dezembro 05, 2010

Filatelia deixa de empolgar as novas gerações

Para o presidente do Departamento de Filatelia e Numismática do Centro Cultural de Botucatu (CCB), Angelo Albertini, as novas gerações estão perdendo o interesse em colecionar selos e moedas antigas.

Na opinião dele, os jovens estão mais interessados em passar o tempo na frente do computador, em sites de relacionamento e redes sociais. “Estão deixando a história de lado”, reclama Albertini.

Na década de 90, as reuniões do departamento chegava a reunir mais de 30 pessoas e atualmente o número de participantes não chega a cinco por semana.

“Tivemos um aumento significativo no quadro de associados no período em que existiam os cartões telefonicos colecionáveis. Coisa que atualmente não temos mais”, ressalta.
Apesar da redução no quadro de participantes, Albertini acrescenta que muitos filatelistas e numismatas estão escondidos. “Acredito que estão acomodados, em suas casas, o que é ruim para o nosso departamento. Posso dizer que deixamos de ter vida social e econômica”, declara.

Albertini ainda acrescenta que o departamento só existe até hoje devido ao grande apoio do Centro Cultural de Botucatu e a força de vontade dos poucos colecionadores. “Sou um pessimista consumado, mas enquanto tiver apoio do CCB continuamos”, diz.

Um dos maiores colecionadores de selo de Botucatu, o historiador Trajano Carlos Figueiredo Pupo, proprietário de um respeitável acervo com mais de 80 mil selos, acredita que as inovações tecnológicas, e a internet tem roubado o tempo dos colecionadores.

“A juventude vem considerando coleções como atividades para velhos e a realidade não é essa”, comenta.

Pupo ressalta que coleções de selos e moedas são importantes por registrarem os aspectos culturais e sociais da comunidade. “São retratos de uma época. Essas atividades dificilmente serão retomadas. O tempo dos adolescentes vem sendo roubado pelos computadores”.

Para o presidente do CCB (Centro Cultural de Botucatu), João Carlos Figueiroa, as reuniões promovidas pelo Departamento de Filatelia, que acontece aos sábados, às 14 horas, na sede da entidade cultural, na praça XV de Novembro, nº 30, mantém a mesma média de participações, desde a sua fundação, na década de 1940.

“Realmente a quantidade de participante aumentou nos anos 90, devido aos cartões telefonicos, mas a quantidade de numismatas e filatelistas ativos, sempre girou entre quatro ou cinco. A ata de fundação do departamento registra essa média”, relata.

Para  ele, as novas gerações não estão deixando de lado essas coleção, mas deixaram de se expor em encontros e usam a internet para a venda e troca de material.