maio 31, 2010

A pedofilia escondida atrás de símbolos

A pedofilia é um problema que está presente na sociedade, preocupando todas as famílias e colocando pais, educadores, profissionais da saúde, enfim, toda a comunidade em estado de alerta. Mas como combater esse perigo, que muitas vezes se esconde entre parentes e amigos? Como evitar o drama que tem conquistado destaque através da rede mundial de computadores?

Em busca de respostas, a reportagem do blog O Grito Notícias e jornal Diário da Serra conversou com a psicóloga clínica Neuci Maria Gallazi, logo após uma palestra para 200 pessoas realizada na sede da  Associação do Bem Estar de Botucatu (Abem), na terça-feira, 18, e descobriu que os aliciadores não apenas se utilizam da internet para se aproximarem dos menores, como também se reconhecem através de códigos secretos.

Tomando como base a cartilha “Pedofilia”, distribuída pelo Conselho Federal Parlamentar, que trabalha com dados coletados pelo FBI. Gallazi explica que esses símbolos são sempre compostos pela união de dois semelhantes, um dentro de outro, podendo ser corações, pirâmides e borboletas. “Triângulos representam homens que querem meninos, o coração são homens ou mulheres que preferem meninas. Quando o triângulo ou o coração são finos significa que a preferência é pelos pequenos. A borboleta identifica que gosta de ambos”, explica.

Os símbolos apresentados na cartilha, comentados por Neuci e colocados em debate durante a palestra são formas de identificação, criadas para a troca de informação entre os criminosos. “É necessário ficar atento, e observar com atenção e-mails, presentes, materiais e produtos que as crianças recebem. Estes símbolos são bonitos e encantam, mas tem uma finalidade triste. Eles estão em bijuterias, revistas e outros artigos de uso comum”, diz.


Sob o manto da santidade

Para a psicóloga Neuci Maria Gallazi, a pedofilia na igreja tem relação com uma série de hábitos e costumes milenares“Bandidos existem em qualquer lugar inclusive na igreja. A questão do celibato faz com que as pessoas que não pratiquem a sexualidade tenham um controle muito grande, mas se foram crianças abusadas ou com a sexualidade extremamente estimulada quando pequenos na vida adulta terão dificuldades, e vão precisar de tratamento”.

Ao abordar a pedofilia na religiosidade é necessário esclarecer que o desejo sexual combinado com o celibato, em um indivíduo que já sofreu abusos potencializam as ações criminosas.

Boa parte dos religiosos acusados de pedofilia confessam que também passarm por abusos na infância.

O mal por perto

Na opinião da psicóloga clínica Neuci Maria Gallazi, a informação é a melhor arma contra os pedófilos, que ressalta a utilização dos meios digitais para se aproximarem do universo infantil. Entretanto,  alerta que o mal não está à espreita apenas por detrás da tela e do mouse, pode estar mais perto do que se imagina, dividindo o mesmo teto, ambiente e se escondendo, muitas vezes na rotina do lar.

Ela reforça a necessidade de se manter vigilante e pede atenção das famílias com relação às pessoas que estão próximas das crianças. “É fundamental estar atento ao que acontece ao redor. Principalmente nas pessoas que estão em torno do seu filho, os locais que eles frequentam e o que fazem”, diz.

Entre as formas de identificar um provável aliciador existe a característica de sempre estar perto das crianças. “São dóceis, simpáticos e muitas vezes ajudam e cuidar de nossos filhos, pode até mesmo ser um amigo íntimo da casa. Temos que ter em mente que não é normal uma pessoa se ofereça a ficar com crianças, dê presentes, queiram levar para passear ou ficar sozinho com seu filho”.

A médica alerta que infelizmente não existe remédio para exterminar o problema. “É preciso, sempre, muito amor e cuidado com tudo o que estamos fazendo, quando nos propomos a fazer um trabalho é necessário competência, o mesmo deve acontecer com quem se propõe a assumir o papel de pai ou mãe, tem que estar preparado para essa obrigação”, ressalta.

Triste exemplo
   Fernando Souza está preso  
No dia 17 de outubro de 2007 a garota Vitória, de quatro anos, foi estuprada e brutalmente em Rubião Júnior, pelo namorado da Avó, Fernando Souza Silva, 25 anos.

Dois anos após o crime a garota voltou a enxergar e nos últimos seis meses ela tem balbuciado algumas palavras durante a noite, levando alegria aos parentes que acompanham a evolução de seu tratamento.

A tia Selma (sobrenome não divulgado a pedido) revela a intenção de aproximar a garota de outras crianças. “Ela vai fazer um teste para uma escolinha especial. Esperamos que dê certo”.

Após o caso, Selma tem tomado cuidados severos com as outras crianças da residência. “Não gosto de crianças sentadas no colo de homem, pode ser até o pai. Não aceito”, afirma.

Na opinião dela, posturas como essas evitariam muitos problemas. “Aqui a porta do banheiro é fechada durante os banhos e as trocas de roupas são momentos extremamente particulares”, ressalta.

A tia de Vitória deixa um recado a todos os pais. “Não deixem seus filhos sozinhos nunca, acompanhe cada passo, desconfie de tudo e todos. Até da sombra é necessário ter medo. Tomem conta de seus filhos, nós nunca sabemos  a intenção de quem está perto da gente”.

Falando sobre sexo
      N euci Gallazi ministrou palestra para 200 pessoas          
“Se os pais não conversarem sobre sexualidade com os filhos outras pessoas farão isso”, esse é o posicionamento da psicóloga clínica Neuci Maria Gallazi.

Segundo ela o avanço das comunicações trazem perigos iminentes. “Não falar sobre esse assunto  é dar oportunidade para que estranhos falem.  Que tipo de informação virá a partir de um estranho?”, questiona.

A especialista reforça que sexualidade tem sido objeto comum no dia-a-dia. “É tema comum da propaganda. A sexualidade está no comercial de caneta, carro e outros. Usam e abusam da sexualidade para ganhar o público”, ressalta.

Para identificar possíveis casos de abuso ela apresenta algumas dicas. “A primeira coisa é observar como a criança acessa a internet. Ver se existe a presença dos símbolos e se as crianças sabem o que significam, como recebeu, de quem. A orientação é sempre muito importante, tem que ficar ao lado acompanhando os acontecimentos saber se não sofreu nenhum tipo de abuso e orientar para que não sofra. Se sofreu é fundamental procurar a delegacia, denunciar e procurar tratamento psicológico”.

A internet como vilã - Para Gallazi tudo pode ser usado para o mal. “Dependendo da forma como se usa. Até a nossa boca, dependendo da maneira como usamos pode prejudicar as pessoas. A internet não é má, mas é um meio de comunicação que facilita o anonimato e um monte de informações do mundo inteiro sem compromisso”, coloca.

E orientação para os pais é que busquem mecanismos que monitorem o acesso das crianças e que possibilitem bloqueios. “É necessário buscar mecanismos para afastar as possibilidades de assédio”, finaliza.