fevereiro 27, 2012

Imprensa's Bar vai fechar em março

Renato Fernandes

     Ondina e Manuel traçam novos rumos profissionais     
O “Imprensa’s Bar”, um dos mais tradicionais pontos de encontro da noite botucatuense, fechará as portas no dia 10 de março, cinco meses antes de completar 20 anos.

O motivo, segundo os proprietários, Manoel Messias Ferreira Lima e Ondina Lopes Lima,  é o desgaste de atuar na noite. “Já vínhamos pensando em encerrar as atividades e seguir outros rumos, foi quando o proprietário pediu o prédio e decidimos que realmente havia chegado a hora de descansar”, diz Manoel.


O bar, que mantém características modestas, teve seu auge na década de 90, conquistou freguesia e mantem clientes fiéis desde a sua fundação. “Assisti gerações sentarem em nossas mesas. Temos pessoas que vinham ao bar na juventude, trouxeram amigos de faculdade quando começaram a estudar, nos apresentaram para suas noivas e hoje frequentam o bar no início da noite com seus filhos”, diz Manoel.

O empresário  tem a fama de rir pouco. São raros os clientes que afirmam terem visto o Manoel sorrir, porém durante a entrevista a emoção era aparente, olhos lacrimejantes enquanto relembrava histórias.

“Quando começamos a atender, tínhamos que selecionar a freguesia, não queria gente com índole duvidosa ou que pudesse comprometer o bom andamento do estabelecimento. Tinha que deixar isso bem claro e a forma encontrada era manter pouco diálogo. Com o passar dos anos isso mudou e viramos amigos da maioria dos frequentadores”, explica.

A fidelidade dos clientes e o clima hospitaleiro, garantido pela iluminação baixa e poucas mesas, deram ao local ambiente adequado para a conversa entre amigos, reunião de artistas, tribos alternativas, ou simplesmente grupos de pessoas em busca de diversão.

“O que aconteceu aqui ao longo desses quase vinte anos daria muitos livros e risos. Foram duas décadas cansativas, mas inesquecíveis onde cada minuto valeu a pena”, garante.
Em quase duas décadas, o Imprensa’s enfrentou muitas crises e o empresário confessa que já pensou em fechar as portas em outras épocas.

“Há cerca de 5 anos, havíamos pensado em encerrar as atividades, assistimos outros bares abrindo pela Cidade e os clientes saírem de nossas mesas. Mas o que percebemos é que todos retornavam e isso, somado ao apelo dos clientes, nos motivou a dar prosseguimento na luta. Acho que o segredo é que sempre toquei o bar no meu estilo, com muito jogo de cintura e persistência  durante as crises”, comenta.

Felizes pelo sentimento de dever cumprido e por ter conseguido gravar o nome na memória de toda uma geração, Manoel e Ondina seguirão outros caminhos, o empresário retornará às origens de eletricista e a esposa à profissão de esteticista, antes, porém, prometem descansar alguns meses em algum lugar longe da agitação noturna.

“Agradeço a todos que nos deram a preferência e nos acompanharam ao longo dessa história, vamos sentir muitas saudades, mas chegou a hora de mudar de ramo e dar uma boa relaxada”, diz Manoel. “Já estamos sentindo saudades, cada noite que abrimos as portas e recebemos nossa freguesia são momentos de muita emoção. Cada atendimento já pode ser um adeus. Já estamos com saudades”, despede-se Ondina, com olhos lacrimejantes.

Bar foi batizado por jornalistas do 'Diário da Serra'

Poucos têm conhecimento da origem do nome Imprensa’s. Para quem não sabe, esse nome foi dado por jornalistas do jornal semanal Correio da Serra, que posteriormente trocou de nome para Diário da Serra. Na época, a redação do jornal  funcionava na rua Quintino Bocaiúva,  e na esquina  com a avenida Dom Lúcio existia a Lanchonete Papão, que era de propriedade do Manoel Messias. “Costumávamos fechar a edição e ir ao Papão para tomar uma cerveja e discutir os assuntos da edição seguinte. Isso geralmente ocorria na madrugada”, explica o empresário do ramo gráfico, e ex-diagramador do Correio da Serra, Edilberto de Oliveira Gomes.

Segundo ele, em uma dessas visitas ao bar, a equipe de redação estava reunida em uma mesa quando recebeu uma triste notícia. “Apenas os jornalistas estavam no bar quando o Manoel  informou de que havia acabado a sociedade e que o Papão seria fechado, mas ele e a esposa Ondina abririam um novo bar, porém ainda não sabiam o nome que dariam a esse novo espaço. Foi quando o Gervásio (Manoel da Silva -    um dos jornalistas da equipe  de redação) sugeriu Imprensa’s. A rotina de tomar uma cerveja após o fechamento do jornal apenas mudou de endereço e a redação encontrou um ambiente com nome adequado para os encontros”,  revela.

Manoel  Messias confirma a história  e relembra dos detalhes. “O jornal ficava a poucos metros do Papão e o nome Imprensa’s soou muito bem. Uma justa homenagem  à esses clientes ilustres e que continuaram a se reunir em bando no novo endereço”,  comenta Manoel.