novembro 24, 2010

Aumenta a procura de idoso pela psioterapia

Os idosos estão quebrando tabus e preconceitos e buscando por novos tratamentos para garantir melhoria na qualidade de vida. Segundo a psicóloga clínica e neuropsicologa, Vanda Rabelo uma das opções que tem agradado essa parcela da população é a psicoterapia. “Nos últimos dois anos. Talvez por conta da mídia que tem falado mais sobre as dificuldades e possíveis soluções para os problemas emocionais que os idosos passam. Tenho percebido um aumento na procura por esse tipo de tratamento por parte dos idosos”, explica.

Segundo ela, os idosos que procuram por  esse tipo de tratamento possuem  características semelhantes. Geralmente são cidadãos melhores informados e que comumente tem vitalidade e buscam toda gama de possibilidades para ter uma senescência saudável. “As vezes a família percebe seu ente depressivo ou irritadiço, sabe que atualmente existem  condições (medicamentosas e psicoterápicas) que podem ajudar neste momento. Trata-se de  idosos mais conhecedores de si mesmos e humildes, que já venceram o tabu de que procurar ajuda é para fracos, e reconhecem que isto só os fortalecem”, ressalta a especialista.

Outros idosos não ficam esperando que a família possa suprir tudo o que necessitam, e procuram por um médico. “Elas também procuram alguém que escute suas dificuldades, medos, fantasias, bem como ,buscam apoio e maneiras para lidar com as vicissitudes deste momento da vida”.
A mídia tem investido e contribuído muito em todos os assuntos sobre idosos. “O nosso país onde a maioria era jovem, terá futuramente uma população idosa. É preciso que reflitamos em recursos para dar conta das necessidades emocionais, sociais, físicas, estruturais, econômicas, entre outras”, coloca.

Através da psicoterapia eles sentem-se mais “normais” com suas peculiaridades e também reconhecem que não se aposentaram da vida, e sim de um determinado tipo de trabalho.  “Existindo ainda um tempo muito grande para novas conquistas e realizações”.


O tratamento é indicado não apenas no caso de idosos, mas para qualquer pessoa que deseja pensar, ouvir e entender sobre sua vida,  com foco para aqueles que acham que poderiam mudar ou melhorar sensações e sentimentos internos para viver melhor, e que precisam buscar soluções para seu cotidiano e não conseguem sozinhos.

A população idosa, até então, era mais resistente ao tratamento, devido aos conceitos e preconceitos mais cristalizados, o que de certa forma requer do profissional mais tolerância, ousadia e criatividade na condução do processo.  “Quando percebem que estão se sentindo melhor, que tem um espaço de escuta importante e conseguindo visualizar possibilidades até então não percebidas, fazem a adesão. Um dado importante é que normalmente este trabalho tende há durar menos tempo, porque a psicoterapia é mais pontual, com foco definido. Não visa alterações estruturais de personalidade, o que seria impossível neste momento de vida, e também porque a disponibilidade interna destes pacientes ainda não é tão grande, embora já tenha aumentado com o tempo”, esclarece.

Existem diferenças entre a aplicação em idosos e pacientes mais novos, já que entre os mais jovens as resistências são menos cristalizadas e as defesas mais fáceis de serem derrubadas. “A disponibilidade para este tipo de tratamento é maior, e até a capacidade cognitiva (mental) mais preservada ajuda muito a eficiência do processo psicoterapêutico”, ressalta.

 Vanda ainda explica que a partir do momento que o homem para de desejar ele morre. “Quando os idosos apresentam vontade para entender, procurar caminhos e buscar dias melhores para conviver com todas as perdas normais do envelhecimento natural, ele está realmente envelhecendo com qualidade de vida e irá usufruir de toda sua parte preservada para ser mais generoso consigo mesmo e com os que o cercam”, finaliza.