junho 01, 2010

Teria o médico nazista Mengeli criado uma cidade de gêmeos no Brasil?

O médico alemão Josef Mengele (Günzburg, 16 de Março de 1911 — Bertioga, 7 de Fevereiro de 1979) também conhecido pelos apelidos de Beppo, Todesengel ou "O Anjo da Morte", trabalhou para Adolf Hitler no regime nazista, atuando nos campos de concentrações desenvolvendo pesquisas em humanos na pretensão de fortalecer e aprimorar da raça ariana.

O foco dos experimentos era o aumento da fertilidade em mulheres loiras de olhos claros. A intenção era desvendar os segredos da fecundação de gêmeos, dessa forma, ofereceria um avanço quantitativo para a raça ariana.
   Mengeli: o médico Nazista  

Dez dias antes da libertação dos prisioneiros dos Campos de Concentrações por tropas russas, no dia 27 de janeiro de 1945, Mengele fugiu e levou todas as anotações e experimentos em uma maleta. Sua fuga o levou para a Argentina, provavelmente ainda na década de 1940, onde morou na capital, Buenos Aires. Em seguida chegou ao Brasil, onde teria vivido em Serra Negra, Assis, Nova Europa, Mogi das Cruzes e Bertioga até sua morte, no dia 7 de fevereiro de 1979.

Sua passagem pelo Brasil levantou uma recente polêmica; teria o médico dado prosseguimento às suas pesquisas de fertilização e interferido na geração de gêmeos da cidade de Cândido Godói, município do Rio Grande do Sul, que tem uma área de 247,21 km² e população estimada de aproximadamente 6.641 habitantes, Cidade que registra o nascimento de um gêmeo a cada cinco partos. Taxa muito acima da média, um nascimento a cada 80 partos.

A tese sobre a interferência de Mengele surgiu com o livro “Mengele: the Angel of Death in South América”, do historiador argentino Jorge Camarasa, estudioso da fuga do médico alemão para a América do Sul. Segundo ele, a possibilidade de Mengele ter transitado no município na década de 1960 é grande e conta com o testemunho de  moradores.
Taxa de gestação de gêmeos em Cândido Godói surpreende

A população conta histórias sobre a visita de um médico que distribuía  chás  para as senhoras e, além disso,  comprava sangue. Outra referência diz respeito a um protético que circulava em uma Kombi fechada com laboratório de experimentos e seringas.

Em sua pesquisa, Camarasa entrevistou moradores e gêmeos que relatam a passagem de um educado alemão chamado Rudolph Weiss, ele se dizia especialista em reprodução e atendia as mulheres, acompanhava gestações e prescrevia medicamentos.

“Todo mundo se lembra de que ele costumava tirar sangue das pacientes e guardar amostras”, diz Anencir Flores da Silva, médico e ex-prefeito do Município.

A cidade foi fundada em 1964, quando era composta basicamente por imigrantes alemães. Essa característica faria com que o médico se sentisse em casa para dar continuidade a seus experimentos.

A tese de Caramasa encontra suporte no historiador da Cidade, Jacinto Zaborovski, que possui fotografias dos primeiros colonos alemãs exibindo suásticas ao lado das bandeiras brasileiras.

Como apoio aos trabalhos, o escritor teve acesso a anotações e a confirmação de testemunhas que reconheceram a face de Mengeli em fotografias relacionando-o a um veterinário e também, um médico rural.

Como veterinário ele teria atendido fazendeiros na promessa de incentivar o nascimento de bezerros gêmeos, fato que se comprova nas fazendas, que até hoje apresentam alta taxa de nascimento de animais gêmeos.

A idéia de que o médico haveria se disfarçado de veterinário tem um ponto em comum com o período em que viveu na Argentina, onde fundou uma empresa farmacêutica em 1950. A descoberta dessa empresa foi feita pelo estudioso do caso Mengele, G.L. Posner, que teve a oportunidade de analisar documentos da Polícia Federal da Argentina.

A documentação discrimina que o objetivo era  a importação de medicamentos veterinário e mais tarde produtos farmacêuticos para humanos.

Voltando a Cândido Godói, o agricultor Aloísio Finkler,  diz que se lembra das visitas do médico e cita que no início ele tratava do gado. “Ele parecia ser um homem culto e digno”. Comenta.
   Médico queria ser aclamado como herói  

Outro que afirma ter tido contato com Mengele é o também agricultor Leonardo Boufleur, que situa a passagem do nazista pelo município há mais de 45 anos. Ele é apresentado a uma fotografia, onde Mengele aparece ao lado de outros oficiais alemães, mas não exita ao mostrar de quem estava falando, apontando com o dedo.  O agricultor ressalta que a figura apontada é o provável médico que aplicava vitaminas no gado.

Segundo Camarasa, o primeiro casal de gêmeos da Cidade nasceu em 1963, mesmo ano em que tiveram início os primeiros relatos da passagem de Mengele por aquela região.
Entretanto, a fertilidade que também é apresentada pelo gado aponta para rumos científicos significativos, como a possibilidade do fenômeno estar relacionado a fatores externos, ligados ao meio-ambiente.

Para entender os fatos, uma equipe de pesquisadores liderada por Lavínia Schüler Faccini, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, tem trabalhado sobre o caso. Uma das possibilidades levantadas é que a água de um córrego, que respondia por boa parte do abastecimento local na década de 60, seja a responsável pela fertilidade em humanos e animais.

Amostras foram levadas ao laboratório da universidade e analisadas minuciosamente. Os resultados apontaram que não existe a presença de nenhuma substância anormal na composição.

As pesquisas não tiveram como alvo apenas a água, biólogos analisaram o sangue das mães em busca de proteínas singulares, geólogos buscaram gatilhos ambientais, estatísticos rastrearam casos de gêmeos para a preparação de um censo exato do fenômeno.

Apesar dos testemunhos e relatos todas as informações em torno da interferência de Mengeli no caso de gestação de gêmeos na Cidade são duvidosas. Entre as lendas e relatos sobre o paradeiro do médico após sua fuga existem inclusive histórias de que ele foi viver com índios, na selva, outros afirmam que o médico passou a fazer pesquisas para a CIA.

Segundo o agente da Mossad Israelense Raphael Eitan, responsável pela prisão do nazista Adolf Eichmann em 21 de maio de 1960 em Buenos Aires, a perseguição aos soldados de Hitler que residiam na Argentina fez com que Mengeli fugisse para o Brasil, estabelecendo residência no Estado de São Paulo.

O agente defende que a localização do médico, há mais de 900 quilômetros de Cândido Godói, impede qualquer relação com o nascimento de gêmeos. Eitan esclarece que se trata de um período com meios de transportes precários, estradas de terra e povoados rurais de difícil acesso.

As pesquisas lideradas pela pesquisadora Lavínia Schüler Faccini, também mostram dados que descartam a participação de Mengeli nos nascimentos. A possibilidade de que o médico estaria administrando hormônio de crescimento foi descartada, já que os resultados seriam comprovados apenas em uma geração.

No cemitério pesquisadores da UFRGS, entre eles Ursula Matte mestre e doutora em Genética e Biologia Molecular, pesquisou nomes e números das covas indo em direção aos pioneiros que deram origem ao município.

Os dados levaram os pesquisadores a oito famílias, o que segundo a geneticista é uma importante pista de que Mengeli não teria nenhuma relação com os gêmeos. O resultado da pesquisa demonstra que as futuras gerações de Cândido Godói podem ter surgido a partir de uma pequena base pequena de genes raros, mas que se tornaram comuns naquela comunidade.

Após estabelecer uma árvore genealógica dos gêmeos e buscar os padrões em amostras de DNA procurando por fatores que levam ao desenvolvimento dos genes responsáveis pelo fenômeno, é demonstrado que as mães apresentam taxa alta do hormônio IGF (hormônios anabólicos), que pode ter sofrido mutações.

Outros pontos contribuem para esclarecer os fatos e distanciar Mengeli dos gêmeos de Cândido Godói, nos arquivos da Polícia Federal do Brasil, em Brasília, estão os documentos falsos usados pelo médico durante o período em que esteve foragido no País. Na mesma sala  está a maleta de Mengeli, onde não se encontram nenhum medicamento ou resquício de produto químico, apenas itens fundamentais e indispensáveis para um homem em fuga.

Entre as documentações da Polícia Federal existem cartas manuscritas e diários de uma vida clandestina, que em nenhum momento fazem menção à Cândido Godói ou pesquisas médicas e científicas.

As duas famílias que esconderam o criminoso, entre os anos de 1961 e 1979, descartam qualquer relação entre o médico e a Cidade e garantem que ele nunca retomou a experiência com grávidas e gêmeos.

No laboratório da UFRGS em Porto alegre, a árvore genealógica desenvolvida pelos pesquisadores apresenta dados em comum que remetem parte da população da “Cidade dos Gêmeos” a um ancestral comum, levando a equipe de pesquisadores a acreditar que um evento fundador seja a provável causa das gestações de gêmeos sugerindo, ainda, um relacionamento com o hormônio IGF.

O Interesse de Mengeli por gêmeos 
    Pesquisas hediondas eram comandadas pelo médico    
Em busca da raça superior; Mengele desenvolvia experiências genéticas hediondas com seres humanos.

A meta dos Nazistas era o extermínio e esterilização das populações que ele subjugava com a pretensão de repovoar continentes com a raça ariana, criada através da manipulação biológica.

Nesse contexto demente, era fundamental encontrar uma forma de garantir fertilização às mulheres aumentando a taxa de natalidade. Mengeli acreditava que se encontrasse a resposta para a geração dos gêmeos seria possível garantir que as arianas dessem a luz a um numero sem fim de crianças loiras de olhos azuis.

Se conseguisse fazer, através da manipulação biológica, as grávidas gerarem dois filhos por gestação, ao invés de um, ele seria aclamado herói e desvendado um enigma que desafia cientistas até hoje.

Referências e fontes Clique nos links para saber mais sobre o assunto

• Mengele e os gêmeos de Cândido Godói

• Josef Mengele e os gemêos


• “Joseph Mengel: o anjo da morte na América do Sul"

• Josef Mengele


• Nazista Josef Mengele criou “cidade dos gêmeos” no Rio Grande do Sul, diz livro

• Dr. Mengele e os gêmeos de Auschwitz


Base
Documentário “O Gêmeos de Mengeli” – National Geographic  - 2010

Documentário que investiga busca determinar se as experiências de Joseph Mengele tem  relação com o fenômeno de gêmeos em Cândido Godói.


 Por Renato Fernandes