abril 19, 2013

Botucatuense fala dos momentos de terror no atentado contra Boston


O corredor botucatuense André Cariola, participou da Maratona de Boston, e conta sua experiência pessoal no atentado que aconteceu na segunda-feira (15), na principal cidade do estado de Massachusetts, no nordeste dos Estados Unidos,  quando duas bombas preparadas com panelas de pressão estouraram perto da linha de chegada da competição.


O atentado, que vitimou 183 pessoas, teve potencial destrutivo otimizado por explosivos preparados com pregos e pedaços de metal, provocando ferimentos muito graves nos membros inferiores das vítimas. Algumas pessoas atingidas pela explosão tiveram as pernas de maneira imediata.

Cariola conta que começou a correr em 2006 em corridas de rua de SP e entre as primeiras provas de dez quilômetros e a primeira maratona foram três anos de treinamento.  “Quando as bombas explodiram eu estava a caminho do meu hotel. Eu passei pela linha de chegada cerca de 45 minutos antes do atentado. Gastei mais de meia hora para pegar a medalha, retirar minhas coisas do guarda-volumes e me trocar. Quando estava no taxi a caminho do hotel cruzei com dezenas de carros e motos de polícia rumando em direção ao local da prova. Fui saber o que havia acontecido assim que cheguei ao hotel e liguei a TV”, explica o atleta.

O atleta revela que ainda está tentando entender o que aconteceu. “Ainda estou um pouco perplexo. Nunca imaginei que poderia enfrentar um ataque terrorista. Por morar em São Paulo estou acostumado com outros crimes, mas não com terrorismo. O que me deixa mais chateado é que o povo de Boston e da região (a prova começa na cidade de Hopkinton e termina em Boston) não mereciam isso”, opina.

André revela que a relação da população local e até mesmo das crianças com a competição reflete um espírito de cooperação pouco visto. “Durante os 42 quilômetros da competição, a população acompanhou a prova em peso, as crianças ajudavam os atletas distribuindo água, frutas, géis além de estarem sempre gritando e torcendo por nós.  Nas minhas sete maratonas anteriores, entre elas Chicago e Paris, ambas com cerca de 35000 participantes, apesar da grande participação popular não se igualam à presença dos moradores da região de Boston.  No dia seguinte à prova ao andar na rua vários moradores vinham pedir desculpas para os atletas que estavam com camisetas da competição, dizendo-se envergonhados do que havia acontecido”, revela.

Apesar do distanciamento do atleta com o local do atentado no momento das explosões, André revela que o medo e desespero estavam estampados na face de todos. “Todo mundo entrou em desespero e evacuou o local da prova rapidamente.  A competição foi interrompida antes da chegada, evitando que mais pessoas se aglomerassem no local.  Não conheço ninguém que foi ferido ou que seja vitima direta do ataque.  Havia aproximadamente vinte pessoas do meu círculo de amizade que estavam correndo em Boston e todos estão bem”, afirma.

A expectativa do atleta para a Maratona de Boston era de cumprir a prova em tempo razoável e sem sofrimento.  “Não pude treinar direito para a prova em virtude de muitos compromissos no trabalho fora de São Paulo que, apesar de não ser desculpa, acabam atrapalhando um pouco. O acontecimento não muda em nada minha visão da corrida e das provas internacionais. Esse ataque foi um caso isolado e isso só aumentará a segurança nas provas que já é muito boa. Se imaginarmos que na cidade onde eu moro (São Paulo) morrem diariamente no trânsito a mesma quantidade de pessoas que morreram no ataque talvez eu devesse evitar o trânsito e não as provas internacionais”, finaliza.