maio 13, 2010

Mãe não acredita que filha de dois anos tenha morrido por overdose de cocaína

A dona de casa Simone da Silva Furtado, 18 anos, quebrou o silêncio e falou com a reportagem do site Assessoria Um sobre a morte da sua filha Ágatha, de 2 anos. A suspeita, até o momento, é de ingestão de cocaína, mas a família não acredita nessa possibilidade, que é investigada pela Polícia. O laudo definitivo sai na próxima semana.


A entrevista aconteceu no mesmo lugar onde a criança passou mal e perdeu os sentidos, vindo a morrer no hospital. A casa fica em um terreno menor que meio lote, no final do Jardim Brasil. Em um imóvel rústico por fora e relativamente confortável e limpo por dentro, o pai da menina, o padeiro Luciano Leonardo da Silva, 20, reside com irmãos e sobrinhos. “As pessoas não deveriam concluir nada até o laudo final, porque até papagaio fala, mas para provar algo é outra coisa”, disse o pai da menina.
Mãe não acredita que cocaína tenha causado a morte

Simone mostrou imagens captadas por um celular que exibe a garota dançando na casa. Também apresentou à reportagem fotos recentes da menina. A família preferiu não publicar essas imagens.

Confira, na íntegra, a entrevista com a mãe da garota realizada na manhã de ontem, 11, ao lado de uma tia da criança e de um primo pequeno.

Reportagem – Como é enfrentar a morte da sua filha?
Simone – Está difícil porque ela bem dizer era tudo: a coisa mais importante da família. Até as crianças (primos) sofreram muito com tudo o que aconteceu. Nós estamos sofrendo porque a gente queria dormir, acordar, e a criança estar aqui com a gente. Porque não é fácil, e só uma mãe sabe o que é perder um filho. Não faz muito tempo que perdemos uma criança.

Reportagem – Como tudo aconteceu naquele dia?
Simone – Ela (a menina) brincou o dia inteiro, aí coloquei ela para dormir; já era o finalzinho da tarde, quase 6 horas. Isso foi na quinta-feira. Só que ela tem o costume de levantar e sair da cama. Fui olhar se ela estava descalça no chão. Aí vi que já estava se sufocando, tentando buscar ar e não conseguia… Percebi que estava ficando roxa, foi quando peguei ela, corri para a rua para procurar ajuda.

Reportagem – As pessoas entenderam como as coisas ocorreram?
Simone – Pelo meu ponto de vista sobre tudo que está passando, estão dizendo que minha menina morreu de overdose então, a única coisa que sei, é que as pessoas deveriam esperar o laudo sair para ter certeza do que aconteceu. Na minha cabeça, eu acho que não foi nada disso porque ela usou medicamento para poder voltar, pois estava em coma. Não sei nem o que falar para você porque a população não vai acreditar no que está acontecendo. No rádio está passando que meu esposo é usuário de drogas. Na televisão passa outra coisa, entendeu? A única coisa que eu sei é que temos a consciência limpa. A gente vai procurar pesquisar bem o que está acontecendo e, quando sair o laudo, vamos mostrar para todo mundo que não é bem isso o que está acontecendo.

Reportagem – O medo de vocês é que as pessoas comecem a imaginar coisa diferente do que aconteceu?
Simone – O medo é esse: das pessoas tentarem fazer o mal, imaginando que nós possamos ter feito alguma coisa errada com a criança, entendeu?

Reportagem – Você é de Botucatu mesmo?
Simone – Eu morava em Botucatu há um bom tempo, depois fui embora – faz mais de cinco meses. Como eu tinha contato com o pai dela, trouxe ela para ele ver e para a família ficar perto dela. Aí, um dia antes de eu ir embora que aconteceu dela passar mal e morrer.

Reportagem – Como foram os últimos momentos de sua filha?
Simone – [Emocionada ao lembrar da menina] Foram dela dançando. Parece que cada segundo que ela estivesse perto, a gente estava filmando. Era uma menina sempre alegre; nunca parava um segundo de brincar com a gente.

Reportagem – Qual foi a última vez que a viu consciente?
Simone – Foi aqui. No hospital, nem cheguei a ver ela acordada. Ela estava inconsciente.

Reportagem – O que você espera de tudo isso agora. Vai ficar um vazio…
Simone – Ela não quer ver a tristeza da família. Então, sei lá, é difícil superar isso. Mas Deus sabe de todas as coisas. É difícil encarar. Eu só penso em acordar a cada segundo e estar acontecendo outra coisa. Parece que é um sonho. Sonho não, é pesadelo. Eu não queria estar nesse pesadelo.

Reportagem – As pessoas estão apoiando vocês nessa dor?
Simone – Parentes, porque acho que até amigos num momento desse estão achando o contrário. Você sabe como que é.

(Cristiano Alves – Assessoria Um/ Diário da Serra)