maio 08, 2013

Conheça Ariana Delawari, artista que mescla folk e ritmos do Afeganistão e que virá à Botucatu na Virada Cultural

Entre as atrações divulgadas para a Virada Cultural Paulista em Botucatu, um nome se destaca, trata-se de Ariana Delawari, que se apresenta no próximo no dia 25 de maio, quando também subirá ao palco externo o DJ Pedro Cerqueira, trio “Metá Metá”, e o cantor Almir Sater.


A cantora é a primeira atração internacional a ganhar espaço na Virada Cultural de Botucatu, e apesar de uma carreira sólida, ainda é pouco conhecida no interior paulista.

De acordo com a revista Rolling Stone Ariana Delawari é uma  “Alquimista”. Americana, filha de afegãos, a compositora, fotógrafa, atriz e diretora de cinema é considerada pelos críticos como uma artista completa, que acredita poder fazer da arte um caminho para um mundo melhor.

Seu trabalho mescla duas fortes influências culturais, o folk americano e os ritmos tradicionais do Afeganistão, que o público de Botucatu poderá conferir de perto.

Seu primeiro álbum, “Lion of Panjshir”, foi gravado durante as filmagens de “We Came Home”, documentário que retrata sua mudança para o Afeganistão após o atentado de 11 de Setembro, ganhador do Prêmio de melhor documentário na Mostra Internacional de São Paulo. O segundo disco está sendo produzido agora.

Ariana não gosta de definir sua música, mas admite que é influenciada por canções de protesto. Nesta curta entrevista, ela fala dessas influências, das consequências ainda latentes dos atentados de 11 de Setembro para sua vida e a de seu povo no Afeganistão, além da expectativa de se apresentar nos palcos brasileiros. “Eu acho que os brasileiros são calorosos, amorosos, espirituais, coloridos. Acho que o Brasil é o país do futuro”, afirma.

Diário da Serra - Quais são suas expectativas para estes dois shows no Brasil?
Ariana - Espero me conectar com os brasileiros e partilhar a minha música. Eu tenho um amor muito profundo pelo Brasil e pelos brasileiros. Estive aí duas vezes e as viagens foram mágicas por razões diferentes. Eu acho que os brasileiros são calorosos, amorosos, espirituais, coloridos... Acho que o Brasil é o país do futuro, principalmente pela diversidade de vocês. Portanto, estou muito honrada por ter esta oportunidade de tocar. Espero que os shows sejam repletos de amor e alegria.

Diário da Serra - Como você define a sua música?
Ariana - Pergunta difícil! Eu realmente não gosto de definir a minha música. Mas, se eu pudesse, eu diria que tento contar histórias com as minhas canções. Às vezes histórias políticas sobre o Afeganistão. Eu faço um monte de músicas de protesto. Às vezes eu canto sobre o amor, ou a paz, ou o oceano. Minhas composições  mudam muito. Eu gosto de descrever paisagens com minhas canções - de modo que o álbum é uma verdadeira viagem. Eu também gosto de incorporar todos os tipos de instrumentação, instrumentos ocidentais, afegãos e instrumentos clássicos. Do folclore, ao rock psicodélico, ao clássico. Eu gosto quando minha música se torna frágil, mas poderosa, delicada, mas forte, significativa e ainda meditativa.

Diário da Serra - Quais são suas principais influências?
Ariana - Minhas primeiras influências foram Ahmad Zahir, Jimi Hendrix, John Lennon e Madonna. Outras grandes influências são Bjork, Ravi Shankar, Johnny Cash, Nirvana e música de protesto americana a partir dos anos 1920 até os anos 1970.

Diário da Serra - É o seu segundo álbum pronto? Conte-nos mais sobre isso!
Ariana - Sim. Ele realmente será diferente do primeiro instrumentalmente, mas semelhante em sentimento. Estou animada com isso.  ;)

Diário da Serra - Qual é a importância da música para a mudança política e social no Afeganistão e ao redor do mundo?
Ariana - A música é tão poderosa. Ela une e inspira as pessoas. Ela pode criar movimentos. Música tem sido a coisa mais importante na minha vida. Meus músicos favoritos eram músicos de protesto.
Diário da Serra - Depois de mais de uma década, como você acha que os atentados de 11 de Setembro têm influenciado as artes ao redor do mundo?

Ariana - O 11 de setembro foi um evento de trevas, mas nas trevas sempre há luz. Só temos de criar valor a partir destas atrocidades que acontecem em nosso mundo. Eu acho que muitos artistas foram inspirados nos atentados. Para mim, ele foi o catalisador para todo o trabalho que tenho feito nos últimos dez anos. O 11 de Setembro levou os meus pais a se mudarem para o Afeganistão.

Eu fiz minha primeira viagem a Cabul, um ano depois dos atentados. Eu me apaixonei pelo Afeganistão - e aquela terra tornou-se meu coração, minha musa, minha vida. Como uma americana no Afeganistão, senti uma grande responsabilidade após o 11 de Setembro. Eu sabia que pessoas como eu tinham que compartilhar seus pontos de vista com o mundo, para que as pessoas não vissem o Afeganistão como uma terra de terroristas.

Especialmente porque o Afeganistão é, honestamente, um dos lugares mais bonitos do mundo. Nossa cultura é antiga e tão cheia de beleza. Nossos povos são amorosos, quentes, tipo pessoas de coração. Então, esse equívoco foi de partir o coração. O 11 de Setembro também trouxe um monte de medo e tensão religiosa. Ou ele aumentou a tensão que já existia. Acho que a arte foi se rebelando contra esse tipo de medo e opressão. Artistas são curandeiros. Nós gostamos de trazer as pessoas de volta. Tirar as pessoas do medo e levá-las para o amor. Tirá-las da escuridão e levá-las para a luz. É o que fazemos. Então eu acho que os atentados mostraram que os artistas precisam brilhar para que o mundo mude.
Após a apresentação em Botucatu a artista se apresentará em Mogi Guaçu, também através da Virada Cultural Paulista.

A Virada é uma realização do Governo do Estado de São Paulo em parceria com as prefeituras dos 26 municípios participantes e com o SESC-SP. (com assessoria).



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