outubro 23, 2009

Semana do Livro e da biblioteca trabalha para a formação de leitores

Por Renato Fernandes

A programação da “Semana do Livro e da Biblioteca de Botucatu”, realizada entre os dias 19 e 30 de outubro, chega ao meio de suas atividades e, de acordo com a  diretora da biblioteca da Unesp Câmpus de Rubião Júnior, Enilze de Souza Nogueira Volpato, ações como contribuem diretamente para a formação de novos leitores.

“Segundo estatísticas da pesquisa ‘Retratos da Leitura no Brasil’, desenvolvida em 2001, o brasileiro lê em média 1,8 livros por ano. A partir desta data, uma série de ações passaram a ser realizadas para incentivar a formação de leitores. A mesma pesquisa,  em 2008, constatou que esses dados subiram para 3,4 livros por pessoa. Tivemos um aumento, mas o índice brasileiro ainda é baixo perto de outras nações. Os Estados Unidos, por exemplo, tem  média de 6 livros ao ano; na Inglaterra são 7 e na França 27”, explica.

A melhor maneira para garantir um índice mais positivo seria o desenvolvimento do hábito da leitura na infância, através da implementação das bibliotecas escolares, preparação dos profissionais, e incentivo familiar. “Os pesquisadores perguntaram às crianças os motivos que as levam a ler e como primeira resposta, na maioria dos casos, elas apontam a mãe, como grande incentivadora, em seguida, citam a professora. O exemplo do pai, ficou como terceira opção”.

Outra importante constatação, citada por Enilze, é que geralmente, pessoas que foram presenteadas com livro quando crianças, ou que cresceram vendo os pais lerem se tornaram leitores. “O hábito adquirido no lar, durante a infância interfere no futuro. Quando questionaram o brasileiro sobre o significado da leitura em suas vidas, 92% responderam que é uma forma de adquirir conhecimento, também houve um percentual que disse que se tratava de uma fonte de conhecimento para a vida toda. As pessoas sabem da importância da leitura”, coloca.

O ponto alarmante da pesquisa trata da renda dos leitores, que em sua grande maioria recebem a partir de 10 salários mínimos, possuem  formação superior ou são estudantes. “Com isso, percebemos que existe a relação entre índice de leitura, renda familiar e classe social”, constata.

Diante desse universo surge o desafio de aproximar o livro das classes com menor poder aquisitivo. A maneira encontrada por Botucatu, segundo Enilze, é a estruturação das bibliotecas escolares, possibilitando o acesso da comunidade. “Estabelecemos uma parceria (Unesp) com a Secretaria Municipal de Educação, para a implantação de um sistema de integração de bibliotecas, possibilitando que os acervos das escolas circulem. A automação integrará as bibliotecas municipais formando uma rede. O sistema é semelhante ao que temos na Unesp, onde, hoje é possível  disponibilizar o acervo de todos os campus, aos alunos e comunidade em geral”, explica.

Outra luta, que tem início na “Semana do Livro e da Biblioteca de Botucatu” é a criação de uma Lei Municipal, destinando recursos para a aquisição de livros e incentivo à formação de escritores. “Já conversamos com o vereador Reinaldinho (PR), sobre o projeto e acreditamos que ele será apresentado em breve”, disse. Enilze.

Programação do dia - Às 16 horas, a Sala Multimídia da Biblioteca da Unesp, lança a Campanha de Promoção da leitura da Coordenadoriia Geral de bibliotecas da Unesp, com apoio e participação o professor Willian Saad Hossne. Durante todo o dia, a biblioteca do câmpus contará com um performance relembrando Machado de Assis.

Também está prevista a abertura do livro interativo: “Era uma vez um menino que nunca tinha visto um livro”.
Os visitantes receberão o kit turismo “Conheça Botucatu e Região” (colaboração da Subsecretaria Municipal de Turismo).

A programação da tarde será encerrada com o show musical de MPB, do coral “Canto e Encanto”, da Faculdade de Medicina de Botucatu e Hospital das Clínicas”.

Entre às 18 e 20h30, a sala de multimídia recebe o debate “Na era da comunicação, o livro sobreviverá?”, tendo como motivação a exibição do documentário “Fahrenheit 451”. A moderação ficará à cargo do psicólogo, Sérgio Callile.