julho 08, 2011

O primeiro de tudo é a foto


Considerações sobre o processo criativo
O primeiro de tudo é a foto! Eu a utilizo como matéria prima. É dela que tiro traços, curvas, ângulos e texturas. É também dela que surgem parágrafos, vírgulas, acentos e frases.

Vejo pontos, rachuras e tracejados. Aparecem os personagens, cenas, pretextos; vilões e heróis fazem ponta em cenários nunca antes pisados. As histórias brotam  e nascem os argumentos, despontam os roteiros, eternizo emoções e fatos. A realidade e o imaginário se cruzam, mas evito os adjetivos para abrir caminho aos substantivos, ações e, ao sempre bem vindo, verbo.


Não posso esquecer o movimento! Talvez seja o momento mais importante. Ele mostra o motivo e explica a razão! É a circunstância que precisa ser eternizada. É mágico e simples.
A inspiração antecede a foto, mas é da imagem que surge a narração.

Em meu processo, visualizo a cena e movido pelo sentimento puro da transmissão, como se tomado por uma entidade, começo a trabalhar. A mesma atenção que uma tecelã dedica ao seu tapete eu apresento em minha trama, cada passagem da agulha se compara com a tinta de minha pena.

Como descrever o meu processo criativo? Pergunta difícil. Acredito que seja algo que surge quando tentamos unir amor e ódio, técnica e estilo, só assim vejo nascerem textos dignos.

O processo criativo me acompanha o dia todo, cada cantar de pássaro ou peripécia infantil é digno de nota em meu eterno companheiro: o bloco de anotações. Nos momentos difíceis apelo, faço surgir o gravador, nele registro minhas memórias mais íntimas. Histórias secretas que perseguem o autor. Temas em busca de final e finais em busca de histórias.

O primeiro de tudo é a foto, mas tudo termina, e(m) ponto.

Renato Fernandes