maio 28, 2013

Thiago Azanha: jornalismo correndo nas veias

Thiago Fernando Miquelin Azanha, 23 anos, é formado em letras pela Universidade de São Paulo (USP) e tem assinado matérias de grandes repercussões na imprensa nacional, entre elas a cobertura da morte do cantor Chorão, da banda Charlie Brow Júnior, a posse da presidente Dilma Rousseff e na Virada Cultural de São Paulo, acabou se tornando também personagem de capa do portal UOL, contando sua experiência ao virar a noite acompanhando as atividades da programação.



O caminho de Azanha é marcado pela perseverança e a certeza de que o jornalismo seria parte efetiva de sua vida. Vocacionado desde o tempo de escola, o jornalista fez de tudo um pouco, montou uma rádio na escola em que estudava, circulou pelas redações dos principais jornais da cidade (entre eles o Diário da Serra), foi radialista e colaborou com blogs e sites.

“Desde criança sou muito comunicativo e adoro ouvir as histórias das pessoas. Acredito que todos têm algo interessante a contar. Meu avô era dono de um depósito de bebidas, e sempre fazia entrevistas com seus clientes ou fingia que estava apresentando um programa de TV na rua. Na escola (Santa Marcelina e La Salle), minhas professoras de português elogiavam minhas redações e me incentivavam a continuar escrevendo. Um professor de música do Santa me chamava de ‘journalist’. Ficava feliz com o apelido e me empolgava com a ideia de seguir a profissão”, diz.

A carreira precoce, iniciada aos 13 anos, garantiu ao profissional ‘Know-how’, para se tornar uma das apostas do jornalismo no Estado. “Vou completar 10 anos nessa profissão no próximo mês. Com minha cara de pau, procurei o diretor da revista QG, o Rodrigo Girardi, me apresentei e disse que gostaria de escrever para a revista. Foi quando surgiu a ideia de montar uma coluna teen, com assuntos que englobassem o comportamento jovem. Fui crescendo e os temas passaram a ser sobre música, cinema, viagens, etc. No mesmo período que comecei na revista, apresentava um programa de rádio na Criativa FM, chamado "Programa QG", junto com o Rodrigo e o Joandre César. Divertia-me fazendo entrevistas ao vivo com personalidades da cidade e diversas bandas formadas por amigos! Na mesma época, aproveitei o momento e, com a mesma cara de pau, marquei uma reunião com o Pedro Manhães, diretor do Diário da Serra, e apresentei a ele a ideia de cobrir o Festival de Dança de Joinville direto da cidade catarinense para o jornal. Ele topou e fiz a cobertura com o pessoal da Flavia Fazzio (diretora da Oficna da Dança) em julho de 2003. Foi minha primeira matéria para este jornal. Depois, fiz outras diversas colaborações para o Diário. Em 2007, quando estava no cursinho, comecei a escrever uma coluna sobre música na Coluna Auê, do Olavo Peixoto, além de tirar fotos da galera na balada para o jornal. Era do tipo que topava de tudo no jornalismo”, relata.

Azanha relata que na adolescência trabalhava por prazer e pela liberdade que os antigos chefes, como os comunicadores Rodrigo Girardi, Pedro Manhães, Olavo Peixoto, Anderson França e Gérson Martins garantiam. “Antes era principalmente pelo prazer, agora as pessoas me pagam para fazer o que gosto. O que mudou foi a dimensão que meu trabalho ganhou, atingindo milhões de pessoas diariamente. A responsabilidade, claro, aumentou. Mas acredito que se não tivesse tido a oportunidade de experimentar e ter um começo no interior, pegando as ‘manhas’ do jornalismo, acho que meu caminho teria sido um pouco mais difícil na capital. Sou muito grato a todos que me ajudaram e acreditaram naquele moleque sem-vergonha”.

Furos na posse da Dilma e na morte do cantor Chorão

Ao longo dos anos de carreira Azanha diz que a matéria que mais o marcou foi a posse da presidente Dilma Rousseff, em Brasília, pelo jornal Folha de São Paulo, quando foi enviado como correspondente especial. “Trabalhei fazendo os bastidores da posse durante quase uma semana. Dei o ‘furo’ ao entrevistar a vice-presidente do canal de notícias CNN, a Parisa Khosravi, quando anunciou a abertura de um escritório do canal no Brasil, em 2011. Outra entrevista célebre foi da Patrícia Abravanel, filha do Silvio Santos, que confidenciou para mim sobre os planos de se lançar como apresentadora do SBT! Não deu outra: poucos meses depois ela estreava com os programas na emissora do pai”, relembra.

Antenado no que acontece no mundo das celebridades, Azanha deu sorte, e acabou sendo um dos primeiros jornalistas a chegar ao prédio onde morava o cantor Chorão, e esse acabou sendo um de seus trabalhos de maior projeção. “Cheguei à redação, por volta das 6h45 e às 7 horas já estava na porta do apartamento do cantor. Conversei com diversos familiares do cantor,  amigos, parceiros de banda, porteiros do condomínio e quem mais desse as caras no prédio naquele dia. Fiz amizade com o delegado do caso, o Itagiba Franco. Ficamos amigos e ele acabou me contando diversas informações exclusivas. Depois que saí do condomínio onde encontraram o Chorão fui ao IML, onde consegui diversas informações ‘em off’ com familiares dele, que confirmaram de antemão a causa da morte, overdose por cocaína. Neste dia da morte do Chorão tive ideia da dimensão do que é escrever no maior portal de notícias do país: em 12 horas minhas matérias tiveram 27 milhões de acessos”, comenta.

 Outra matéria recente que deu bastante projeção para Azanha foi a Cobertura da Virada Cultural de São Paulo, quando passou 24 horas acordado percorrendo as atrações. “Acabei virando protagonista da história. Três dias antes do começo da Virada, cheguei para o editor-chefe do UOL Entretenimento, o Diego de Assis, e apresentei a ideia maluca de passar 24 horas nas ruas do centro de São Paulo acompanhando toda a movimentação, dentro e fora dos palcos, da Virada Cultural. Ele me achou doido, deu risada, mas comprou a ideia. Relatei minha experiência pessoal no evento, além de escrever as notícias instantâneas. Sobrevivi a quatro arrastões, intimidações de trombadinhas e até da fúria do prefeito de São Paulo Fernando Haddad, que não gostou de uma matéria que publiquei sobre o cancelamento de uma coletiva que a Polícia Militar faria para divulgar os números da violência na Virada. Minhas fontes disseram que ele pediu para cancelar a coletiva, mas ele negou, claro. O UOL bancou minha versão e consegui mais uma manchete na página principal do portal”, comemora.

Crise no jornalismo e o possível retorno para a casa

Seguindo Azanha os principais veículos de comunicação de São Paulo, e de todo o Brasil, estão passando pela pior crise do jornalismo nos últimos anos. “As Redações mais demitem do que contratam, precisam mais de braços do que cabeças pensantes, o que é ruim para o resultado final. Ótimos profissionais são descartados sem a menor cerimônia. A maioria dos jornalistas trabalha em esquema de colaboração, não são contratados. Isso resulta numa instabilidade terrível, sem saber como será o próximo mês. É uma questão de sobrevivência se manter numa empresa de grande porte. Para isso, mais do que talento, é preciso manter excelentes contatos e contar com a simpatia dos chefes”, diz.

Apesar do sucesso no portal Uol, Azanha revela que voltaria a exercer a profissão em Botucatu sem prensar duas vezes. “Seria o maior prazer. Por incrível que pareça, posso estar enganado, mas acredito que os jornais no interior ainda não sofrem com a crise que atinge as publicações impressas nos grandes centros metropolitanos. Cito como exemplo meu pai. Ele não usa a internet para saber sobre uma notícia que aconteceu em Botucatu. Ele é tradicional, do tipo que passa na banca e compra o jornal da cidade. Acredito que muitos ainda assinam o jornal e querem ver a notícia que aconteceu na esquina de casa na página do jornal no dia seguinte. Sem falar no talento dos jornalistas botucatuenses. Admiro muito a cobertura e o interesse que essas pessoas têm sobre as notícias que acontecem na nossa cidade. Se ainda estiver espaço para mim, gostaria de voltar para esse time um dia”, finaliza.


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