julho 20, 2009

Toninho Ferraguti fala sobre trabalho, Trio 202 e obra em entrevista

Por Renato Fernandes

Aproveitando a passagem do “Trio 202” no Festival de Inverno de Botucatu, a reportagem do blog O Grito Notícias aproveitou para entrevistar o músico Toninho Ferraguti.

Personalidade da música instrumental, Ferraguti é acordeonista e compositor. Natural da cidade de Socorro, interior do Estado de São Paulo, onde iniciou seus estudos musicais com o pai Pedro Ferraguti, saxofonista e compositor.

Da casa dos pais para as rodas de choro, grupos de baile, grupos de música gaúcha, gafieiras, conservatório e aulas particulares de harmonia e acordeom, foi um processo rápido.

A relação do músico com a Cidade surgiu em 1979, quando foi aprovado no vestibular de Veterinária da Unesp. Abandonou o curso no último ano, ao perceber que seu futuro estaria, mesmo, relacionado com a criação musical.

Com a decisão, Ferraguti mudou-se para São Paulo. Começou carreira profissional tocando em programas de televisão e participando de gravações de discos e trilhas para cinema e novelas.
O talento fez com que o profissional recebesse convites para atuar em shows e CDs de boa parte dos artistas nacionais, como: Mônica Salmaso, Antônio Nóbrega, Elba Ramalho, Chico César, Lenine, Elza Soares, Grupo Corpo, Marisa Monte, Mário Adnet e Proveta, entre outros.

Ferraguti também marca presença em grupos de música instrumental, com participações como solista da Orquestras Jazz Sinfônica de São Paulo, sob a regência de Ciro Pereira, Nélson Ayres, da Orquestra Petrobras Pró-musica, sob a Regência de Wagner Tiso e Isaac Karabichevsky e também na orquestra da maestrina e compositora americana Maria Schneider.



O Grito – Fale um pouco do seu relacionamento com Botucatu.
Ferraguti – Fiz três anos de Veterinária em Botucatu. Deixei a universidade para me profissionalizar como músico. Foi morando aqui, que comecei a participar dos circuitos musicais e foi nesse período que ficou claro que meu negócio era a música.

Eu tocava nas ‘pingadas’, no centro Acadêmico Pirajá da Silva e nos restaurantes. Aos finais de semana passei a percorrer a região, ia sempre a Bauru e Jaú, vez ou outra seguia para São Paulo para estudar. Foi então que começou os festivais de Jazz, na capital, e meu sonho ficou mais claro. Meu negócio era mesmo a música.

O Grito – Como está o cenário da música instrulmental na atualidade?

Ferraguti - O trio 202 é instrumental o trabalho de nós três segue por essa vertente, com possibilidades também à atuação autoral, na composição. Mas, os integrantes do trio mantêm outras atividades, todas relacionadas à música, o Nelson(Ayres) faz produção, é maestro e também arranjador o Ullises (rocha) também é produtor. Infelizmente, não dá para se viver apenas do trabalho autoral e artístico.

É fundamental desenvolver várias atividades. No meu caso, também trabalho com outros artistas, faço meus shows e participo de gravações de Cds. É um pacote completo.
O cenário da música instrumental é bom, mas lógico que ainda apresenta dificuldades, como a ausência de um circuito sólido. Posso dizer que atualmente o estilo está menos pior, graças à internet que facilitou a divulgação.

O Grito – Então, para você a internet é uma parceira?
Ferraguti – A internet ajuda maravilhosamente. Eu apóio a distribuição de música pela rede. Só tem me ajudado, principalmente na divulgação. Mas, é lógico que também deve atrapalhar. Acredito que até certo ponto ponto ela só tem a contribuir.
A internet ajuda maravilhosamente. Eu apóio a distribuição de música pela rede

O Grito – O Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), é um órgão que funciona? Qual a sua opinião?
Ferraguti – Um órgão que arrecade e distribua os direitos autorais é algo necessário. Claro que nesse processo é preciso, cada vez mais transparência. Acredito também que atualmente o órgão está sofrendo mais pressão que antes, mas não saberia dizer como vem atuando o Ecad. Não tenho músicas com sucesso a ponto de duvidar da arrecadação. O que eu faço e as poucas vezes que minha música tocou os valores referentes à arrecadação foi depositado.


O Grito – Como é administrar a agenda diante de tantas atividades paralelas?
Ferraguti – Tem fase complicadas e outras tranquilas, mas é um prazer muito grande. Lógico que é necessário estar atento para não acavalar a agenda, mas é necessário fazer várias coisas, e garanto que ao integrantes do trio dividem a mesma opinião e gostamos dessa atuação em várias áreas da músca.
Fiz três anos de Veterinária em Botucatu. Deixei o curso para me tornar músico

O Grito – Como surgiu o Trio 202?
Ferraguti - Nasceu no ano passado, após um convite da casa de jazz de Nova Iorque chamada Jazz Standart e para essa apresentação decidimos nos reunir. Como íamos mesmo fazer o show, decidimos registrar o momento em um CD, que finalizamos na casa Tom Jazz em São Paulo.

DS – Quais seus planos para o futuro?
Ferraguti – compor cada vez mais. Eu gosto e é um exercício diário que toma tempo. Gosto muito de estar com outros artista, acabei de encerrar uma turnê com o Gilberto Gil, nesse São João; também retornei há pouco tempo da Alemanha, onde participei de uma série de shows da cantora que chama Celina Gundolf; tenho também plano com o quinteto de cordas no CD “Nem Sol Nem Luz” e em agosto tenho uma participação na Osesp – Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, nas comemorações do ano da França no Brasil. Além disso tem muita coisa que não dá para planejar, como o trabalho diário de estudo.

Trio 202 toca helicóptero no Festival de Inverno de Botucatu