setembro 02, 2009

Artesãs de Marajó mostram fibra do tururi em Paris

“O tururi já está internacionalmente conhecido!”, comemora a diretora de vendas da Cooperativa das Artesãs Flor do Marajó, Ângela Cristina de Almeida Paes. O motivo de tanto orgulho é que as bolsas e bijuterias fabricadas a partir da fibra do tururi (fruto da palmeira ubuçu) serão expostas pela primeira vez em Paris.

O resultado do trabalho dos 24 artesãos que compõem a Cooperativa sediada em Manuá, na Ilha do Marajó (PA), estará exposto na Semana de Prêt-à-Porter, um dos mais importantes eventos mundiais de moda que se realiza de 1º até dia 8, na capital francesa. A participação no evento é resultado do trabalho desenvolvido há 15 anos e que, a partir do Programa Talentos do Brasil, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), ganhou notoriedade nacional.

Foi longo o caminho percorrido até levar para o exterior o resultado do trabalho feito a partir desta fibra que é farta na Ilha do Marajó. Há 15 anos, a recém-criada cooperativa, então associação, começou com apenas três pessoas.

A primeira oportunidade de expor no próprio município de Muaná surgiu em 1997, durante a Feira do Festival do Camarão. Antes de chegar a Paris, o trabalho das artesãs foi divulgado na primeira edição da Feira da Agricultura Familiar, realizada em Brasília em 2004. Naquela oportunidade, o estilista Renato Ambroisi conheceu de perto o trabalho das artesãs de Muaná. “Aí começou esse trabalho do MDA com a gente e mudou muita coisa, mudou bastante mesmo, a produção aumentou e também porque a gente tem que fazer um produto com mais qualidade”, avalia Ângela.

As bolsas, colares, pulseiras e brincos produzidos com a fibra do tururi se valorizaram com a inclusão de detalhes em couro, sugestão de outros estilistas renomados, como Renato Loureiro e Jum Nakao. Depois disso, o trabalho passou a ser exposto também em feiras do Rio de Janeiro e São Paulo. “Assim, a gente aumentou bastante a produção, que ficou ótima, e tivemos que aumentar o número de pessoas. Antigamente eram três, depois passou para oito, depois estava em 12, agora já está em 24 pessoas”, comemora a diretora de vendas.

Mas, para Ângela Paes, tão importante quanto o reconhecimento internacional é a valorização do trabalho da mão-de-obra local. “Já estamos pensando nisso que a gente está intitulando como revolução, porque a gente pensa assim: depois dessa feira, vão aumentar muito mesmo (as vendas), até o produto vai valorizar mais ainda porque aqui, no nosso município, nem os nossos munícipes valorizam. Por isso que a gente está trabalhando desse jeito, pra provar para a sociedade toda que nós temos como mudar a condição de trabalho aqui no nosso município”, destaca a artesã.