julho 11, 2011

Nota Oficial sobre o assédio para tomar a sede do Centro Cultural

Foi publicado na noite de 11 de julho, na página oficial do Centro Cultural de Botucatu (CCB)  no facebook, uma nota oficial emitida pelo presidente da entidade o historiador João Carlos Figueiroa, uma nota oficial sobre um possível assédio que pode levar o CCb a perder sua sede, na Praça XV de Novembro, nº 30.

Confira abaixo o teor da nota:


"Às vésperas de comemorar seus 70 anos de atividades ininterruptas o CENTRO CULTURAL DE BOTUCATU sofre novo assédio da OAB, com o objetivo de ocupar seus espaços. Por incrível que possa parecer, uma entidade como o CCB, com tantos serviços prestados à comunidade vem sendo tratada como estorvo pela atual direção da Ordem dos Advogados do Brasil, cujas pretensões de expansão incluem a ocupação do andar-sede de nossa entidade. É lastimável!

Desde que assumimos a direção do CCB, com apoio dos pares de diretoria e associados, primamos pela cordialidade e pelo respeito aos espaços, como deve ser um condomínio como este. Entendemos que num condomínio, bastará o reconhecimento dos direitos dos condôminos para que a paz se estabeleça.
  Na infeliz data em que o Conselho Deliberativo do CCB, ainda nos anos de 1980, autorizou que a OAB se estabelecesse sobre seus alicerces e construísse sua sede sobre seu piso superior, sem pagar nada por isso, ninguém poderia imaginar o que passariam as demais diretorias, vítimas das pressões como as de agora.

Nossa diretoria está à frente do CCB há menos de quatro anos, e primou por valorizar os ditames da boa vizinhança. Colaborou como parceira, como boa vizinha, como entidade cidadã. Mas, com altivez, defendeu sua autonomia de instituição independente, fundada a 06 de agosto de 1942, por um conjunto de homens e mulheres que julgava essencial a existência desse núcleo cultural para manter viva a identidade de nosso povo.

Destruída sua primeira sede (Teatro Espéria) pelo pavoroso incêndio de 21 de setembro de 1951, o CCB sobreviveu da contribuição de beneméritos que lhe deram vida e permanência na história de nossa cidade, alugando para ele uma sede, na antiga Casa de Oração da Igreja Presbiteriana de Botucatu.

Seu histórico de lutas garantiu-lhe o apoio dos prefeitos João Reis e Emílio Peduti, ainda nos anos 1960, num reconhecimento emocionante pela sua história e pela sua contribuição. Porque sua sobrevivência é o histórico de um povo disposto a manter suas tradições, raízes de sua cultura e identidade. Não poucos foram os homens e mulheres que entregaram uma existência inteira para mantê-la em funcionamento. Não poucos entregaram parte de seus bens. Não poucos entregaram o melhor de sua juventude para poder mantê-la viva. Não poucos se envergonhariam ao ver os olhares de cobiça sobre este  templo de fomento à cultura botucatuense.

Mas é a verdade:  hoje, tratada com desprezo pelos que deveriam defender a cultura e a identidade como fatores primordiais na formação da cidadania, nossa entidade se vê humilhada e obrigada a dispender o seu tempo em discussões estéreis, sobre matéria já resolvida: O CCB teve sua sede outorgada pelo povo de Botucatu e sobre sua luz as trevas não prevalecerão.

Alguns não pensam assim. Ledo engano: seus espaços conservam o coração botucatuense, flamejante de amor pela nossa terra. Suas paredes, seus pisos, sua biblioteca guardam os segredos de milhares de dias passados na luta de retemperar nossa cultura. Seu destino e porvir estão cunhados na pedra do tempo e seus espaços compõem um dos templos da vida botucatuense, da raça botucatuense. Passarão os tempos e o CCB permanecerá, onde está, sempre renovado, porque a ele acorrerão as novas gerações, sedentas por entender os mistérios que envolvem essas estranhas relações humanas. VIVA O CCB".

João Carlos Figueiroa. Presidente Julho de 2011.