outubro 29, 2009

Monólogo "Hamlet", em cartaz no Teatro Municipal

Por Renato Fernandes

A adaptação do clássico “Hamlet”, de Willian Shakespeare, será apresentada hoje e amanhã, em sessões às 20h30, no Teatro Municipal Camillo Fernandez Dinucci.

A nova roupagem converteu o drama em um monólogo, e o que antes era contado com mais de 30 atores, sendo 8 principais, será interpretado apenas pelo ator e diretor Marco Pinheiro, fundador do grupo. “O monólogo tem muitas cenas onde o ator fala apenas com a plateia e isso acaba dando margem a esse tipo de adaptação.


A ideia de trabalhar dessa forma surgiu pela mistificação que se formou em cima deste clássico, afastando a interpretação e a encenação. Muita gente não conhece a história, mas reconhece seus elementos e algumas passagens, como as frases ‘há algo de podre no reino da Dinamarca’ e ‘ser ou não ser, eis a questão’”, explica Pinheiro.

Segundo ele, adaptações ousadas do espetáculo são comuns. “É importante lembrar que esse é um dos espetáculos mais encenados do mundo. Já fizeram monólogos e adaptações diversas. O próprio personagem não tem uma característica específica, já houve Hamlets, careca, cabeludo, negro, entre outros tipos físicos”, ressalta.

A idéia da montagem surgiu em 2001, quando o grupo encenou o espetáculo “O Avarento”, de Moliére. “A peça tinha 10 personagens e conseguimos contar a história com dois atores, em cinco cenas . Agora, o desafio é trabalhar com um ator, em nove cenas. O texto original possui 5 atos, sendo dividido em 45 cenas”, coloca.

No mesmo ano, o grupo realizou uma série de leituras dramáticas, chegando a elencar as cenas que poderiam contar toda a história sem descaracterizar o texto original. “As cenas foram montadas na íntegra, mas como monólogo, passaram por pequenas adaptações, caso contrário comprometeríamos a compreensão”.

Garantir a compreensão do texto e aproximar o espectador com as nuances da história é o maior desafio da produção, segundo o ator. “É complicado porque, por exemplo, personagens importantes como Ofélia, Horácio, Laerte, Rei Cláudio, o fantasma  e a Rainha Gertrudes, não aparecem em cena mas são representados. Existem os diálogos, mas não as réplicas”.

Essa forma de interpretar aumenta a sensação de solidão em torno de Hamlet. “É a solidão de Hamlet, e a de nossas vidas. No final das contas podemos constituir família, ter amigos e colegas, mas sempre estaremos sozinhos, nas decisões e nos momentos mais significativos e essa é um das reflexões deste texto. É um personagem que passa por várias situações e que tem tudo para agir, mas o que acontece com ele é a inação, não age, apesar de ter tudo a favor”.

O Espetáculo - O filho do rei morto da Dinamarca percebe, a partir do espectro do pai, que ‘há algo de podre no reino’. Seu tio, suposto assassino, desposa a rainha e o diletante príncipe passa a ter todas as razões do mundo para vingar-se. Para tanto se finge de louco e melancolicamente tenta decifrar a verdade.

• Quando - Dias 29 e 30.
• Local - Teatro Municipal Camillo Fernandez Dinucci.
• Ingressos - R$ 20 (inteira); R$ 10 (meia). Casal que apresentar o bônus para apenas R$ 10, pela entrada de ambos.
• Informações na bilheteria do teatro, na Praça Coronel Moura, nº 27, ou pelo telefone: (14) 3882 - 9004.