junho 15, 2009

Projeto que visa maior segurança alimentar é aprovado pela Fapesp

Proposta apresentada por pesquisadores da Unesp e que tem como objetivo estabelecer uma metodologia oficial por meio dos isótopos estáveis ambientais (átomos que apresentam iguais propriedades químicas e diferentes propriedades físicas) com a finalidade de detectar a adição de alimentos não permitidos nas dietas dos animais, foi aprovada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O projeto, que terá início este ano e deverá se estender até 2013, foi contemplado com recursos da ordem de R$ 3 milhões.

A adição de fontes proteicas é proibida pela Comunidade Européia e países islâmicos, o que acarreta barreiras à importação de produtos brasileiros. O estudo pretende, com a implementação da rastreabilidade, desenvolver um programa de certificação em patamar competitivo ao mercado internacional e garantir aos consumidores do Brasil e do exterior maior segurança alimentar.

A pesquisa também tem como meta avaliar a técnica de isótopos estáveis ambientais dos biolementos Carbono, Hidrogênio, Nitrogênio e Oxigênio em fisiologia, nutrição e metabolismo animal, o que poderá possibilitar uma nova ferramenta para aprimorar a busca por informações e conceitos dentro da Zootecnia.

O trabalho contemplará análises de ovos, frangos, suínos e peixes. Participam do projeto, o Centro de Isótopos Estáveis (CIE), unidade auxiliar do Instituto de Biociências (IB) da Unesp, câmpus de Botucatu; a área de Zootecnia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), também do cãmpus de Botucatu; o Centro de Aquicultura da Unesp (Caunesp), localizado em Jaboticabal; o câmpus de Dracena; e a Agência Paulista de Tecnologia de Agronegócios (APTA). Atuam como colaboradores a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Ao todo serão desenvolvidos 21 subprojetos por 30 docentes. A coordenação das atividades é do professor Carlos Ducatti, supervisor do CIE, laboratório que funcionará como central analítica.

“Com esse estudo, teremos um grande avanço no setor de Zootecnia e maior projeção dessa área no mercado”, avalia Ducatti.

No Brasil, 15 instituições desenvolvem trabalhos com isótopos estáveis, porém aplicados, principalmente, à Geoquímica, Hidrologia e Agronomia. A Unesp é a única universidade do País que utiliza essa metodologia em Zootecnia.

Projeto em andamento

O CIE teve, recentemente, outro estudo aprovado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na área de alimentos e bebidas e que é realizado em parceria com o Departamento de Gestão e Tecnologia Agroindustrial da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) e o Departamento de Nutrição e Melhoramento Animal da FMVZ.

O projeto foi selecionado por meio do Edital CNPq/MAPA/SDA nº 064/2008 e que consistiu na escolha de propostas de atividades que ampliem a competência científica, tecnológica e de gestão, visando contribuir, de forma significativa, para ações de defesa agropecuária do País nas áreas de saúde animal, sanidade vegetal e qualidade de produtos dessas origens e de insumos agropecuários. O financiamento ao projeto da Unesp é de cerca de R$ 600 mil.

Pesquisas que utilizam a metodologia dos isótopos estáveis têm mostrado que é possível identificar e quantificar o controle da qualidade de méis, sucos de laranja e maçã, de maneira mais eficaz que as técnicas convencionais. Esse método também tem conseguido detectar adição de farinha de carne, ossos e vísceras na ração e detectá-las nos produtos finais como peito, coxa, sobrecoxa e asa de frango de corte, na carne de codorna e peru, e também no ovo, albúmen e gema.

O CIE já é credenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) como laboratório oficial para análises que visam identificar fraudes em vinagres e vinhos.

Assessoria de Comunicação e Imprensa do Instituto de Biociências