julho 04, 2010

Da CASA para a vida

Ela pede para ser identificada como Camila, e representa mais uma conquista da Fundação CASA na recuperação de jovens infratores. Cumprindo pena sócio-educativa na unidade de Cerqueira Cesar, a jovem percebeu que poderia mudar de vida há cerca de um ano, quando entrou para o grupo de teatro comandado pelo professor Eduardo Carriel.

Desde que começou a atuar no grupo da unidade, ela tem se destacado assumindo o papel de antagonista e contracenado com o professor nas últimas três produções. Tanta dedicação ao trabalho cênico rendeu frutos e  durante a realização da Mostra de Teatro da Fundação Casa, realizada no dia 22 de junho, em Botucatu (interior de São Paulo), recebeu a notícia de que havia sido selecionada para uma bolsa de estudos em uma escola de teatro de Rio Claro, sua terra natal. “Estou recuperada para a vida. Entrei na Fundação disposta a mudar. Peguei gosto pelo teatro e resolvi seguir em frente, buscar um novo rumo e isso tem me dado muita força. Quando eu sair, terei uma nova chance, e construirei novas oportunidades para a vida”, diz Camila.

A experiência positiva da reeducanda reflete a nova realidade da CASA, entidade que tem trabalhado pela recuperação dos menores, mudando a visão de uma entidade de caráter punitivo e de exclusão dos menores que cometeram atos infracionais. “A Camila está recebendo um passaporte para os estudos e a vida teatral. Essa evolução no tratamento quebra o senso comum. O menor  cometeu um ato infracional, mas não merece um rótulo e sim ser apresentado à oportunidades e caminhos interessantes. Nosso objetivo é dar aos jovens condições de voltar para a sociedade como protagonista de sua história”, diz Guilherme Astolfi, gerente de arte e cultura da Fundação.

Astolfi explica que as mudanças propostas com a descentralização no atendimento, unidades menores, valorização do servidor, responsabilização e contato com as famílias tem contribuído diretamente para a reinserção dos jovens na sociedade. “Estamos tornando os muros da fundação cada vez mais permeáveis, com jovens saindo da fundação para atividades sócio educativas, além disso, as famílias e também a sociedades estão entrando nas unidades e conhecendo o trabalho de recuperação. A reincidência desses jovens tem reduzido drasticamente”, comemora Astolfi.

Outro que tem comemorados os resultados do trabalho de recuperação é o professor de teatro Carriel. Sua atuação na Fundação teve início há três anos e essa não é sua primeira descoberta.  “É muito gratificante, assistirmos os alunos seguindo seus caminhos nas artes cênicas. Na primeira peça que montei, uma das atrizes se projetou e hoje ela tem um salão de cabeleireira e também atua no grupo ‘Mal Secreto’ de Itu. A sensação é de dever cumprido, diz.