julho 17, 2013

ONU pede ação do Conselho de Segurança para proteger jornalistas

O vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson, pediu nesta quarta-feira (17) por mais ações do Conselho de Segurança contra todos os atos que suprimam a liberdade de imprensa, onde e sempre que ocorram. A solicitação foi feita em conjunto com repórteres em reunião especial do Conselho sobre proteção dos jornalistas em áreas de conflitos armados.

“Quando os jornalistas são mortos, as informações sobre as ameaças à paz e à segurança internacional são muitas vezes enterradas”, disse Eliasson, lembrando que mais de 600 jornalistas foram mortos na última década. A maioria profissionais locais e funcionários da mídia que normalmente faziam reportagens sobre corrupção e outras atividades ilegais.
É “chocante e inaceitável” que mais de 90% dos assassinatos de jornalistas fiquem impunes, observou Eliasson, insistindo que “o mínimo que podemos fazer quando um jornalista é assassinado é garantir que a morte seja investigada com rapidez e que a justiça seja feita”.
É a primeira vez que o Conselho considera especificamente a questão da proteção do jornalista em conflitos armados desde que adotou a resolução 1738 em 2006. Também foi a primeira vez quatro jornalistas internacionais falaram diretamente ao órgão.
Participaram do encontro a editora-executiva da Associated Press e vice-presidente do Comitê para a Proteção dos Jornalistas, Kathleen Carroll; o jornalista da NBC News Richard Engel; o correspondente do The Guardian Ghaith Abdul-Ahad; e o repórter somali da Agência France-Presse Mustafa Haji Abdinur.
“Estou aqui simplesmente porque tenho sorte, porque os pistoleiros que mataram muitos dos meus amigos ainda não me encontraram. Ainda assim não é uma questão de se, mas de quando”, declarou Abdinur.
Em abril de 2012, o Conselho Executivo da ONU aprovou o Plano de Ação da ONU para a Segurança de Jornalistas e a Questão da Impunidade para criar um ambiente livre e seguro para os jornalistas e profissionais de mídia, tanto em situações de conflito e de não conflito. Essas condições são pré-requisito para a liberdade de expressão e para a democracia. A iniciativa para implementá-lo em todo o mundo é liderada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).