julho 28, 2009

Projeto obriga hotéis a informar hóspedes sobre qualidade da água

A Câmara analisa o Projeto de Lei 5137/09, do deputado Milton Monti (PR-SP), que estabelece que todos os hotéis, pousadas, pensões e outros estabelecimentos destinados à hospedagem de pessoas devem afixar, em local visível de cada apartamento, quarto ou dependência similar, informações sobre a qualidade da água ali encontrada.

Entre essas informações devem constar: a origem da água (de rede pública de abastecimento, ou poço, ou outro manancial próprio ou em condomínio); se a água é potável ou imprópria para bebida; laudo de análises laboratoriais da qualidade da água, abrangendo, pelo menos, os parâmetros de turbidez, cor, bacteriológico (coliformes totais e fecais), PH, alcalinidade e condutividade.

Outras informações consideradas obrigatórias são a data da última lavagem e desinfecção dos reservatórios de água do estabelecimento; e se é utilizada água reciclada (reuso) ou de chuva para descarga de instalações sanitárias, lavagem de pisos e irrigação de jardins.

Análises periódicas
A proposta estabelece que essas análises deverão ser realizadas pelo menos a cada três meses por laboratório certificado por órgão federal, estadual ou municipal competente.

Essa relatório deve comparar os valores encontrados com os padrões e trazer, de acordo com o resultado, os dizeres "água potável, própria para bebida" ou "água não potável, imprópria para bebida".

A obrigação de lavar-se os reservatórios desses estabelecimentos no mínimo a cada seis meses também está prevista no projeto.

Consumidor perde
O autor justifica que os hóspedes no Brasil não contam com nenhuma dessas informações e, na dúvida, são compelidos a comprar água mineral, em geral disponível em um frigobar.

Segundo Monti, essa situação é sempre desfavorável ao consumidor, que se vê diante de duas alternativas: ou forçado a comprar um produto, que não precisaria comprar se o hóspede tivesse as informações adequadas, ou pondo sua saúde em risco se ingerir a água, que pode não ser potável e até conter micro-organismos patogênicos e ser um fator de disseminação de doenças.

"Os riscos, nesse caso, ultrapassam a saúde do hóspede, podendo afetar toda a sociedade, pois os viajantes são os grandes disseminadores de epidemias", afirma.

Padrões definidos
Ele lembra que os padrões de potabilidade da água destinada ao consumo humano já foram fixados pela Portaria 518/04, do Ministério da Saúde. "Já existem, em nosso sistema normativo, portanto, orientações para a realização do controle de qualidade da água das instalações sanitárias de hotéis e similares. Basta que seus proprietários se obriguem a colocá-las em prática", acrescenta.

Quanto à especificação - se é utilizada água de reuso ou de chuvas para operações como descarga de vasos sanitários -, ele aponta que pode prevenir incidentes, além de funcionar como demonstrativo de que aquele estabelecimento se preocupa com o uso sustentável da água.

Da Agência Câmara