julho 16, 2013

Novo tratamento da Hepatite C é aprovado pelos pacientes do SAE de infectologia

Confirmando seu pioneirismo na prestação de serviços de saúde de qualidade, o Serviço de Ambulatórios Especializados de Infectologia “Domingos Alves Meira” (SAEI-DAM) tem oferecido, desde janeiro de 2012, aos portadores de hepatite C, um tratamento que aumenta a possibilidade de eliminação do vírus nos pacientes atendidos pela unidade. A nova medicação amplia a chance de cura em torno de 30% e os beneficiados têm aprovado os resultados.


O tratamento convencional, utilizado na rotina pelo Sistema Único de Saúde (SUS), prevê aplicação do medicamento denominado Interferon Peguilado combinado com Ribavirina. Ambos oferecem, no máximo, 50% de possibilidade de cura da doença para o genótipo 1 do vírus da Hepatite C. O novo método, utiliza a medicação tradicional em conjunto com mais uma nova droga (boceprevir ou talaprevir), dois novos fármacos desenvolvidos pela indústria farmacêutica. Dessa forma, a chance de eliminar o vírus da hepatite C sobe aproximadamente para 70% a 80%.

Para preservar as pacientes entrevistadas no SAEI-DAM não serão revelados seus nomes verdadeiros. Por isso, serão utilizadas identidades fictícias.

Carmem, 37 anos, descobriu que era portadora de hepatite C em 2005. Viaja de sua cidade de origem à Botucatu semanalmente para receber atendimento no SAEI-DAM. É uma das pacientes submetidas ao novo medicamento e está na metade do tratamento, previsto para ser realizado durante 48 semanas. Ela relata que o serviço oferecido na unidade é de fundamental importância. “A respeito dos profissionais: são excelentes. Nunca deixei de ter uma consulta, nunca faltou um médico, sempre fui bem acolhida e recebida”, disse. Antes de iniciar a aplicação da nova medicação, ela enfrentou dois tratamentos sem sucesso.

Carmem também salientou que o apoio de amigos e familiares é importante para o paciente conseguir encarar as dificuldades decorrentes da doença e, principalmente, o preconceito existente na sociedade. “Nesse último tratamento me divorciei, pois meu marido não conseguiu superar todos os problemas resultantes do tratamento que faço”, explicou.

Para Sueli, 56 anos, paciente do SAEI-DAM, também submetida à nova medicação, o serviço oferecido em Botucatu pela unidade colabora para que muitas pessoas tenham sucesso no tratamento contra hepatite C. “Não tenho do que reclamar, todos são muito atenciosos. Em tudo o que eu preciso eles estão prontos para atender”, destacou a paciente, que está na etapa final da administração do novo medicamento.

Ela afirmou que descobriu a doença no ano de 2003, iniciou o primeiro tratamento no ano seguinte, concluindo-o em 2005. Sem resultado, deu início a uma segunda tentativa em 2009, também sem sucesso. Agora, restam apenas duas semanas para conclusão do terceiro tratamento, feito com a nova medicação.

O médico infectologista e diretor de assistência do SAEI-DAM, Alexandre Naime Barbosa, explica que o novo método tem muitos efeitos colaterais, e alguns desses potencialmente graves e até mesmo fatais, além de ser extremamente caro. “É preciso ser feito em locais onde haja uma equipe multiprofissional, como psicólogos, assistentes sociais, farmacêuticos, entre outros. Também é necessário  haver um treinamento médico ostensivo, com extrema qualificação e, por isso,  poucos centros tem capacidade para implantar o novo tratamento ”, justificou o especialista.

Barbosa lembra que o novo tratamento não é destinado a qualquer paciente portador de hepatite C. Segundo ele, o método só pode ser aplicado em pessoas que fizeram o tratamento convencional, mas não foram curadas e a pacientes com diagnóstico próximo da cirrose, com fibrose hepática graus 3 e 4.

Sobre a Hepatite C:

A hepatite C é causada por um vírus transmitido principalmente pelo sangue contaminado, mas a infecção também pode passar, menos comumente, através das vias sexual e vertical (da mãe para filho). O portador do vírus da hepatite VHC pode desenvolver uma forma crônica da doença que leva a lesões no fígado (cirrose) e câncer hepático. Não há vacina contra a doença.

Estima-se que, no mundo, 170 milhões de pessoas sejam portadoras de hepatite C. No Brasil, são cerca de 3 milhões, sendo que apenas  100 mil delas conhecem a existência do problema.

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