outubro 23, 2012

Divergência no diretório e com Ielo, provocam saída de Renato Caldas e outros filiados do Partido dos Trabalhadores


Haroldo Amaral

Depois de ter perdido a eleição, o Partido dos Trabalhadores também vai perder filiados e dirigentes. Esta semana o partido deve receber aproximadamente 15 pedidos de desfiliação. Entre os que estão saindo, petistas históricos como Renato Caldas, que já foi presidente do PT por três vezes e o secretário Luiz Fernando Verpa.

“Por enquanto, que já nos procuraram, são mais de 15 pessoas. Qual o motivo da saída? Pelo menos em meu caso particular, constatei que o que estava sendo defendido no partido era um projeto pessoal do ex-candidato a prefeito e não partidário. A partir daí, quando o partido torna-se instrumento pessoal, não faço parte. Estou em um partido para defender projeto partidário. A partir do momento em que existe essa particularização, ou seja, tornar individual um projeto politico, não há motivo para que eu continue”, afirmou o advogado Renato Caldas.


A saída começou individual, mas aos poucos, as pessoas mais próximas ao vice-presidente e secretário petista acompanharam. Caldas diz que manteve silêncio sobre a decisão até encerrar o processo eleitoral. Duas semanas depois o advogado explica que seu afastamento no início da campanha já era a sinalização de que ele discordava dos rumos agressivos e centralizador da campanha.

“Tinha discordância pela forma como estava sendo conduzida a campanha, uma truculência desnecessária, uma atitude questionável em relação à imprensa. Discordei dos rumos dessa campanha e preferi ficar fora e só comunicar a divergência após a eleição”, afirmou. Caldas disse ainda que embora discordando do personalismo e aparelhamento do partido, votou em Mário Ielo.

A saída do grupo de 15 pessoas começou a ser considerado por petistas ainda durante a eleição. “Várias pessoas começaram a discutir e discordar dos métodos que estavam sendo utilizados pelo partido. Na realidade essas pessoas me procuraram ainda durante o período eleitoral e a decisão foi amadurecendo. A partir daí foi constatada a semelhança de ideias entre as pessoas e resolvermos sair.

Além do grupo alinhado com Renato Caldas (que por diversas vezes fez campanha para o deputado federal e atual ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso), sairão outros partidários que se sentiram excluídos no processo eleitoral. “Outras pessoas também sairão ao seu tempo, não há nenhuma articulação, não há ninguém pressionando, óbvio, mas tenho informações de mais filiados saindo do PT pelos mesmos motivos”.

Respeito – Renato Caldas tem longa história de atuação política na cidade. Ele foi líder estudantil secundarista, atuou em diretório acadêmico e foi presidente do PT, partido que está filiado desde meados dos anos 1980. O primeiro partido que Caldas esteve filiado foi o extinto Partido Humanista.

O advogado afirma que mantém respeito pelo PT e que sua saída não tem nada a ver com o escândalo do mensalão. Ele ressalta que a divergência é exclusivamente municipal.
“Existe um grande respeito pelo Partido dos Trabalhadores, mas infelizmente a maior motivação para sairmos foi a impossibilidade de trabalharmos novas ideias no atual diretório do PT de Botucatu. Quando você verifica que existe, mesmo um partido derrotado nas eleições e não sabe avaliar quais foram os motivos da derrota, perceba que fica complicado permanecer nele. Quero frisar que não é por discordância dos temas nacionais ou por problema de ‘mensalão’, não é isso. O que me faz sair do PT hoje é exclusivamente a questão municipal. Agora, com a derrota, a segunda seguida, é hora de o partido repensar e reinventar, mas isso, não vejo sendo feito”, comentou

Caldas diz que ainda não foi o definido rumo político do grupo

Renato Caldas negou que seu desligamento do Partido dos Trabalhadores esteja relacionado ao fato dele não ter sido indicado à vaga de vice-prefeito, como defendiam alguns petistas, que desejavam uma chapa ‘puro sangue’. Nesse caso, um dos nomes ventilados era do advogado. Ele alega que o motivo foi ‘um diretório omisso’.

“Primeiro nunca apresentei meu nome como vice do partido (nas eleições). Fui contrário à coligação apresentada, tem meu voto registrado, achava que não era essa a melhor coligação. Votei no candidato do PT no dia 7 de outubro. De fato questiono a campanha como todo e a falta de participação dos filiados. Sai e outros saíram por falta de contato do candidato e direção do partido, inclusive na elaboração do plano de governo e o comando da campanha. O diretório foi omisso, não é só para o candidato. Aliás, cabe ao diretório ou executiva do partido corrigir os rumos de campanha. A partir do momento que não sou mais convocado para reuniões, não existiam reuniões da campanha, preferi me retirar.

Caldas diz que ainda não houve qualquer discussão sobre entrada organizada do grupo aos partidos existentes na cidade. Ele ressalta que muitos terão caminhos partidários semelhantes, porém outros que discordaram da campanha e divergem da direção, tomarão outros rumos.

“Vou continuar fazendo política, mas agora vamos discutir para onde vamos e como vamos, talvez até partido novo, ainda não tem nada definido, mas vamos nos reunir para discutir isso, quem sabe até um partido novo, embora alguns já tenham declarado entrada em alguns partidos de esquerda. Fiquei a campanha inteira sem manifestar. Se saísse antes, poderiam dizer que abandoei o barco porque se perdeu a eleição, mas quero deixar claro que os motivos foram a desarticulação e o uso do partido para interesses pessoais.

Surgiram informações de que o PSD seria uma alternativa, negada pelo advogado. “Nunca pensamos no PSD. Pensamos em um partido novo. Quando falamos em partido novo, nos referimos às novas ideias e o PSD não tem essa característica. Não foi ou é nosso interesse. Além disso, o PSD teve uma postura de assessoria à campanha dos Partido dos Trabalhadores e, portanto não nos interessa”.

Do grupo que apoiou o PT na eleição de outubro, Renato Caldas elogiou os integrantes do PRB (Partido Republicano Brasileiro), mas negou que esse seja o destino do grupo. “Existem outros partidos que foram importantes nessa coligação, que é o PRB. Tenho profundo respeito por alguns dirigentes desse partido, mas também não estou almejando ou dizendo que vamos para esse partido, eles tem o meu respeito, mas sobre o PSD nem foi pensado”.

Outro lado – Na manhã de sábado (20), o presidente do Partido dos Trabalhadores, Carlos Ramos e o ex-prefeito Mário Ielo foram procurados pela reportagem, mas não atenderam as ligações em seus celulares.