fevereiro 21, 2013

Simuladores deixarão a CNH mais cara este ano


Tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) deve ficar mais caro no segundo semestre devido à obrigatoriedade do uso de simulador nas aulas de habilitação a partir de julho. A afirmação é do presidente da Federação Nacional das Auto-escolas e Centro de Formação de Condutores (Feneauto), Magnelson Carlos de Souza e confirmada pelo especialista em Legislação de Trânsito, com atuação junto ao CFC (Centro de Formação de Condutores) de Botucatu, João Luís Moretto.


“O equipamento é caro, custa em torno de R$ 30 mil cada e para atender a demanda de Botucatu, cerca de 200 pessoas tirando habilitação por mês, precisaremos de pelo menos três equipamentos. Esse valor, sem dúvida será repassado no valor da CNH”, diz Moretto.

Atualmente o valor médio da carteira de habilitação simples, apenas para carros fica entre R$ 1 mil  e R$ 1.500, para carro e moto o valor sobe entre R$ 1,500 e R$ 1.700, lembrando que esses números se referem apenas ao custo da auto-escola, sem contabilizar o valor de outras exigências, como exame médico (R$ 64), psicotécnico (R$ 75) e as aulas no CFC (duas vezes de R$ 190).

Com os simuladores o valor tende a subir entre R$ 250 e R$ 300, considerando o valor médio da aula prática nas ruas da cidade, que fica entre R$ 50 (avulso) e de R$ 35 a R$ 40 (em pacotes promocionais) e a quantidade de aulas necessárias nos simuladores, cinco aulas.

“É difícil falar em valores mas sem dúvida não irá fugir muito do que aplicamos atualmente nas aulas práticas de condução de veículos”, antecipa Ademir Toani, responsável por uma das mais tradicionais auto-escolas da Cidade.

Reduzindo os índices - A coordenadora-geral de Qualificação do Fator Humano no Trânsito do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Maria Cristina Hoffmann, tem afirmado em entrevistas que a implementação do simulador faz parte de uma série de ações do governo para alcançar a meta estipulada, em uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU), de reduzir em 50% mortos e feridos em acidente de trânsito. A resolução foi assinada por 178 países, inclusive o Brasil.
Para Toani os simuladores realmente auxiliam os alunos a ganhar confiança para enfrentar o trânsito e as aulas práticas nas ruas.
“Na década de 1970 já tivemos a obrigatoriedade de simuladores, eram equipamentos menos sofisticados, mas que garantiam maior segurança aos alunos no momento de encarar as ruas. Vejo com bons olhos os simuladores e acredito que realmente eles podem se transformar em um experiência positiva na redução de acidentes”, diz.
Moretto, diz que o prazo para a implantação dos simuladores pode ser adiado, devido à homologação dos equipamentos pelo Denatran. “Ainda não foram credenciadas as empresas que irão certificar os fabricantes do simulador, por essa razão acredito que o prazo para a obrigatoriedade das aulas ainda pode sofrer alteração”, avalia.

História - Os estudos para o projeto do simulador de direção foram encomendados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) no fim de 2009 e ficaram a cargo da Fundação Certi, braço da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

O objetivo do equipamento é garantir ao condutor condições para se familiarizar com as habilidades básicas de direção, como trocar de marcha, uso do freio de mão e o pisca-alerta.

Estudo conduzido pelo National Center Injury, instituto do governo americano, mostrou que o uso do simulador pode reduzir pela metade o número de acidentes envolvendo motoristas recém-formados. O uso deste tipo de aparelho já é comum em países europeus e nos Estados Unidos desde o início da década de 2000.