julho 12, 2011

Ética: o manifesto Hacker

O Manifesto Hacker foi escrito em 8 de janeiro de 1986 por um hacker que assina como "The Mentor" e foi escrito  e publicado no underground Ezine Hacker Phrack, após a detenção do autor.

O texto é considerado a pedra angular da cultura hacker, e esclarece sobre a psicologia dos hackers.

O Manifesto serve como guia para hackers, especialmente aos iniciantes na ciência.

O artigo é citado no clássico filme Hackers, de 1995.

Conheça o conteúdo do manifesto:


O MANIFESTO HACKER

"Mais um foi pego hoje, está em todos os jornais. "Adolescente Preso em Escândalo de Crime de Computador", "Hacker preso depois que o banco foi adulterado" ...
Malditas crianças. Eles são todos iguais.
Mas você em sua psicologia de três ângulos em 1950, sempre dar uma olhada por trás dos olhos de um hacker? Você já se perguntou o que o fazia, o que as forças lhe formam, o que pode ter moldado a ele?
Eu sou um hacker entrando no meu mundo ...
O meu é um mundo que começa na escola ... Eu sou mais esperto que a maioria dos outros garotos, alem desta bosta que nos ensinam me chateia ...
Malditos fracassados. Eles são todos iguais.
No ensino médio e no ensino fundamental, eu ouvi os professores explicarem pela qüinquagésima vez como reduzir uma fração. Eu entendo isso. "Não, Sra. Smith, eu não mostrei o meu trabalho. Eu fiz isso na minha cabeça ..."
Maldito garoto. Provavelmente copiou. Eles são todos iguais.
Eu fiz uma descoberta hoje. Eu encontrei um computador. Espere um segundo, isso é legal. Ele faz o que eu quero. Se ele comete um erro, é porque eu estraguei isto. Não porque não gosta de mim ... Ou se sente ameaçado por mim ... Ou pensa que eu sou inteligente ... Ou não gosta de ensinar e não deveria estar aqui ...
Maldito garoto. Tudo que ele faz é jogar. Eles são todos iguais.
E então aconteceu ... uma porta aberta para um mundo ... correndo pela linha telefônica como heroína pelas veias de um viciado, uma pulsação eletrônica é enviada, um refúgio para a incompetência do dia-a-dia é procurado ... uma placa foi encontrada. "Este é ... este é o meu lugar ..."
Eu sei que todos aqui ... mesmo se eu nunca conheci eles, nunca conversei com eles, nunca pode ouvi-los novamente ... Sei que todos vocês ...
Maldito garoto. Amarrando-se a linha telefônica novamente. Eles são todos iguais ...
Pode apostar que somos todos iguais ... temos sido alimentados com colher de comida de bebê na escola quando nossa fome é de bife ... os pedaços de carne que você deixou passar foi pre-mastigado e sem gosto. Nós fomos dominados por sádicos ou ignorados pelo apático. Os poucos que tiveram algo a ensinar os alunos dispostos nos encontraram, mas esses poucos são como gotas de água no deserto.
Este é nosso mundo agora ... o mundo do elétron e do switch, a beleza do baud. Nós fazemos uso de um serviço já existente sem pagar por aquilo que poderia ser baratíssimo se não fosse usado por gulosos aproveitadores, e vocês nos chamam de criminosos. Nós exploramos ... e vocês nos chamam de criminosos. Nós buscamos por conhecimento ... e vocês nos chamam de criminosos. Nós existimos sem cor, sem nacionalidade, sem preconceito religioso ... e vocês nos chamam de criminosos. Você constrói bombas atômicas, vocês fazem guerras, você assassina, engana, e mentem para nós e tentam nos fazer acreditar que é para nosso próprio bem, contudo nós somos os criminosos.
Sim, eu sou um criminoso. Meu crime é a curiosidade. Meu crime é julgar as pessoas pelo que elas dizem e pensam, não como eles se parecem. Meu crime é ser mais inteligente que você, algo que você nunca vai me perdoar.
Eu sou um hacker, e este é meu manifesto. Você pode parar este indivíduo, mas você não pode parar todos nós ... afinal, somos todos iguais."





1. Acreditar que o compartilhamento de informações beneficia a sociedade como um todo. Os hackers compartilham suas experiências e desenvolvem software abertos e livres, facilitando, sempre que possível, o acesso à informação e os recursos disponíveis para computadores. Um dos principais lemas da cultura hacker é: “A informação quer ser livre”. Esse conjunto de crenças deriva em parte do pensamento do filósofo Buckminster Fuller, que disse: “A verdadeira riqueza é a informação e saber como utilizá-la”.

2. Acreditar que penetrar em sistemas por diversão e exploração é eticamente aceitável , desde que não se cometa roubo, vandalismo ou se quebre a confidencialidade. Esse princípio, obviamente, não é unânime, pois muitos do establishment consideram a simples invasão do espaço cibernético alheio como uma ação não ética.

3. Toda informação deve ser livre. Na sociedade de consumo de hoje, tudo é transformado em mercadoria e vendido. Isso inclui a informação. Mas a informação só existe na mente das pessoas. Como não possuo a mente de outra pessoa, não posso comercializar informações. Uma analogia semelhante é a do velho cacique índio Touro-Sentado ao dizer “a terra não pode ser possuída”. O hacker busca informação constantemente e sente prazer em passá-la para quem quer “pensar” e “criar” coisas novas.

4. Desacredite a autoridade e promova a descentralização. Um hacker não aceita os argumentos de autoridade e não acredita na centralização como forma ideal de coordenar esforços.

5. Hackers devem ser julgados segundo seu hacking, e não segundo critérios sujeitos a vieses tais como graus acadêmicos, raça, cor, religião ou posição. Essa é a base da “meritocracia”, expressão muito usada no universo hacker. Se você é bom mesmo, faça o que você sabe fazer e os demais o terão em alta conta. Não apareça com diplomas e certificados que para nada mais servem além de provar que você não sabe do que está falando e tenta esconder esse fato. Essa posição já pode ser vista no Manifesto Hacker: “[...] Sim, eu sou um criminoso. Meu crime é o da curiosidade. Meu crime é o de julgar as pessoas pelo que elas dizem e pensam, não pelo que elas parecem ser. [...]”





6.Você pode criar arte e beleza no computador. Hacking é equivalente a arte e criatividade. Uma boa programação é uma arte única, que possui a assinatura e o estilo do hacker.

7. Computadores podem mudar sua vida para melhor. Hackers olham os computadores como a lâmpada de Aladim que eles podem controlar. Acreditam que toda a sociedade pode se beneficiar se experimentar esse poder. Se todos puderem interagir com os computadores da forma como os hackers fazem, a ética hacker penetraria toda a sociedade e os computadores melhorariam o mundo. O primeiro objetivo do hacker é ensinar à sociedade que o computador abre um mundo ilimitado.

Todos os itens desse código de ética hacker merecem reflexão. Por trás de um espírito anárquico aparentemente simples e ingênuo, ele esconde vários dos maiores lances da grande mudança de paradigma de civilização atualmente em curso. Sobretudo o item nº 3, “Toda informação deve ser livre”. Não mais copyrights, não mais registros nas bibliotecas nacionais, não mais contratos de exclusividade de publicação, não mais processos criminais por violação de direitos autorais. Não é exatamente assim que as coisas já estão acontecendo, aqui-agora, na Internet de todos nós?