outubro 26, 2009

MC Piru autor do Rap da Dise, pretende lançar novo álbum

Por Renato Fernandes

O músico Luciano Lelys, também conhecido como MC Piru,  ganhou notoriedade em Botucatu após a divulgação da música “Rap da Dise”, onde trata da explosão da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes  (DISE), de Botucatu, em novembro de 2008.

Lelys procurou o Diário da Serra, na tarde de sexta-feira para falar de seu novo CD, intitulado “Mc Peru - Em busca da Paz”. Segundo ele, as faixas não fazem apologia ao crime, entretanto, retratam a dura vida da favela e a marginalidade.
Como carro chefe ele trabalha a canção Mensagem do Além, onde um jovem que vivia na marginalidade é morto e retorna para falar com sua mãe. O álbum deverá ser lançado em breve com tiragem de mil exemplares.

Em entrevista ao Diário, Lelys diz não se arrepender de ter lançado o Rap da Dise. “Luto pela Liberdade de Expressão”.

Confira os principais trechos da entrevista:



Música
Estudei dois anos no Conservatório Dramático e Musical de Tatuí. Não cheguei a terminar.

Rap Polêmico
Moro na Cohab 4 (Jardim Bandeirantes) e conheço muita gente, inclusive o pessoal da malandragem. Quando aconteceu à explosão da delegacia fiquei interessado e acabei fazendo uma música sobre o tema. Acontece que a canção não era para ter tido toda essa repercussão, mas ela acabou ocorrendo.

Apologia
Não acho que a letra faz apologia. Escuta quem quer, é uma inspiração do cotidiano. As coisas acontecem em bairros com conhecido meus. Recentemente perdi um amigo e acabamos juntando os temas e, como todo compositor e cantor de rap, me inspiro nisso. Têm aqueles que  se inspiram na perda de um amor e eu em coisas da minha vida.
Meu primeiro CD tinha 12 músicas, inclusive essa, mas não pode circular. Apesar disso ele é passado nas mãos de piratas pela cidade, circula nas mãos de malandro.

Youtube
Não era para ter entrado no Youtube. Foi um furo, tratei de um assunto que teve repercussão. Emprestei o Cd para um amigo e ele emprestou a outro e quando percebi, estava na internet e na boca do povo. Fui para outras cidades e ouvi a música sendo tocada. A canção fez sucesso, o que não deixa de ser gratificante, mas estou respondendo processo e não ganhei nada com ela.

O Crime
Não sou do crime. Faço música, mas gosto de calça e camisas largas e boné, isso gera preconceito e sempre sou parado nas ruas pelos policiais, mesmo sem fazer nada acabo sendo esculachado.

Medo
O pessoal me conhece. Poucos policiais me relacionam com a música. Ando livremente, mas sempre com um pé atrás, Não saio sozinho à noite, em shows sempre estou acompanhado de segurança.  Na verdade não preciso ter cuidado só com a polícia, mas também, com o que chamo de ‘coisa’.

Eles batem de frente com a nossa ideologia. Vamos supor, não sou do crime, mas defendo o lado de certa facção, mas existem outras, e tenho que tomar muito cuidado. Não pertenço e não tenho vínculo com nenhuma delas, mas tenho amizades e converso normalmente, são seres humanos e eles tem os seus papéis.

Respeito
Ando em qualquer quebrada, qualquer problema que me acontece tenho como resolver. São pessoas normais, podemos sentar e tomar uma cerveja juntos, mas o trabalho deles é outra coisa, e não participo.  Quando fazem um trabalho e eu fico sabendo e pedem para fazer uma música eu não faço, mas se eu ficar sabendo e achar que vale a pena daí eu faço. Com a música da Dise aconteceu isso, fiquei sabendo do tema, peguei a reportagem da Globo e fiz em casa com a minha aparelhagem.

Família e amizades
Quando a polícia me pegou, por causa da música, minha mãe foi meu chão. Ela que chamou advogado e me ajudou bastante. Não ficaram tão surpresos, já sabiam das minhas companhias.  No bairro que moro não tem como não ter amizade com bandido e traficante, se você não os conhece você não tem o respeito. Roubam a sua casa e você passa a ser encarado como pilantra.

Não tenho amizade com policial e nem quero ter. Quando me levaram para delegacia o Dr. Celso Olindo, não me maltratou em momento nenhum, compreendeu minhas razões e depoimentos. Ele não me esculachou, bateu ou me xingou. Fez o trabalho dele e é o juiz que vai decidir. O que ele falar eu vou acatar. Se pegar cadeia vou escrever música sobre a cadeia e, quando sair, terei um monte de letras.

Antes e depois
Eu não era conhecido, ninguém me respeitava, não saía, não me divertia e não tinha uma vida tão intensa como hoje. Na época, eu tocava forró com os músicos de Botucatu. A música (rap da Dise)  deu um upgrade na minha carreira. Na rua eu escutava o pessoal de carro escutando, as rodinhas de malandro escutavam e elogiavam. Cheguei a escutar que havia ficado rico de tanto que a canção estava tocando, mas não é bem assim não.


Novo trabalho
Agora quero divulgar meu CD da mesma forma. Quando estourou a música da Dise fizeram reportagem e chegou a passar na televisão, foi que divulgou a canção. Agora estou lançando um novo CD, que também não faz apologia. Sei que a mídia é o melhor caminho para quem é pobre e não tem empresário, se fizer sucesso beleza e tudo bem, mas se não fizer, tudo bem também.

 Confira a nova música de Mc Piru



O Polêmico Rap da Dise


(O blog de notícias O Grito não concorda com as opiniões expressas no vídeo acima, e não faz julgamentos a respeito de seu conteúdo. A divulgação é única e exclusivamente ilustrativa, com o objetivo de situar o leitor sobre o teor de temas abordados na entrevista)