenhada pelo arquiteto Johan Ernst, que desenvolveu também o projeto do jardim do Museu do Ipiranga e do Palácio de Petrópolis. ”São obras de grife, com assinatura de profissionais reconhecidos internacionalmente”, coloca Figueiroa. Além desses imóveis, o historiador ressalta o prédio onde funciona a loja Sumirê, na Rua Amando de Barros (antiga Casa Amat), projetado pelo arquiteto botucatuense Osvaldo Bratke.

De natureza artística, o exemplo lembrado é o vitral que fica entre as torres da Catedral Metropolitana de Botucatu, primeira obra pública do artista Lorenz Johannes (1964).
Em entrevista ao jornal Diário da Serra, a diretora do Centro de Estudos de Bens Isolados, Ana Luíza Martins, explicou que apenas a formação do conselho não significa ação imediata nessas propriedades. ”A formação de Conselhos Municipais segue uma tendência, e estamos trabalhando há muito tempo para que isso aconteça. Não adianta um grupo isolado pensar no patrimônio e na preservação quando a política local é contrária a tudo isso”, disse.
Ela acrescenta que é necessária atenção ao Plano Diretor onde: “foi obrigatório definir áreas de interesse histórico, e de atuação dos conselhos municipais”.

A atitude do prefeito João Cury (PSDB), ao assinar o Projeto de Lei instituindo o Conpatri, mostra o interesse do Poder Público em contribuir com as ações do conselho. Agora cabe a análise do projeto junto à Câmara Municipal de Botucatu e as indicações de nomes que irão compor o grupo de conselheiros. “A cidade amadureceu muito e o Condephaat sentiu essa maturidade. Não existe uma busca desenfreada pelo tombamento. Acredito que o conselho que será criado agirá com calma e bom censo, integrando, descentralizando decisões e provocando a participação”, finaliza Figueiroa.

Uma das áreas descrita pelo Plano Diretor de Botucatu foi demolida no ano passado. Trata-se da residência do vilão Dioguinho, na Rua Amando de Barros. Já na Capela de Ana Rosa, a preservação está garantida. O imóvel apresenta uma placa destacando sua importância histórica e cultural da Cidade.

Plano Diretor

A seção do do Plano diretor de Botucatu, referente ao patrimônio Cultural tem a seguinte redação:
PATRIMÔNIO CULTURAL
184) R1: Criar um plano de conservação e recuperação de todos os edifícios com valor histórico ao redor da esplanada da catedral e centro histórico.
185) R5: Restaurar a área da ferrovia, instalando atividades culturais.
186) R19: Preservar Patrimônio Histórico combatendo depredação.
187) R21: Desapropriação da sede na fazenda Monte Alegre
188) Espaços arquitetônicos (Largo da Catedral, Morro de Rubião Junior), Prédios de Interesse Cultural (Caridade Portuguesa, Capela Ana Rosa, Estações Ferroviárias (Central, Anhumas, Vitoriana, Rubião Junior e Lageado), Fórum, Seminário São José, Capela da Santíssima Trindade, Grupo Cardoso, EECA, Colégio La Salle, Colégio Santa Marcelina, Santa Casa de Misericórdia, Igreja Matriz Coração de Jesus, Casa das Meninas, Praça Rubião Junior, Praça 15 de
Novembro, Prédios dos Correios Central, Igreja Presbiteriana (Preta), Cemitério Portal das Cruzes, Prédio da Cúria, Catedral, Igreja Santo Antônio de Rubião Junior, Casa do Dioguinho, Edifício da PRF 8, principalmente o auditório, Praça Emílio Peduti, Praça Coronel Moura, Antiga Residência de Vital Brasil (Ótica Roberto), Prédios Antigos da área central de Botucatu, outros; Parques Municipais; Recinto de Exposições; Centros Culturais; Grande Centro esportivo-cultural polivalente; Instalações particulares que merecem atenção (Centro cultural de Botucatu, Convívio cultural Francisco Marins, Museu do Tropeiro, Museu do Boiadeiro, outros).
189) identificação de zonas de interesse social e estímulo à recuperação e manutenção da fachada original(sc)
190) Tomar medidas para preservar patrimônio arquitetônico.
191) Estação Ferroviária – ligação Rubião Junior a Vitoriana; Casa do Conde de Serra Negra; Casa da Maria José Dupré; Capela Ana Rosa; Fórum; Rádio F8; Cine Nelli; Casa do Amat;
192) Investimento real na antiga estação ferroviária na transformação em espaço cultural/turístico para abrigar todas as feiras artesanais na cidade com estância turística (maior número de visitantes) (tema)
193) A urbanização do município com vistas à visitação turística; A revitalização do Centro
Comercial e da Estação Ferroviária.