novembro 19, 2009

Renato, nós lhe devemos esta!

Ao jornalista Renato Fernandes, o Santa Marcelina agradece pelo presente que recebeu no dia 6 de novembro último:a visita de uma ex-aluna, de 93 anos, Marina Teixeira Assumpção.Foi o Renato que a encontrou.

Naquela tarde quente, ao adentrar o corredor central do colégio, duas gerações se defrontaram: Marina, aluna da década de 20 e os pequenos da 1ª.Série A. Uma ala se abriu , palmas para ela. O canto da Virgem Maria entoado pelos pequenos, os adultos presentes- irmãs, professores e funcionários – completavam o círculo. Uma criança entregou-lhe rosas vermelhas e falou umas palavrinhas.Todos ansiosos para ouvi-la.

Marina, muito à vontade, como se estivesse em sua própria casa,conversou, contou do seu tempo de escola; que ela tinha vindo estudar como interna no Colégio aos 12 anos(em 1928, provavelmente) ;que sua mãe que era enfermeira na Misericórdia ( e esse foi o motivo da família ter se mudado para Botucatu);falou sobre o uniforme, sobre o dia em que ficou de castigo, sentadinha na porta das sala da Superiora( em 1928, a Superiora era Ir.Luisa Rudel) e que a Superiora tinha perguntado a ela em francês:

     “Qu’est que tu as fait, ma petite?(O que você fez, minha pequena?)

Ao que ela imediatamente respondeu:

“Rien!Rien!”(Nada, nada)

E continuou conversando em francês...

As crianças sentaram-se no chão para ficarem mais próximas dela e riam muito com o que contava.Cantaram todos o Parabéns a você e o Pique-pique.Os pequenos voltaram para a classe e Marina, amparada pelas irmãs e professoras, seguiu até a Capela, onde rezou a Ave Maria e o Pai nosso. Lá foi a vez dos pequenos do Maternal II irem vê-la A cada um, ela abraçou, perguntou-lhe os nome e os beijou, como uma vovó feliz.

De volta ao corredor da capela, foi em direção ao painel que tem como tema o Anjo da Guarda protegendo uma criança e que constitui uma das peças mais antigas do colégio.Fotos foram tiradas e ela rezou a oração do Santo Anjo.Sempre muito alegre e sorridente, para todos tinha uma resposta e até brincou com o Renato, dizendo-lhe:

-Você  é tão jovem e por que tem cabelo branco? Todo riram.

Em seguida,foi encaminhada para a sala onde está o quadro do “Sonho da Superiora Antonietta Valentini” para tomar o lanche da tarde.Logo que entrou, ficou encantada com o ambiente e quis saber o que era aquele quadro na parede.Então, Superiora Terezinha explicou-lhe que aquele era o quadro que representava o “Sonho” que Superiora Valentini tivera: um navio protegido por um anjo, partindo das raízes de uma grande árvore plantada no meio do oceano, vindo de terras italianas rumo às terras brasileiras.E essa árvore ostentava duas bandeiras:uma italiana e outra brasileira.Esse sonho foi concretizado com a fundação do Colégio dos Anjos em Botucatu.

Tomou suco de laranja (“Delicioso, dizia) e comeu as broinhas em forma de estrelas feitas pelas irmãs.Amou as broinhas e as chamou de “Estrela d’Alva’.Superiora Terezinha entregou-lhe um mimo: Nossa Senhora do Divino Pranto e um livro sobre a vida de Ir. Elisabetta - esta é que teve a visão de Nossa Senhora do Divino Pranto.Mariana agradeceu muito, pôs os óculos e leu uma página do livro em voz alta, encantado os presentes.

Intensamente agradecida por tanta alegria e carinho, não parava de falar que tudo era maravilhoso!Desceu a escada da portaria central amparada por Ir. Lívia e pelo funcionário Bene, com o qual ela se identificou muito, porque como ele, era também formada em contabilidade, ela era uma “contadora”.

Entrou no carro sem dificuldade e, acompanhada pela Superiora e por mim, tendo como condutor do carro o Adilson, foi-se embora.

Sempre falante e contando sobre Botucatu...sobre Botucatu...sobre Botucatu...

Obrigada, Renato!

Carmen Sílvia Martin Guimarães

Novembro de 2009.