julho 25, 2009

Dia do escritor: a trajetória de Francisco Marins

Por Renato Fernandes

oje, dia 25, é comemorado em todo o Brasil, o Dia do Escritor, data proclamada por decreto governamental em 1960, após o sucesso do I Festival do Escritor Brasileiro, organizado naquele ano pela União Brasileira de Escritores, por iniciativa de seu presidente, João Peregrino Júnior, e de seu vice-presidente, Jorge Amado.

Em Botucatu, uma das referências da literatura é o escritor Francisco Marins, primeiro botucatuense a pertencer à Academia Paulista de Letras, a maior instituição cultural de São Paulo. Entidade que admite apenas 40 membros titulares, com permanência vitalícia.

Atualmente ele é o segundo decano da Academia, depois do poeta Paulo Bomfim, e tem o título de Presidente Emérito, por ter dirigido a entidade por dois períodos.

A Academia teve presença fundamental em Portugal e na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, nos estudos realizados para a atual Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa. O escritor, foi um dos representantes da Academia nessas discussões.

“É um avanço notável adotar-se uma só ortografia para a língua portuguesa. Evidentemente os portugueses querem respeitar e continuar com algumas pronúncias antigas: facto, acto, António, anarchia, escriptos: mas isto não perturbará a adoção, por milhões de outros usuários da língua, de nova ortografia sem as pharmacias, phonemas e outras palavras com consoantes dobradas e expressões já arcaicas. Somente com esta reforma o idioma português tomou-se língua oficial na ONU e, certamente será vitoriosa em todo universo, com uma só grafia”, defende.

Marins responde pelo projeto Taquara-Póca, estruturado no município de Pratânia, cidade onde onde passou sua infância em contato com a natureza e a vida rural, no período em que o município ainda era Distrito de Botucatu. A ideia do projeto é reunir em um ambiente, tipo “pica-pau amarelo” de Lobato, cenas por ele descritas na série Taquara-póca.

O projeto recebe a visita de estudantes, professores e interessados na cultura paulista e nasceu das páginas dos livros: Nas Terras do Rei Café, Os Segredos de Taquara-Póca, A Praga dos Gafanhotos e O Coleira Preta.

Também é mérito do escritor ser o primeiro divulgador do mito do Curupira, figura do folclore, colhida pelo sertanista Couto de Magalhães entre os índios do Araguaia.

Em Botucatu, Marins criou o Espaço Cultural Convivium, com biblioteca e auditório para conferências culturais, e que também é sede do Grupo Convivência, que reúne senhoras da terceira idade sob a direção de Elvira Bandeira de Mello Marins, esposa do escritor.

No Vale do Sol ele colocou em funcionamento a biblioteca e arquivo “Tempo e Memória”, com biblioteca de 30 mil livros e cerca de 6.000 documentos sobre a região de Botucatu. História que escreveu em forma de romance nos livros “Clarão na Serra”, “Grotão do Café Amarelo”, “A Porteira Bateu”, “Atalhos sem Fim” e o “Curandeiro dos Olhos em Gaze”. Obras que formam a série “O Homem e a Terra”.

O primeiro deles, está em processo de adaptação para um longa metragem. O Autor revela que se sente feliz nesta data comemorativa e ressalta que a Academia Paulista fará uma comemoração específica por ele ter revisto, quase todas, edições. “Clarão na Serra”, vai aparecer em sua 13ª tiragem, com alterações, capazes de agradar, também, ao público televisivo e do cinema.

Para ele, as obras literárias sobreviverão à internet, como leitura atrativa e instrumento cultural. “O livro sobreviveu ao rádio e ao cinema. Os autores de centenas de anos ainda são e serão lidos com prazer, pois quem ama o livro em folhas de papel escritas, jamais deixará de apreciá-Io”, diz. “Por último, apelo aos pais, bibliotecários, professores, para que estimulem o hábito de ler, desde os verdes anos e a formação de bibliotecas em todos os lares. Ao lado dos vídeos games, também os livros, como companheiros inseparáveis que muito ajudarão em seu futuro”, concluiu.