dezembro 09, 2011

Hepatite C pode ser evitada


As hepatites são inflamações no fígado que comprometem o funcionamento desse órgão, responsável pela digestão de gorduras, produção de certas proteínas e neutralização de substâncias tóxicas presentes no organismo.

As hepatites ocorrem por causas diversas. As mais comuns são as inflamações virais, dos tipos A, B, C, D ou E. O abuso de bebidas alcoólicas e outras substâncias tóxicas também podem levar à hepatite. Entre possíveis complicações das formas agudas da doença está a cirrose e o câncer de fígado. Em alguns casos, é necessário o transplante do órgão.


As hepatites tipo B e C são as que mais preocupam as autoridades sanitárias, pois evoluem para quadros crônicos, podendo levar à cirrose e ao câncer de fígado, já citados acima. Em casos mais críticos, o doente necessita de transplante. Há hoje, no Brasil, cerca de dois milhões de portadores crônicos da hepatite B e 1,5 milhão de hepatite C, quase oito vezes o número de portadores de HIV.

Na maioria dos casos, as pessoas que carregam o vírus somente são diagnosticadas quando desenvolvem as formas crônicas da doença e o fígado já está comprometido. Isso acontece porque nem sempre os portadores de hepatite B ou C apresentam os sintomas iniciais da doença.

A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de dois bilhões de pessoas já tiveram contato com o vírus da hepatite B. Dessas, 325 milhões tornaram-se portadoras crônicas da doença. Com relação à hepatite C, dados da OMS indicam cerca de 170 milhões de portadores, o equivalente à população brasileira. Para o organismo internacional, essa é a doença crônica infecciosa mais importante hoje no mundo.

As hepatites tipos A e E são transmitidas por via oral, ou seja, pela ingestão de alimentos ou água contaminados por fezes infectadas pelo vírus por isso são comuns em regiões, ou países, onde as condições socioeconômicas são precárias. Medidas sanitárias, como a lavagem e conservação dos alimentos e o tratamento da água e do esgoto, são a melhor maneira de evitar o contato com o vírus. Estes tipos geralmente não evoluem para quadros crônicos.

As hepatites tipos B e D são transmitidas pelo sangue, ou seja, pelo contato com seringas contaminadas, agulhas ou outros instrumentos e por ferimentos. Também pode ser contraída pelo contato sexual e pela transmissão vertical (de mãe para filho). O vírus da hepatite D infecta apenas pessoas que já possuem hepatite B. Em pacientes tipo B crônicos, a infecção pelo tipo D acelera a progressão da doença.

As hepatites B e D podem ser combatidas pela vacinação. Ela é administrada gratuitamente pelo SUS em pessoas menores de 20 anos e naquelas que têm mais risco de contrair a doença, como portadores de hepatite C, trabalhadores das áreas da saúde, profissionais do sexo e pessoas que compartilham agulhas e seringas no uso de drogas injetáveis.

A hepatite C também é transmitida pelo sangue, por meio de seringas contaminadas, transfusões e ferimentos. Há ainda a transmissão vertical (de mãe para filho) sendo que a transmissão por via sexual pode acontecer, mas é rara. A maior parte dos pacientes não desenvolve os sintomas comuns do início da doença. Por isso, só descobrem a doença após 20 anos da infecção, quando já apresentam quadro crônico.

Os principais sintomas são comuns a todos os tipos das hepatites virais e se assemelham aos de uma gripe forte. Ou seja, a pessoa sente cansaço, fadiga e sonolência. Algumas têm febre e dor abdominal. O corpo pode ficar amarelado, principalmente os olhos, a urina tem a cor escura e as fezes são brancas.