julho 21, 2009

Hospital das Clínicas de Botucatu realiza reunião para discutir a Gripe Suína (Influenza - H1N1)

O Hospital das Clínicas (HC), vinculado à Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (FMB), promoveu na terça-feira, 21 de julho, para sua comunidade interna e representantes da Prefeitura Municipal de Botucatu, a terceira reunião para discutir a atual situação da disseminação do vírus Influenza A "Suína". Em relação à pandemia da chamada "gripe suína", o médico infectologista e docente do Departamento de Doenças Tropicais e Diagnóstico por Imagem da FMB, Carlos Magno Fortaleza falou sobre a transição do estágio de contenção da doença para a situação de transmissão sustentada que o mundo vive atualmente.

Fortaleza deixou claro que os motivos para se preocupar se justificam pelo fato de o vírus Influenza Suína ser mais grave que o Influenza Sazonal, ou seja, a gripe comum. Sobre as afirmações de que a nova gripe tem a mesma letalidade do vírus convencional, o especialista explicou que o Influenza "Suína" tem letalidade de 0,4% em todos os grupos populacionais, enquanto o Sazonal tem também 0,4%, mas apenas nos grupos de risco, como os idosos com mais de 65 anos.

A principal preocupação das organizações de saúde, no momento, de acordo com o infectologista, é identificar os pacientes contaminados pela Influenza "Suína" e tratá-los. "O vírus circula livremente e já não dá mais para identificar todos os casos. O objetivo agora não é mais conter a doença, mas evitar as mortes. Temos que manter a vigilância não mais nos casos suspeitos, mas sim nas Doenças Respiratórias Graves", alertou. Em 500 casos de pessoas contaminadas pelo Influenza "Suína", dois vão a óbito. Segundo o médico, os sintomas que principalmente diferenciam a gripe comum da "Suína" é que a segunda ocasiona mais vômito e diarreia.

Pela avaliação de Fortaleza, ainda não é possível afirmar que o vírus Influenza "Suína" circula por Botucatu, mas também não descarta que isso venha a acontecer. Ele pontuou ainda algumas mudanças significativas ocorridas desde o início da pandemia.

- Atualmente, perdeu-se o vínculo epidemiológico, ou seja, não são mais consideradas pessoas em risco aquelas que viajaram para o exterior ou tiveram contato com aqueles que estiveram em locais onde a transmissão era sustentada e apresentem sintomas da "gripe suína"
- Diferenciar os vírus Sazonal e "Suína" tornou-se impossível
- Laboratórios de Referência não conseguem dar conta da demanda de exames


Grupos de Risco

- Gestantes
- Menores de dois anos
- Obesos mórbidos
- Soropositivos para HIV
- Pessoas com doenças pneumológicas
- Idosos

Medidas populacionais

- Orientar pessoas com Influenza a ficar em casa
- Difundir a "etiqueta da tosse" (sempre que tossir a pessoa com sintomas de gripe deve cobrir a boca com a mão - e lavá-la imediatamente - ou, preferencialmente, com um lenço)
- Lavar as mãos constantemente

O especialista ainda frisou a necessidade de os casos de pessoas com sintomas leves do Influenza Sazonal serem atendidos no nível primário (postos de saúde, ambulatórios e PSFs (Programa Saúde da Família)). A elaboração de um protocolo detalhado sobre os procedimentos de atendimento para pacientes com sintomas do Influenza "Suína" no Prontossocorro do HC deve ser concluída nos próximos dias.

Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp/Faculdade de Medicina/Botucatu e Hospital das Clínicas