janeiro 29, 2013

Álcool líquido fora das prateleiras em fevereiro


A partir do dia 1º de fevereiro o álcool líquido, não será mais encontrado nas gôndolas dos supermercados, ele será substituído pelo álcool gel. Isso ocorrerá devido à proibição da venda do produto pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Além da comercialização a medida também representará o fim do produto já que também será proibida a fabricação do álcool líquido no país. Segundo a agência, o principal objetivo é reduzir o número de acidentes, queimaduras e ingestão acidental, envolvendo principalmente as crianças.


A polêmica em torno do álcool líquido teve início em 2002, com uma resolução da agência proibindo a venda do produto. Porém a resolução  foi suspensa por decisão judicial a favor do setor industrial.

Em agosto do ano passado, a Justiça Federal derrubou a decisão e acabaram as possibilidades de recursos, dando às indústrias prazo até o dia 31 de janeiro, para a retirada do produto das prateleiras.

A decisão agradou os consumidores botucatuenses. “Se é para a segurança a medida é bem vinda. Conheço o caso de uma amiga que brincava de queimar formigas e acabou sendo vítima de um acidente ainda na infância e tem marcas até hoje. Poderemos perder algumas funcionalidades como acender a churrasqueira, mas no final de contas vai valer a pena”, opina o auxiliar de prensa, Eliandro Dutra (37).

Para o aposentado Hélio Ramos (67), a proibição é uma bobagem. “Temos que ver as estatísticas de acidentes com álcool líquido, e analisar se realmente justificam as campanhas. Se não encontrarem o álcool líquido nas prateleiras, o pessoal vai aderir ao etanol quando precisar colocar fogo na churrasqueira, por exemplo. Não acredito que existam pessoas capazes de beber esse tipo de álcool”, defende.

Branca Mendes (56), diz que utiliza o produto única e exclusivamente para a limpeza e acredita que a mudança realmente vai trazer benefícios.

“Ouvimos muitas histórias de acidentes com álcool e se temos como evitar então devemos prevenir. Acho o álcool gel mais prático e seguro, sou extremamente favorável à proibição”, comenta.

Outra consumidora que prefere o álcool gel ao líquido para as atividades domésticas é Teresinha Torcinelli (60). “Acho que demorou muito tempo para tomarem essa decisão. Quem tem criança em casa sabe os riscos que o álcool líquido traz, ele é perigoso”, comenta.

A partir do dia 1º fevereiro, todo estoque irregular no mercado será recolhido. O consumidor que encontrar álcool líquido para venda poderá comunicar a Vigilância Sanitária Municipal.

As empresas que não se adequarem à norma serão notificadas por irregularidade e, por consequência, sofrerão o cancelamento dos registros.

A medida visa reduzir o número de acidentes e queimaduras geradas pelo álcool líquido, com alto poder inflamável, além da ingestão acidental. Entre as maiores vítimas estão as crianças que se envolvem em acidentes domésticos. A norma também determina que o produto líquido que continuará no mercado tenha uma substância desnaturante que o torna intragável.

A medida atinge apenas o álcool líquido com gradução maior que 54° GL; dessa forma, o álcool nessa graduação só poderá ser vendido na forma de gel. Os produtos comercializados para fins industriais e hospitalares continuam liberados. Também pode ser comercializado para o consumidor final o álcool de 54° GL em embalagens de no máximo 50 mililitros. A decisão judicial ainda poderá ser contestada em tribunais superiores.