novembro 17, 2009

Selo Negro insere temas afro-brasileiros no mercado editorial

Conquista da militância pelos direitos civis dos negros, a Lei nº 10.639/2003, tornando obrigatório o ensino de História da África e do legado africano à cultura brasileira, veio completar os principais objetivos da Selo Negro Edições: a publicação de obras mostrando que as histórias e as culturas africanas e afro-brasileira dizem respeito não apenas aos descendentes de africanos, mas ao Brasil como nação.

Mas a Selo Negro Edições, selo do Grupo Editorial Summus, não aproveitou a esteira da promulgação da lei, em 2003, para lançar suas obras. Criada em 1999 para atender a essa demanda de mercado, o selo vem produzindo livros que suprem, com informações de qualidade, as necessidades dos afro-brasileiros nas áreas de história, sociologia, educação, política e literatura. Além disso, a editora coloca em evidência trabalhos de professores e pesquisadores que ajudam a diminuir o preconceito e melhoram a autoestima dos negros brasileiros. Embora foquem esse público, as obras também são destinadas a todos os leitores que desejam compreender melhor o mosaico étnico brasileiro.
O Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira, um trabalho que a Selo Negro Edições realiza há dez anos com a publicação de obras sobre as histórias e a culturas africanas e afro-brasileiras
Desde a criação, já foram publicadas 37 obras, individuais e coletivas, produzidas por 118 autores que abordaram temas como educação, sociologia, religião, política e ficção histórica. Só este ano, foram criadas duas coleções – Retratos do Brasil Negro e Consciência em Debate – voltadas principalmente para estudantes e professores. Coordenadas por Vera Lúcia Benedito, mestre e doutora em Sociologia/Estudos Urbanos pela Michigan State University e pesquisadora e consultora da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, elas têm o objetivo de abordar a vida e a obra de figuras fundamentais da cultura, da política e da militância negra e debater temas prementes da sociedade brasileira, tanto em relação ao movimento negro como no que concerne à população geral.

A coleção Retratos do Brasil Negro traz as biografias de três grandes personalidades negras: "Nei Lopes” (escritor, cantor e compositor), "Sueli Carneiro” (intelectual, militante e fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra) e "Abdias Nascimento” (intelectual, escritor, artista e ativista). As obras foram escritas, respectivamente, pelos jornalistas Oswaldo Faustino, Rosane da Silva Borges e Sandra Almada.

Já a coleção Consciência em Debate aborda temas como a implementação de ações afirmativas, a educação antirracista, e o respeito às diferenças. Os primeiros volumes são "Políticas públicas e ações afirmativas”, do sociólogo Dagoberto José Fonse¬ca, e "Relações raciais e desigualdade no Brasil”, da pesquisadora Gevanilda Santos. Novos volumes das duas coleções têm publicação prevista para o ano de 2010.

Outros destaques da Selo Negro são as coleções Sankofa e Memória Afro-Brasileira, que resgatam e atualizam o conteúdo de pesquisas e reflexões sobre o passado dos povos africanos. Organizada pela professora Elisa Larkin Nascimento, a coleção Sankofa tem quatro volumes de estudos aprofundados sobre a África, que oferecem um rico elenco de informações e uma perspectiva inovadora. São eles: A matriz africana no mundo, Cultura em Movimento, Guerreiras de natureza e Afrocentricidade.

Os textos da coleção levam assinaturas de peso. Neles, estão, entre outros, o historiador afro-americano Molefi Kete Asante, principal teórico do afrocentrismo contemporâneo; os africanos Anani Dizidzieyo, sociólogo ganense, radicado nos EUA; Michael Hamenoo, também de Gana, e os angolanos Francisco Romão da Silva e Ismael Diogo. Integram também o elenco de autores, Carlos Moore, etnólogo afro-cubano, doutorado pela Universidade de Paris; os afro-brasileiros Edna Roland, Joel Rufino dos Santos, Nei Lopes e Sueli Carneiro, entre outros. A série reproduz, também, textos das já falecidas Beatriz Nascimento e Lélia Gonzalez, docentes fundadoras do Sankofa.

Organizada por Vagner Gonçalves da Silva, a série Memória Afro-brasileira é composta por três volumes: Caminhos da Alma, Artes do Corpo e Imaginário, cotidiano e poder. Os autores são antropólogos de vários estados do país: Beatriz Góis Dantas, Emerson Giumbeli, Jocélio Teles dos Santos, Maria do Carmo Brandão, Norton Corrêa, Raul Lody, Rita Amaral, Roberto Motta e Sergio Ferretti.