maio 11, 2010

Álbum da Copa garante 13º fora de época a jornaleiros

Em época de Copa do Mundo, colecionar figurinhas deixa de ser um hábito infanto-juvenil para conquistar todas as idades, é o que garante os jornaleiros que assistem as vendas subirem diante da aceitação popular pelo álbum da “Copa de 2010”, distribuído pela Panini.

Juraci José Motta é jornaleiro há 28 anos e afirma que a procura pela edição 2010 do álbum tem superado qualquer outra publicação similar, mas deixa claro que o futebol sempre é campeão de vendas quando o assunto são álbuns de figurinhas. “É sempre assim. A procura é muito grande, com pessoas de todas as idades. Diariamente  tenho clientes com mais de 70 anos que compram figurinhas e assumem colecionar e outros com menor idade, que dizem estar ajudando os filhos ou netos a completarem seus álbuns”, afirma.
  João Santini comemora o sucesso nas vendas de cromos  

O envelope com cinco figurinhas custa R$ 0,75, mas Motta afirma que são raras as vezes em que se vende menos de cinco envelopes. “Alguns clientes vem até a banca e compram de três a quatro pacotes fechados, por R$ 37,50 cada. O interessante é que as figurinhas acabam movimentando a banca, garantindo a saída de outros itens como revistas e jornais”, comenta.

Outro jornaleiro que comemora o sucesso do álbum é João Santini. “Posso dizer que esse é o meu 13º fora de época. Os sucessos das vendas refletem diretamente no faturamento mensal da banca”, coloca.

Segundo Santini, o fenômeno gera um efeito bastante positivo, impulsionando a vendagem de qualquer mercadoria referente ao futebol. “Quem compra a figurinha também acaba levando DVD´s com a história das copas, ou revistas que tratam dos jogadores. É o assunto do momento”, explica.
Motta tem atendido clientes de todas as idades

O jornaleiro declara que a editora faz duas entregas semanais e ressalta que não tem recebido reclamações dos colecionadores. “As figurinhas estão bem distribuídas nos envelopes, e apesar do sucesso não está faltando cromos no mercado”, ressalta.

Santini declara que um dos pedidos dos clientes é a troca de figurinhas repetidas. “Para fazermos as trocas é necessário uma autorização da distribuidora. Existem alguns locais que tem vendido figurinhas isoladas”, diz.

Algumas bancas de jornais tem registrado vendas semanais em torno de R$ 12 mil, e garantem que esse é um crescimento de 80% na média semanal.


Em busca dos 640 cromos

A corrida pelas figurinhas do álbum da Copa de 2010 tem o objetivo único de preencher pouco mais de 640 espaços para cromos o mais rápido possível. A vontade dos colecionadores é encerrar o álbum antes da Copa do Mundo, em 9 de junho.

O presidente de um clube esportivo de Botucatu,  Carlos Bonaldo, já está com seu álbum quase completo. “Faltam sete figurinhas para que eu conclua. Já estou trocando cinco figurinhas por uma e em alguns casos até sete por uma”, diz Bonaldo.

Segundo ele, a conclusão do álbum representa um investimento de aproximadamente R$ 70, quando o colecionador tem muita sorte. “Ainda assim é fundamental ser bem relacionado e fazer trocas das figurinhas repetidas”, diz.
Carlos Bonaldo troca figurinhas com sócios do clube que dirige

Um dos segredos para que tenha conseguido tamanho sucesso com a sua coleção foi a participação de sessões de troca de cromos, que acontece diariamente nas dependências do clube que dirige. “Diariamente, por volta das 17 horas, temos reuniões com mais de cinquenta associados fazendo troca. O pessoal se reúne em mesas, fazem trocas formais e vale até ganhar na disputa de bafo”, explica.

Quando foi entrevistado pela reportagem, Bonaldo trocava cromos com duas garotas, Fernanda Bertani, 12 anos, e Mariana Gallo, 13 anos, que compraram um álbum juntas e agora trabalham para finalizar os espaços. “Faltam menos de 200 figurinhas para terminarmos. No clube conseguimos trocar bastante, mas é na escola que realmente chegam as novidades”, explica Fernanda. “Só não pode deixar os professores verem que estamos trocando figurinhas”, acrescenta Mariana.

Bonaldo defende que as reuniões no clube vão muito além da simples troca de cromos. Elas representam um momento de aproximação entre pais, filhos e amigos. “É comum vermos pais e filhos com seus álbuns negociando figurinhas no clube e se relacionando com outros associados, estabelecendo laços e iniciando amizades. Acredito que esse tipo de coleção é bastante sadia e acaba aproximando pais e filhos em um entretenimento comum”, ressalta.

O estudante Fernando Rossi Pereira, 18, costuma investir em torno de R$ 12 diários, em envelopes de figurinhas. “Tem que comprar para ter. Não tem como trocar ou preencher o álbum se não gastar um pouco”, explica.
Luciana compra cromos para o namorado (moto) e para o pai

O álbum de Rossi chegou no estágio em que a maioria das imagens dos envelopes acabam sendo repetidas o que torna necessário apostar na troca. “Troco figurinhas em qualquer lugar. Tem que estar preparado e andar com as repetidas sempre no bolso, não se sabe onde encontraremos um colecionador”, orienta.

Segundo ele, até o momento não se tem nenhuma figurinha considerada como a mais difícil. “Isso varia muito de colecionador para colecionador. As mais valiosas são os brasões dos clubes. Nesse caso vale trocar de três a cinco por uma”, diz.

As reuniões familiares de Luciana Spirandello, 20 anos, tiveram uma mudança radical após o lançamento do Álbum da Copa. A reportagem a encontrou comprando figurinhas para o namorado, que aguardava os envelopes com ansiedade em sua moto. “Meu pai e meu namorado colecionam e acabo vindo comprar figurinhas para os dois. Em casa, nas reuniões, eles ficam trocando cromos e até jogam bafo”, comenta.

O namorado de Luciana, Victor Lucas Soares de Moraes, explica que coleciona todos os álbuns referentes a futebol e acrescenta que tem sido um grande prazer encontrar no sogro uma pessoa para fazer as trocas de repetidas. “Isso acabou nos aproximando mais. Na verdade meu sogro comprou o álbum antes de mim, agora negociar as repetidas tem sido um problema”, garante.

Texto - Renato Fernandes
Fotos Sidney Trovão / Diário da Serra