março 02, 2010

Fogo na macumba. O misterioso incêndio nos terreiros do Marajoara

Em janeiro de 1997 a reportagem do jornal Diário da Serra acompanhava um caso de vandalismo no Bairro Marajoara, região carente da cidade de Botucatu. A história narrada pela moradora de uma residência da Rua Ângelo Dezen, era de que desconhecidos estavam arremessando pedras em seu telhado e quebrando as telhas.

No dia 15 de janeiro, por volta das 9 horas, um repórter, acompanhado do fotógrafo Sidney Trovão esteve no local para continuar a falar sobre o caso. Ao chegar, o repórter quase foi atingido por uma garrafa, que misteriosamente foi arremessada em sua direção, mas retornou à redação sem a história.

Contou ao chefe de redação que não havia visto nada extraordinário e que era apenas mais uma suíte sobre o assunto. A orientação que ele passou à moradora era de que procurasse a polícia para elaboração de um Boletim de Ocorrência, para qeu desse mais autenticidade à matéria.
Insatisfeito, o chefe de redação, Haroldo Amaral, solicitou que a dupla retornasse ao local e pediu que eu fosse junto na empreitada, afinal, a mulher contava que na última noite uma das pedras arremessadas era descomunal.

Fomos até o loca. Enquanto eu entrevistada a moradora, o outro repórter e o fotógrafo trabalhavam externamente, conversando com vizinhos. Fiquei surpreso com o tamanho das pedras que caiam sobre a casa, a pia da cozinha estava toda quebrada, o telhado tinha um buraco com no mínimo 2 metros de largura e no chão, uma enorme pedra, certamente com mais de 20 quilos denunciava a razão dos estragos.

A pedra caiu no meio da residência. Ao redor da casa não havia nenhum prédio ou sobrado, tinham apenas duas possibilidades para aquele arremesso, o vândalo era muito forte ou haviam utilizado algum mecanismo.
Enquanto fazia a entrevista, percebi uma espécie de capa preta, pendurada em uma das portas. Foi então que a casa começou a pegar fogo. Muito classificam o que vou dizer agora como maluquice, o fogo começou pela parede de concreto, atrás da mulher que estava sendo entrevistada.

Corremos todos para a rua, de onde dava para perceber que as chamas já estavam altas. Chamei o Corpo de Bombeiros em um orelhão. Um vizinho, de boa vontade tentava apagar o incêndio de cima de sua residência, mas acabou despencando telhado abaixo.

Com a chegada dos Bombeiros, e após o incêndio ser controlado, assisto um oficial da corporação pedir para abrir uma das portas de um cômodo na frente da casa, misteriosamente esse cômodo não tinha qualquer sinal de chamas. A mulher reluta, e diz que o quarto não pode ser aberto, sem opção a porta é arrombada. Era necessário checar se haviam focos do incêndio em todos os cômodos.

O quarto na verdade era um terreiro, não sei definir de que tipo de religião ou seita, mas havia símbolos ritualísticos e personagens com chifres, não havia qualquer sinal de incêndio. Outro cômodo, ao fundo da casa, também estava intacto, o bombeiro repetiu o pedido, e desta vez foi atendido pela moradora. No interior desta outra sala, para minha surpresa e também das autoridades, havia outro terreiro.

Chego à redação ansioso por escrever a matéria, a história era extremamente absurda e surreal, porém verdadeira. Narro tudo o que aconteceu ao chefe de redação, ao fotógrafo Marcelino dias e ao então repórter Stéfano Garzezi, eles questionam a legitimidade dos fatos, compreendo a incredulidade, realmente era uma história cabeluda.

Voltamos todos ao local dos fatos para constatar e também matar a curiosidade da equipe de reportagem, sinto que todos ali tinham uma pontinha de inveja por não terem visto tudo como realmente ocorreu.

Os vizinhos assustados narravam às histórias mais absurdas, uns garantiam que um homem aparecia em frente da residência e sumia diante de todos, outros afirmavam que um estranho ser parecido com uma coruja chorava sangue no telhado, algumas pessoas diziam que chegavam a ver as pedras levantarem do chão e irem em direção ao telhado. Uma história mais absurda que a outra.

O fotógrafo Marcelino Dias visualiza um terceiro ambiente que não tinha sinal de incêndio, uma casinha fechada com pouco mais de dois metros quadrados. Ele pensou que se tratava do hidrômetro e a caixa de energia da residência, curioso abriu o compartimento. Logo apareceu um jovem, com pouco mais de 12 anos, e alertou o fotógrafo sobre o erro que havia cometido.
- Você, abriu a trunqueira e liberou os demonho (sic) eles vão te acompanhar a vida toda. Você não terá sossego - disse o garoto.

No interior da estranha casinha havia cálices com líquidos vermelhos, imagens de seres estranhos, alguns com chifres; colares espalhafatosos, roupas íntimas e outros artefatos estavam distribuídos de forma organizadamente tenebrosa.
Após essa ousadia de Dias, decidimos voltar para a redação, onde comecei a escrever a história. Marcelino Dias foi a uma benzedeira para tentar se livrar da maldição.

Alguns meses após o ocorrido uma dupla de pesquisadores, um deles o Francês Pablo Vilarúbia (revista Ufo e autor do livro Mistérios do Brasil) e um oriental da Unesp de Assis (não me lembro o nome) estiveram em Botucatu e foram investigar a história. Eles descobriram que a filha da proprietária do imóvel estava grávida e o pai da criança havia sido vítima de um chacina ocorrida meses antes do incêndio.

Segundo a dupla, ela poderia ter manifestado esse estranho fenômeno pirofágico inconscientemente. Não ouso dizer se acredito ou não na história. Para os céticos segue abaixo a matéria que circulou no Diário da Serra.

Clique nas imagens para ampliar. Os nomes dos envolvidos foram omitidos dos recortes de jornal.