outubro 17, 2011

Movimento Zeitgeist: resposta à ocupação em Wall Street


No dia 17 de setembro de 2011, um movimento de expressão popular de desprezo foi lançado no coração do centro financeiro do mundo em Manhattan, na cidade de Nova Iorque, também conhecido no mundo como a instituição “Wall Street”. A partir de 26 de setembro, houve mais de 80 prisões e muitos casos registrados do que aparenta ser violência e abuso proveniente da polícia e das forças de segurança. No entanto, os manifestantes permanecem vigilantes no que poderia muito bem ser um evento marcante que vai repercutir por um tempo por vir.

O Movimento Zeitgeist gostaria de estender o seu apoio público a esta manifestação.

Enquanto o mundo desperta para um sistema financeiro fracassado com a crescente agitação civil emergente, sem o viés da soberania, religião ou lealdade política, uma perspectiva nova e unificadora está lentamente tomando conta daquilo que transcende o conjunto de valores que muitos de nós falsamente assumimos como sendo empírico para nosso modo de vida.

Com o lento esmagamento da força de trabalho global à medida que a automação de máquinas continua a substituir o trabalho humano em benefício da eficiência de custo das empresas, ao mesmo tempo reduzindo o poder de compra e, portanto, inevitavelmente, sufocando o chamado “Crescimento Econômico”; com a crise da dívida cada vez maior que iniciou-se do sistema de empréstimos de reservas fracionárias e a simples realidade de que o dinheiro é criado a partir da dívida e vendido como mercadoria em troca de juros – juros que, novamente, só podem vir a existir através de mais vendas de empréstimos; com os ameaçadores programas militares crescendo em praticamente todas as grande potências, tanto quanto a crise financeira, associado com uma crise energética de hidrocarbonetos; começam os primeiros indícios de um estágio de conflito global possivelmente nunca antes visto; junto com a psicologia do mercado de consumo de crescimento infinito que continua a permear e distorcer nossos valores e o que significa viver em harmonia com a natureza em um planeta finito…

…talvez seja hora de começarmos a ver que os problemas sociais que temos não são específicos de quaisquer políticas gerais, administração, ou mesmo a tão falada “ganância corporativa”. O problema real que temos é na verdade sistemático, e está nos principais fundamentos que definem nosso Sistema Econômico e a psicologia que é suportada e recompensada.

A ilusão histórica que continua até hoje é que alguém ou algum grupo é explicitamente “culpado”. Em vez de focar nas 400 pessoas que têm mais riquezas que 150 milhões de americanos ou no fato de que globalmente, 1% da população mundial possui mais riquezas que 40%, vamos em vez disso perguntar como tal manifestação é possível e, mais criticamente, porque esperaríamos qualquer outra coisa? Pense nisso.

No fim das contas, é o “Livre-Mercado”, não é? Contrariamente às pressuposições de eficiência estatísticas vazias feitas pela maioria dos economistas de mercado, o Livre-Mercado simplesmente significa que qualquer um pode fazer o que quiser e maximizar o quanto quiser dentro da legislação legal; essa última que, sem dúvidas, também está à venda dentro do livre-mercado; assim como autoridades políticas, instituições reguladoras e qualquer entidade social que você queira considerar.

Nada, exceto maximizar o ganho monetário, é sagrado e a cada momento que uma pessoa ou grupo traz alguma consequência prejudicial ambiental ou social desse sistema para o primeiro plano, distinções pejorativas são geralmente marcadas em suas cabeças para sufocar tal preocupação e assustar outros detratores – como ser chamado de “Socialista” ou “Comunista”.

Além disso, enquanto pessoas em protesto hoje pelo mundo continuam a condenar a influência monetária nos assuntos sociais como a realidade jurídica do lobby empresarial, até mesmo usando termos interessantes como “Corporativismo”, “Capitalismo-camarada” e “Facismo”, eles parecem não entender o que é e sempre foi esse sistema.

O modelo econômico de livre mercado é uma anarquia anticientífica e casual de organização que assume que qualquer pessoa ou grupo com dinheiro suficiente, e portanto poder, será “responsável” em suas ações tanto socialmente quanto ambientalmente. O problema é que a própria definição de ser “responsável financeiramente” na verdade significa ser socialmente e ambientalmente explorador, manipulador e negligente, já que o principal motor desse sistema é a Ineficiência. Quanto mais problemas na sociedade em geral, mais empregos são criados e mais rica a elite superior se torna. Existe uma dissociação empírica do que verdadeiramente é necessário à vida, e nenhuma alteração na configuração principal do incentivo monetário de mercado irá mudar isso.

Em um nível diferente, esse sistema, como uma evolução histórica, é na verdade baseado em um pretexto hegemônico cultural. Uma vez que a vantagem econômica é obtida, ela provavelmente será mantida. É por isso que tudo no sistema favorece os ricos em sua estrutura geral e lógica intrínseca. Enquanto que o público reclama sobre o fato de os principais gerenciadores de fundos de cobertura (Hedge funds, em inglês) faturarem mais de 300 milhões de doláres por ano, eles geralmente não encontram problema com um sistema de juros que recompensa aqueles com altos depósitos e essencialmente cobra taxas daqueles que usam crédito. Enquanto você pode comprar uma casa com um empréstimo, pagando milhares em juros por ano, uma pessoa rica pode fazer um investimento em CDB e receber rendimentos livres de juros simplesmente porque eles têm dinheiro sobrando.

Perpetuação e separação de classes e a divisão da riqueza crescente, não é um subproduto. É inevitável. Na economia de livre mercado, o indivíduo é realmente “livre” para tomar a liberdade dos outros através de meras pressões econômicas geradas pelo jogo. Você é tão livre quanto é o tamanho da sua carteira. O termo “Racismo Institucional” foi criado pelo ativista de direitos civis Stokely Carmichael nos anos 60 referindo-se a frequência com que políticas e estruturas básicas dentro do sistema social comprometeram a prosperidade e igualdade Africana-Americana.

Wall Street em si, que é a manifestação final da busca por dinheiro como uma mercadoria em vez de qualquer forma de criação verdadeira ou contribuição social, é naturalmente uma entidade madura para objeção simbólica que, no mínimo, não deveria existir e certamente não deveria ter o grande efeito que tem na estabilidade da economia global hoje, independentemente das limitações intrínsecas denotadas.

Todavia, isso posto, novamente tem-se que ficar claro que Wall Street e o Sistema Bancário não são a fonte de nossos problemas. Eles são apenas sintomas de um Sistema Econômico que continuará a falhar pela própria gravidade de suas pressuposições ultrapassadas e falsas da conduta humana e das relações ambientais.

A pergunta então se torna, o que colocamos em seu lugar?

Sobre:
O Movimento Zeitgeist é um grupo ativista de sustentabilidade global trabalhando para trazer o mundo unido para o objetivo comum da sustentabilidade das espécies antes que seja tarde. É um movimento social, não é um movimento político, com mais de 110 regionais em quase todos os países. Noções divisivas como nações, governos, raças, partidos políticos, religiões, crenças ou classes são distinções não-operacionais na visão do Movimento. Em vez disso, nós reconhecemos o mundo como um sistema e a espécie humana com uma unidade singular, compartilhando um habitat comum. Nossa intenção geral pode ser resumida em “a aplicação do método científico para interesse social.”

Para aprender mais sobre nosso trabalho, por favor visite http://movimentozeitgeist.com.br
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