agosto 24, 2009

1º Encontro de Pesquisa da FMB discute os rumos da produção do conhecimento na instituição

Durante dois dias e uma noite, grande parte dos pesquisadores, médicos e docentes, além de alunos de graduação e pós-graduação da Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (FMB) estiveram reunidos no Hotel Fonte Colina Verde, em São Pedro, para discutir, pela primeira vez os rumos da pesquisa na instituição. O 1º Encontro de Pesquisa da FMB, que reuniu mais de 200 participantes, contou com a presença de especialistas no assunto representantes de organizações como Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), USP (Universidade de São Paulo), Hospital Sírio Libanês, INCOR (Instituto do Coração do HC/USP) entre outros.

No primeiro dia do encontro foram realizadas quatro mesas redondas que abordaram os temas: a contextualização da pesquisa na universidade brasileira; pesquisa experimental e clínica e pesquisa clínica em saúde – métodos qualitativos. Em seguida, foram promovidas oficinas de trabalho para discutir a missão e visão sobre os mesmos temas, na FMB. Ao final, foi elaborado um relatório para posterior apreciação da Congregação.

A abertura do evento, realizada na sexta-feira, 21 de agosto, contou com a presença do vice-reitor da Unesp, professor Júlio César Durigan e das pró-reitoras de Pesquisa e Pós-Graduação, professora Dra. Maria José Soares Mendes Giannini e professora Dra. Marilza Vieira Cunha Rudge, respectivamente. O diretor da FMB, professor Sérgio Swain Müller, abriu os trabalhos destacando que o 1º Encontro de Pesquisa se desenha como uma das ações da faculdade para aumentar a qualidade e quantidade de pesquisas. “Embora haja ilhas de excelência na instituição, a produção da Unesp não é boa e nós também podemos melhorar”, colocou.

Müller ressaltou que já foram desencadeadas algumas ações em prol da pesquisa ao longo dos últimos anos e, entre elas, uma das mais importantes foi a implantação da Comissão de Pesquisa, que atualmente é chefiada pela professora Célia Regina Nogueira e criação do GAP (Grupo de Apoio à Pesquisa). “A comissão de pesquisa começou sem ter muita clareza nas ações, mas nos últimos dois anos, com a professora Célia, teve uma atuação mais decisiva”, destacou. “Para gastar os recursos que temos, é preciso uma política de pesquisa, que precisa ser feita pelo corpo docente, médicos, enfermeiros e pesquisadores”, frisou.

Professora Maria José Giannini, pró-reitora de Pesquisa, avaliou que o encontro é fruto do amadurecimento da Unesp. Ela enfatizou que gostaria de ver uma comissão de pesquisa como a da FMB, promovendo eventos semelhantes, em todas as unidades. “Nossa produtividade nacional e internacional está aquém do esperado, embora nos últimos três anos tenhamos publicado mais de 45% da produção internacional. Mas é de futuro que falamos nesse evento. A FMB é uma das melhores instituições de ensino médico do Brasil e com certeza será também na pesquisa. Espero que esse evento sirva para descobrirmos a importância de pesquisas conjuntas (clínica e experimental) e interdisciplinares”, colocou.

A pró-reitora de Pós-Graduação, professora Marilza Vieira Cunha Rudge, classificou as discussões sobre os rumos da pesquisa na instituição como um marco para a FMB. “Falo isso como professora desta faculdade. Temos que descobrir qual é nossa vocação, avaliar os avanços, retrocessos e como transformar nossa assistência em pesquisa”, mencionou. “Mas o que me incomoda realmente é que mais de 92% dos docentes são doutores ou mais e estão aptos a serem orientadores de pós-graduação, mas muitos não fazem isso. Inseri-los é uma necessidade e um desafio da FMB”, continua.

Professora Célia Regina Nogueira lembrou que o encontro nasceu da necessidade de se definir uma política de pesquisa na Faculdade de Medicina. Ela pontuou alguns avanços que considera importantes, como a obtenção de recursos via Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) para o início da construção de prédios para as pesquisas clínica, experimental e um terceiro para a experimentação em animais.

“Nosso espaço tecnológico está constantemente sendo renovado. Nossa infra-estrutura se adequa para dar condições de trabalho aos pesquisadores. Então surgiram algumas perguntas: como atingir a excelência em relação ao número de pesquisadores, captação de recursos e publicação em revistas de alto impacto? Como proporcionar a interação entre os pesquisadores e garantir que todos conheçam o parque tecnológico da FMB? Como proporcionar a interação entre os pesquisadores locais e os de outras unidades de ensino e pesquisa nacionais e internacionais. Foi assim que pensamos no programa deste encontro”, esclareceu, salientando como fundamental o apoio dado pelo GTDRH (Grupo Técnico de Desenvolvimento de Recursos Humanos) tanto na elaboração das oficinas como na coordenação geral do evento.

O vice-reitor da Unesp, professor Júlio César Durigan, que representou o reitor, professor Herman Jacobus Cornelis Voorwald, elogiou o fato de haver a intenção de se criar um plano institucional na área da pesquisa. “Os resultados vêm quando trabalhamos com menos improvisação e mais planejamento. Esse evento vem ao encontro da valorização de nossa universidade e sua atividade fim”.

“A pesquisa é o diferencial entre uma escola de repasses e um centro formador. É o diferencial entre a superficialidade do conhecer e a profundidade do saber, entre uma universidade que procura ajudar o país e outra que prefere apenas auferir cursos”. “Eventos como este permitem que fujamos um pouco do imenso aparato burocrático em que a universidade está envolvida para mergulharmos em temas de real interesse acadêmico”, ressaltou professor Durigan.

Também estiveram presentes na abertura do evento a vice-diretora da Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (FMB), professora Silvana Artioli Schellini, uma das idealizadoras do 1º Encontro de Pesquisa; a vice-superintendente do Hospital das Clínicas (HC), vinculado à FMB, professora Irma de Godoy; o diretor clínico do HC, Dr. André Luis Balbi e o professor José Goldberg, que representou o presidente da Famesp (Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar), professor Pasqual Barretti. Houve apoio, além das Pró-Reitorias de Pesquisa e Pós-Graduação, HC, Famesp e GAP; da Fundunesp (Fundação para o Desenvolvimento da Unesp).