setembro 21, 2012

A presença de Ielo é o mais importante; quem será o mediador é apenas detalhe

Pedro Manhães

As justificativas do ex-prefeito Antonio Mário Ielo (PT) para não participar da série de entrevistas e do debate organizado pelo Diário da Serra e Clube FM, em parceria com a TV Alpha e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) não encontram qualquer fundamento quando se analisa o longo histórico deste jornal (Diário da Serra) na promoção de eventos dessa natureza.

O ex-prefeito alegou tanto na reunião preparatória, como no documento com seus motivos para não participar dos evento (publicado na edição de ontem), que o Diário não possui "expertise" na organização desse tipo de evento e que eu, Pedro Manhães, editor deste jornal, não teria a isenção necessária para mediar este que com certeza será o grande encontro entre os candidatos a prefeito de Botucatu.

Basta voltar 20 anos no tempo para constatar de forma clara e inequívoca que as ilações paranóicas do candidato do PT não possuem qualquer tipo de comprovação na história dos debates que já foram realizados por este jornal.

Nas eleições de 1.992, disputada por 6 candidatos, promovemos em parceria com a rádio PRF-8 e a OAB, o primeiro debate entre candidatos a prefeito que se tem notícia na história da cidade. Um momento marcante. Inesquecível.

Naquele ano, os então candidatos Antonio Jamil Cury (PSDB), Junot de Lara Carvalho (PTR), Eugênio Monteferrante Neto (PRN),  Valdemar Pereira de Pinho (PT) e Jair Maschetti (PST) debateram durante quase
3 horas mostrando suas posições, propostas e diferenças. Como é um direito de qualquer postulante ao cargo, um dos candidatos daquela eleição, Milton Bosco (PMDB), não compareceu.

De lá para cá, em todas as eleições o Diário tem estruturado debates e projetos com entrevistas exclusivas com os candidatos a prefeito em parceria com emissoras de rádio e televisão, como aconteceu em 1996, em parceria com a TV Bandeirantes e no ano 2.000, em parceria com a TV Record. Mário Ielo, como candidato, participou desses debates.

Mas com certeza o ponto alto deste jornal na organização de debates realmente aconteceu nas eleições de 2008, quando foram realizados quatro eventos, dois em parceria com a Rádio PRF-8 (em um deles fui o mediador) e outros dois em parceria com a Clube FM (em ambos atuei como mediador).

Os eventos realizados em parceria com a Clube FM tiveram como palco o Cine Nelli (foto acima), com uma produção impecável, elogiada com ênfase por todos os candidatos e assessores, conforme demonstram as gravações feitas na época. O primeiro foi realizado no dia 1º de setembro e o segundo no dia 1º de outubro, poucos dias antes da eleição.

Apesar de Ielo discordar - dizendo que havia claque paga para aplaudir com entusiasmo um dos candidatos - a verdade que todos os outros viram, menos ele, é que o cinema estava lotado, parte dele com convidados dos candidatos, outra parte por lideranças empresariais, sindicais e dirigentes de entidades sociais do município, que foram convidados pelos organizadores.

Do lado de fora, com o quarteirão fechado, para impedir a passagem de veículos, as torcidas e os militantes de todos os candidatos puderam acompanhar confortavelmente, através de um telão, o que acontecia do lado de dentro. Uma grande festa da democracia. Um jogo limpo, franco, bonito e muito emocionante.

Todos os candidatos a prefeito participaram daquele grande momento. Valdemar Pereira de Pinho (PT), Lourival Panhozzi (DEM), Milton Bosco (PV) e João Cury Neto (PSDB). Nenhum deles fez qualquer insinuação sobre a lisura, a transparência, o profissionalismo e a qualidade do trabalho feito pelo mediador do debate ou qualquer tipo de crítica aos organizadores.

Dizem os analistas da política botucatuense, que aqueles debates foram decisivos para definir quem seria eleito prefeito de Botucatu. E provavelmente tenham sido mesmo. Mas quem decidiu que eles seriam decisivos para definir o futuro prefeito não foram os organizadores e, com toda certeza, não foi o mediador do debate: foi o eleitor de Botucatu, que munido de sua sabedoria, acompanhou, prestou atenção, comparou o que cada um dizia e na hora de votar fez o que achou que era melhor para a sua cidade.

Em 2012, não será diferente. A menos de 10 dias do final da campanha eleitoral, o debate e a série de entrevistas programadas pelo Diário/Clube FM/TV Alpha e OAB vão prender a atenção da cidade. E se para que este grande encontro aconteça por inteiro é preciso atender aos caprichos de um dos candidatos, que assim seja.

Existem pessoas que acham que o único relógio do mundo que diz a hora certa é o que está no seu pulso; que as únicas ideias que fazem sentido para a humanidade são as que brotam da sua mente; que tudo o que os outros fazem é feito do jeito errado, com segundas intenções, com falta de ética. São pessoas que enxergam a si mesmos como uma bússola infalível que mostra que o lado certo do mundo, o tempo todo, é sempre exatamente aquele onde ele está.

Eu não misturo as coisas. Nunca misturei. O leitor do Diário sabe disso. Alguns aloprados que navegam pelas redes sociais reproduzindo o que escutam de orelhada não tem a obrigação de saber. Foi assim em 2008, foi assim em 2010, está sendo assim agora. Vejo um monte de gente que não me conhece, que eu nunca vi na vida, tentando me transformar em um manipulador das multidões. Não tenho esse poder. Não exerço este papel. Não tenho vontade de discutir a minha vida com quem parece me conhecer mais do que eu mesmo. Nada como um dia após o outro. Gosto do debate público, não tenho paciência nem tempo para dar atenção para conversa rasteira.

Em 2010, como pode acontecer com qualquer cidadão brasileiro em pleno gozo de seus direitos políticos, fui convidado a ser candidato a deputado federal e me filiei, com muito orgulho, ao Partido Verde. Ao término daquela eleição, a direção estadual do PV pediu que eu assumisse a presidência do partido na cidade. Aceitei. Enquanto os filiados do PV acharem importante que eu fique nesta posição, continuo. Se eu achar um dia que é um fardo muito pesado, abro mão, pego meu boné e saio de cabeça erguida.

Eu gosto de discutir assuntos políticos, de dar palpite sobre os rumos da minha cidade, de me reunir com pessoas que pensam diferente para imaginar como nossa cidade poderia ser daqui 10, daqui 20 anos se a gente plantasse algumas sementes novas e regasse direito neste momento chamado hoje. É apenas essa minha participação política.

Tenho minhas opiniões, minhas preferências, meus desafetos e como qualquer cidadão desta cidade, no dia 7 de outubro vou escolher um dos candidatos a prefeito e um bom candidato a vereador para receber o meu voto. Como a cidade é pequena, muita gente sabe em quem vou votar. Não preciso esconder isso de ninguém. Não há nenhum crime nisso.
Mas quero deixar claro que também existe um outro lado da minha vida, que se chama vida profissional. Sou um homem de comunicação, editor de um jornal que o leitor respeita, paga pra ler. Começamos como um pequeno semanário, hoje somos um diário, coisa rara em cidades do nosso porte. Somos uma empresa pequena, que sobrevive com dificuldades, mas persiste querendo fazer um jornal plural, que abra espaço para todas as correntes de opinião. Queremos sempre participar da vida da nossa comunidade apoiando boas causas, ajudando a melhorar a vida das pessoas que vivem aqui.

Este jornal não tem lado, nunca teve, nem mesmo quando seu editor foi candidato a deputado existiu qualquer privilégio na linha editorial. Aqui, isto é princípio. Em 20 anos, convivemos com cinco prefeitos diferentes. Todos eles passaram por momentos em que tiveram que explicar para a sociedade, através deste jornal, algumas de suas atitudes. Alguns fizeram isso como algo natural, que faz parte da função pública que ocupam. Outros, infelizmente, levaram para o lado pessoal, elegendo o jornal e as pessoas de valor que aqui trabalham como inimigos. Um inimigo que precisa ser derrrotado.

Seja bem-vindo, Mário Ielo. Sem a sua presença este debate não teria o mesmo brilho. Que bom que Botucatu vai poder ter mais uma oportunidade de conhecer você melhor. Afinal, é você, o João e o Bilo que a cidade quer ouvir. O mediador é apenas um detalhe insignificante.