novembro 09, 2013

Os líderes não compareceram porque são moleques

Oito mil pessoas foram às ruas de Botucatu para demonstrar o descontentamento com os rumos de nosso atual sistema governamental, em âmbito nacional. Multidão que compareceu sem palavra de ordem definida, sem pedidos específicos, porém com reclamações pertinentes. Digamos que esses manifestantes queriam em comum a implantação de transparência, ética e punições proporcionais a cada contravenção e crime, independente da classe social ou política de seus autores. Outra vontade era ver implantados investimentos e melhorias na estrutura pública proporcionais aos altos valores que pagamos em impostos.



Precisamos de representantes para essas conquistas! Elas não são direitos obrigatórios a cada cidadão e deveres pertinentes a cada governante. Nesse contexto vimos despontar na grande mídia o Movimento Passe Livre, grupo com reinvindicações específicas que ganhou os holofotes da imprensa como representantes oficiais de todos os manifestantes que foram às ruas.

Espera aí. Eu não fui às ruas pedindo redução na passagem do transporte coletivo ou alterações nesse sistema simplesmente porque não uso o transporte público, sou pedestre por convicção, e acredito que assim como eu, teve muitas pessoas que foram às ruas por reclamações que não nada a ver com o tal transporte púbico, então porque a mídia escolheu esse movimento para me representar?

Em Botucatu essa semana aconteceu uma audiência pública atendendo ao pedido dos representantes locais do Movimento Passe Livre, após a manifestação, e os tais líderes simplesmente não compareceram. Como assim não compareceram? Ficaram com medo? Desistiram das reivindicações? Ou simplesmente assumiram a frente porque não tinham outros para justificar tamanha mobilização e após passar a moda de ir às ruas com faixas e bradando gritos de ordem, simplesmente seguiram suas vidas sem se preocupar com as antigas causas da revolta e o resto da população que se vire com o que eles, em tese, provocaram?

Em minha opinião, a manifestação que aconteceu em Botucatu não teve líderes, teve provocadores, pessoas que souberam tocar na ferida da sociedade e mostrar que era necessário tomar uma atitude. Provocadores conscientes de seus posicionamentos e que na hora de escolherem líderes eles simplesmente não aceitavam esse título. A lógica que encontro nesse posicionamento é que ao apresentar lideranças estariam politizando o movimento. Se foram às ruas para reclamar da política, por qual razão esse provocadores iriam politizar o movimento? Se reclamaram da mídia, falaram mal de rádios, jornais e emissoras de TV, nunca iriam querer aparecer nesses veículos de comunicação, por razões óbvias.

O que é necessário deixar bem claro, é que as manifestações na cidade não tinham como meta exclusiva melhorias no transporte público, mas ao assumirem a liderança de tal passeata passaram de modo subliminar a representar todas as outras reivindicações.

Agora, na lógica das pessoas que engolem notícias sem questionamentos, todas as oito mil pessoas que foram às ruas estavam lá por modismo, pois na hora de decidir e discutir as reivindicações simplesmente não compareceram. Afinal de contas o que se lê é escuta é que o Movimento Passe Livre levou essa multidão às ruas.

Informação que entrara para a nossa história, uma história que sempre mostrará o lado dos vencedores e dessa vez perdemos. Perdemos porque representantes eleitos não sei por quem, esses elementos irresponsáveis do Movimento Passe Livre de nossa cidade arregaram na hora de realmente discutir com aqueles que poderiam mudar a nossa realidade, os governantes.

Depois dessa 'mancada', não me interessa se marcarão outra data, se voltarão a discutir ou se posicionarem novamente, já demostraram que não possuem pulso firme o suficiente para sustentar a responsabilidade de ter "levado" oito mil pessoas às ruas. Não perceberam o que isso representa.

Sabe porque acredito que essa manifestação nacional não tem representantes? Porque ela pede; repetindo o que disse no começo: "a implantação de transparência, ética e punições proporcionais a cada contravenção e crime, independente da classe social ou política de seus autores. Outra vontade era ver implantados investimentos e melhorias da estrutura pública proporcionais aos altos valores cobrados em nossos impostos", e para ver isso acontecer não precisamos de representantes, mas sim de VERGONHA NA CARA, e não será uma audiência pública que mudará isso.

Entendo a ausência dos provocadores, a audiência é só uma forma de politizar a descontentamento generalizado e não levará a lugar nenhum devido à amplitude das reivindicações. Mas o tal movimento tinha por obrigação estar lá, eles se posicionaram como líderes, como elementos capazes de mudar uma realidade estavam lá exatamente como agentes políticos, e volto a dizer, eleitos não sei por quem.

O movimento Passe Livre não me representa, continuo insatisfeito e não vou deixar um bando de irresponsáveis que não sabe administrar sua agenda desmoralizar ou dar tom de molecagem a algo tão sério como foi o ato de ir às ruas ao lado de outras 7.999 pessoas, pedindo o que é nosso por direito.
E o que é nosso por direito não deve nem ser discutido pois nos pertence.





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