março 16, 2013

Gal Costa sobe ao palco do Sesc Piracicaba com o show Recanto


No dia 21 de março, a cantora Gal Costa faz show de seu mais recente disco “Recanto” com apresentação no Sesc Piracicaba. O trigésimo disco de sua carreira traz músicas escritas pelo parceiro Caetano Veloso e co-produção de Moreno, filho de Caetano e seu afilhado.


Concebido e dirigido por Caetano Veloso, o espetáculo apresenta músicas do recente lançamento e resgata sucessos da carreira da artista. Além das canções novas, “Madre Deus” e “Mansidão”, destaque para alguns clássicos como “Da Maior Importância”, “Divino maravilhoso”, “Folhetim”, “Barato Total”, “Dom de Iludir”, “Baby”, “Vapor Barato”, “Força estranha” e “Meu bem, Meu Mal”.

No palco, Gal é acompanhada por Domenico Lancellotti (bateria e MPC), Pedro Baby (guitarra e violão) e Bruno Di Lullo (baixo). Com sonoridade experimental, “Recanto” mistura rock, programações eletrônicas e dub-step à MPB. A cantora reafirma a excelência de sua voz, brincando como na música “Autotune Autoerótico”, que faz uso do software de ajuste de voz, com “não, o autotune não basta pra fazer o canto andar pelos caminhos que levam à grande beleza”.


“Recanto” nas palavras de Caetano Veloso:

“Quando voltei do exílio londrino, me apresentava usando batom vermelho. Meu cabelo descia até os ombros e era repartido no meio. Um retrato vivo de Gal, pensado como uma homenagem a ela ter encarnado os tropicalistas expatriados durante aqueles anos.

O disco é meu trabalho composicional de agora. Quis fazê-lo com o som da voz dela. Não se tratava de meramente relembrar o passado de Gal, mas de produzir com ela uma peça que fosse forte como expressão atual e, assim, estivesse à altura do nosso histórico. Sonhei com isso por um bom tempo.

Finalmente comecei a compor e a imaginar arranjos e sonoridades. Tudo fluiu muito rápido (o tempo que tomamos foi para fazer tudo com naturalidade, interrompendo para cumprir nossas agendas apertadas e voltando a pôr a mão na massa quando estivéssemos relaxados).

As letras desse disco são ao mesmo tempo muito diretas e um tanto enigmáticas. Não pude evitar. “Recanto escuro”, que é uma biografia cifrada da própria Gal (mas tem elementos de minha própria biografia), foi composta primeiro sem palavras. Todas as letras me surpreenderam à medida que foram se construindo.

No mais, deixamos Gal soar como ela soa. E aqui particularmente sóbria. Basta-lhe o timbre e o relaxamento. Sem intenções interpretativas óbvias e sem demonstrações de capacidade musical. Quanto mais simples, mais simplesmente Gal, maior a integração com os sons às vezes ásperos, às vezes etéreos da eletrônica.

As únicas canções não inéditas são “Madre Deus” e “Mansidão”. A primeira foi feita para o bale “Onqotô”, do grupo Corpo, onde ela aparece gravada por Ze Miguel Wisnik. A segunda foi escrita para Jane Duboc, que a gravou já faz anos. Foi tudo um sonho meu. Mas ouvir o que a turma que reuni aprontou para Gal, sobretudo tendo dois dos meus filhos envolvidos, me faz sentir que me aproximei mais do que entendi sobre nosso grupo núcleo, Gil, Bethânia, Gal e eu, desde que começamos à beira da Bahia de Todos os Santos.”