novembro 12, 2009

Restos mortais de Frei Fidélis é levado de Botucatu sem o conhecimento da população

Por Renato Fernandes


Os três freis da Ordem dos Frades Memores Capuchinos tiveram seus restos mortais tranferidos para outras localidades. O translado foi autorizado pela liderança nacional do movimento religioso e executado através do Frei Constino Bombo, Guardião do Santuário de Nossa Senhora de Loudes, em agosto de 2008.

Ocupavam o jazigo da Ordem em Botucatu os freis: José Leonardo Forti Filho, falecido em 22 de março de 1959; Bernardo Mott (Frei Fídelis), falecido em 19 de fevereiro de 1968; e Sílvio Ruivo (Frei Marcelino), morto em 10 de setembro de 1991.

Bombo explica que a tranferência foi motivada por um pedido pessoal da família do frei Marcelino. “Os familiares disseram do desejo de o sepultarem junto com a família. Os ossos foram levados para a cidade de Angatuba, com muito carinho. Fomos para lá, rezamos uma missa em sua memória e acompanhamos o féretro até o cemitério da cidade”, diz.


Os restos mortais dos demais freis foram encaminhados a São Paulo e sepultados em Sapopemba, onde a Ordem religiosa mantém uma igreja onde são sepultados os frades do Estado. A placa de identificação do jazigo foi encaminhada ao museu da Ordem, na cidade de Piracicaba.

O vereador Dr. Bittar (PCdoB), antecipa que pedirá informações sobre a tranferência dos restos mortais de Frei Fidélis para outra localidade. “O Frei Fídelis (foto) compõe parte da história imaterial do Município. É de sua autoria as principais mitologias em torno da Cidade. Apresentarei um requerimento solicitando às devidas autoridades religiosas informações a respeito desse translado”, afirma.

O historiador João Carlos Figueiroa defende posição semelhante. “Como historiador e conhecedor da importância da obra do Frei Fídelis para a história de Botucatu, e considerando, também, que sua memória continua sendo considerada pelos botucatuenses como um patrimônio imaterial de nossa gente, o mínimo que se poderia fazer era dar amplo conhecimento público à Botucatu sobre a tranferência de seus restos mortais. Temos que considerar que ele era cidadão botucatuense por título conferido pela Câmara Municipal”, ressalta.

O monsenhor Edmilson josé Zanim concorda com a postura da Ordem Franciscana. “No jazigo (em Botucatu) eles estavam abandonados. Quem cuidava da manutenção acabou morrendo e as  últimas vezes que estive no jazigo ele estava mal cuidado.Mesmo o Fidélis marcando a história, nunca, ninguém  se interessou ou se preocupou com iniciativas para manter isso vivo, com excessão do grupo Peregrino Vidal”, garante.